segunda-feira, 9 de maio de 2011

Guardian: Os imigrantes que morreram no mar

Do vi o mundo.


Guardian: Os imigrantes que morreram no mar

09/05/2011 – 09h16
Otan investiga acusação de que deixou dezenas morrerem em barco
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS, na Folha.com
Onda de Revoltas A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) afirmou nesta segunda-feira que vai investigar a denúncia feita pelo jornal britânico “The Guardian” de que rejeitou os pedidos de socorro de um navio que levava imigrantes africanos da Líbia para a ilha italiana de Lampedusa. Segundo o jornal, que cita testemunhas, ao menos 62 pessoas morreram de sede e fome.
O “Guardian” afirma que o barco levava 72 pessoas, incluindo várias mulheres, crianças e refugiados políticos. Ele teve problemas pouco depois de deixar Trípoli, em 25 de março, rumo à Lampedusa, ilha italiana que sofre com o fluxo de dezenas de milhares de refugiados do norte da África desde a onda de revoltas que varreu a região.
A tripulação do barco enviou um alerta à Guarda Costeira italiana e tentou contato com um helicóptero militar e um barco da Otan, mas nenhum esforço de resgate foi feito.
Apenas dez dos tripulantes sobreviveram aos 16 dias à deriva no mar Mediterrâneo, afirma o jornal britânico.
“Nós estamos investigando as alegações do Guardian. Eu espero ter uma resposta em breve”, disse a porta-voz da Otan, Carmen Romero. “Os veleiros da Otan estão conscientes de suas responsabilidades a respeito da lei marítima internacional sobre a segurança das pessoas no mar”.
A lei marítima internacional obriga todos os barcos, incluindo os militares, a atender chamados de socorro dos barcos que se encontram nas proximidades e prestar auxílio.
A reportagem do “Guardian” cita sobreviventes e outras pessoas que entraram em contato com os passageiros do barco. Segundo o jornal, havia 47 etíopes, sete nigerianos, sete eritreus, seis ganenses e cinco sudaneses. Destes, 20 eram mulheres e dois eram crianças, incluindo um bebê de um ano.
O capitão do barco, um ganense, rumava a Lampedusa, 290 km ao noroeste de Trípoli, mas depois de 18 horas teve problemas e começou a perder combustível.
Os imigrantes usaram um telefone via satélite para ligar para Moses Zerai, um padre eritreu em Roma que comanda a organização de direitos dos refugiados Habeshia. Ele então contatou a Guarda Costeira italiana.
Segundo o “Guardian”, o barco foi localizado a cerca de 97 km da costa de Trípoli e a Guarda Costeira garantiu a Zerai que um alerta fora enviado.
O jornal diz ainda que um helicóptero militar com a palavra “Exército” na fuselagem logo apareceu acima da embarcação. Os pilotos, que usavam trajes militares, deixaram água e pacotes de biscoito no barco e gesticularam aos passageiros que ficariam até que um barco de resgate aparecesse.
O helicóptero, contudo, foi embora e a ajuda nunca chegou.
Dias depois, em 29 ou 30 de março, o barco se aproximou de um porta-aviões da Otan. Segundo o relato dos sobreviventes, dois jatos sobrevoaram a embarcação, enquanto eles seguravam as duas crianças para o alto.
Nenhuma ajuda veio e os passageiros começaram a morrer um a um. “Cada manhã, ao acordarmos, encontrávamos mais mortos, que deixávamos a bordo vinte e quatro horas antes de jogá-los no mar”, relatou ao jornal Abu Kurke, um dos sobreviventes.
Em 10 de abril, o barco chegou à cidade líbia de Zlitan, perto de Misrata, com apenas 11 pessoas vivas. Um deles, contudo, morreu quase imediatamente depois de chegar em terra firme.
FRANCÊS
O “Guardian” diz que após extensa investigação descobriu que o porta-aviões é provavelmente o francês Charles de Gaulle, que estava operando no Mediterrâneo.
O Charles de Gaulle faz parte da operação internacional da Líbia, mas não está sob comando direto da Otan.
A porta-voz da aliança disse que o único porta-aviões que faz parte da operação na Líbia é um italiano.
Ela disse ainda que, nas noites de 26 e 27 de março, várias unidades da Otan estavam envolvidas no resgate de mais de 500 pessoas em dois veleiros com imigrantes em uma área a 28 km ao norte de Trípoli.
“As pessoas resgatadas foram transferidas para Lampedusa com a ajuda das autoridades italianas”, disse.
CRISE HUMANITÁRIA
Cerca de 25 mil fugiram para a pequena ilha italiana de Lampedusa, que fica mais perto do norte da África do que da Itália continental. A ilha tem apenas 5.000 habitantes e nenhuma estrutura para abrigar tantos refugiados.
O governo italiano alegou que não tinha como acolher tanta gente e que temia a vinda de 1,5 milhão para suas terras com a queda sucessiva de ditadores no continente vizinho.
Pelas regras da União Europeia (UE), os imigrantes têm de ficar no país em que aportaram até que sejam devolvidos a seus locais de origem ou que seja concedido asilo ou visto.
Berlusconi apelou por ajuda dos demais membros do bloco europeu, mas não obteve resposta e resolveu conceder documentos temporários de permanência, o que permite a imigrantes circular pelos países signatários do Tratado de Schengen.
A decisão levou a reações duras dos vizinhos, que temiam “adotar” o problema italiano, principalmente da França, destino preferencial dos tunisianos.
Há duas semanas, a França chegou a bloquear por meio dia o tráfego de trens com a Itália para impedir a entrada desses tunisianos recém-documentados. O país alegou “razões de ordem pública” e disse que eles só poderiam entrar se comprovarem ter condições financeiras de se sustentar.
Na semana passada, Itália e França decidiram em conjunto pedir que a União Europeia rediscuta o tratado que permite a livre circulação de pessoas entre 25 países do continente.
Conhecido como Tratado de Schengen (cidade em Luxemburgo onde foi assinado), o acordo é um dos pilares da UE, abolindo na prática as fronteiras internas entre os países signatários –qualquer um viaja sem a necessidade de passaporte ou visto.
Agora, os dois países falam em retornar o controle fronteiriço em “circunstâncias excepcionais”.
Leia aqui o alerta que o professor Reginaldo Nasser fez, em entrevista ao Viomundo:Revolta da rua árabe vai chegar ao solo europeu

Saramago - Se todos fôssemos ateus

Dos cadernos de Saramago.
A frase foi forte.


Se todos

O mundo seria muito mais pacífico se todos fôssemos ateus. 
Clarín (Revista de cultura Ñ), Buenos Aires, 22 de Novembro de 2008 In José Saramago nas Suas Palavras

domingo, 8 de maio de 2011

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Saramago - Obra humana

Dos cadernos de Saramago.


Obra humana

Por Fundação José Saramago
Deus e o Diabo estão dentro de nós: aí nasceram e aí vivem. O bem e o mal são obra humana. Não posso acreditar num Deus que não existe ou que nunca se deu a conhecer. Eu não necessito de Deus. Nunca tive nenhuma crise religiosa. Vivi o meu ateísmo com uma tranquilidade total. E digo a mim mesmo: nasceste, estás a viver, morrerás e acabou-se.
El Universal, México D. F., 16 de Maio de 2003
In José Saramago nas Suas Palavras

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Porcentual de pobres cai mais de 50% no governo Lula

Dos amigos do presidente Lula.


Porcentual de pobres cai mais de 50% no governo Lula

A pobreza no Brasil caiu 50,64% entre dezembro de 2002 e dezembro de 2010, período em que Luiz Inácio Lula da Silva esteve à frente da presidência da República. O dado consta da pesquisa divulgada nesta terça-feira, 3, pelo professor do Centro de Politica Social da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Marcelo Neri. O critério da FGV para definir pobreza é uma renda per capita abaixo de R$ 151. A desigualdade dos brasileiros, segundo ele, atingiu o "piso histórico" desde que começou a ser calculada na década de 60.

Segundo o estudo, a queda da pobreza nos mandatos de Lula superou a registrada durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, incluindo o período de implementação do Plano Real. Nesse período, a pobreza caiu 31,9%. "Acho que essa década (anos 2000) pode ser chamada de década da redução da desigualdade; assim como os anos 90 foram chamados de década da estabilização", afirmou Neri.

O estudo toma como base dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio (Pnad) e Pesquisa Mensal de Emprego (PME). Pela pesquisa, a renda dos 50% mais pobres cresceu 67,93% entre dezembro de 2000 e dezembro de 2010. No mesmo período, a renda dos 10% mais ricos cresceu 10%.

Desigualdade. A desigualdade de renda dos brasileiros caiu nos anos 2000 para o menor patamar desde que começou a ser calculada, mas ainda está abaixo do padrão dos países desenvolvidos, segundo Neri. Ele tomou como base para o estudo o índice de Gini, que começou a ser calculado nos anos 60. Com esse resultado, o País recuperou todo o crescimento da desigualdade registrado nas décadas de 60 a 80.
O índice Gini brasileiro está em 0,5304, acima do taxa de 0,42 dos Estados Unidos. Quanto mais próximo do número 1, maior a desigualdade. "Acredito que ainda vai demorar mais uns 30 anos para que possamos chegar aos níveis dos EUA", estimou Neri.

Para o professor da FGV, o aumento da escolaridade e o crescimento dos programas sociais do governo foram os principais responsáveis pela queda da diferença de renda dos brasileiros mais ricos e mais pobres entre 2001 e 2009. "Isso mostra que a China não é aqui", afirmou. E completou: "O grande personagem dessa revolução é o aumento da escolaridade. Mas, ainda temos a mesma escolaridade do Zimbábue", mostrando que há um longo caminho a ser percorrido.

Estudo da Fundação Getúlio Vargas indica ainda que em 2010 o País atingiu menor nível de desigualdade de renda desde 1960.Agência Estado

Saramago - Uma aberração total

Dos cadernos de Saramago.


Uma aberração total

Por Fundação José Saramago
Pessoalmente, considero a religião como uma aberração total. Se há um Deus, será um e não dois, nem três, nem quatro. É uma grande estupidez que os seres humanos se enfrentem por motivos religiosos. É algo que me deixa atónito.
El Correo, Bilbao, 27 de abril de 2004
In José Saramago en sus Palavras

terça-feira, 3 de maio de 2011

EUA e o videogame da morte

Do tijolaço.



É estarrecedora a divulgação desta foto, pela Casa Branca, da foto de Barack Obama e seus auxiliares assistindo, ao vivo, a execução de Osama Bin Laden.
Foi uma execução – e os próprios americanos admitiram isso -  porque o objetivo era matar, não prender.
Se o quisessem prender, bastaria cercar a casa onde ele estava acuado, a 200 metros de uma academia militar paquistanesa. Não haveria rota de fuga, nem mesmo um túnel que os sensores ultramodernos dos americanos não fosse capaz de detectar.
Medo de que Obama se explodisse e não houvesse um cadáver para exibir? Um cadáver é tudo o que os americanos não queriam, tanto que há esta história marota do “enterro no mar”.
A execução foi transmitida ao vivo, pessoalmente, para o Presidente dos EUA.
Qual a finalidade? Ele ia dar ordens, orientações, comandos aos militares  que estavam na operação? “Vai por ali, Jack, dê cobertura a ele, John”?
Nem isso, como  seria num videogame, onde soldados virtuais eliminam terroristas virtuais.
O homem que lidera a Nação mais poderosa do mundo, que tem os códigos para acionar uma maleta que dispara centenas de mísseis nucleares, não pode se prestar ao papel de platéia de um assassinato, independentemente de que a vítima seja um terrorista.
Osama Bin Laden deve ter assistido ao vivo os aviões que mandou jogar sobre as Torres Gêmeas.
E talvez tenha dito, em árabe, o “Nós o pegamos” que o assessor de segurança John Brennan atribuiu a Barack Obama, ao consumar-se o objetivo de matar.
Quando os fins justificam os meios, e não resta sequer o gesto piedoso de baixar os olhos diante da morte de alguém, é que a nossa grandeza já se foi.

Assange, do Wikileaks: Facebook pode espionar

Do tijolaço.


Do blog La Pupila Insomne ao qual cheguei pelo Maria da Penha Neles, indicado pelo twitter:
“O fundador do Wikileaks, Julian Assange, falando  das redes sociais em uma entrevista ao Rússia Hoje, disse que o facebook “a mais terrível máquina de espionagem já inventada”.
Assange  acreditarque o Facebook é uma enorme base de dados de nomes e registros de pessoas, voluntariamente mantida por seus usuários, mas desenvolvido pela inteligência dos EUA para seu uso.
“Todos devem compreender que, quando você adiciona amigos ao Facebook , você está fazendo o trabalho de graça para as agências de inteligência dos Estados Unidos, e criando esse  banco de dados para eles “, disse Assange.
Entretanto, Assange não afirma que o Facebook é realmente executado por agências de inteligência dos EUA, o fato de que tenhamo acesso aos seus registros é – a seu ver – suficientemente perigoso.
“Agora,o Facebook está a cargo da inteligência dos EUA? Não, não é. É simplesmente que a  inteligência dos EUA é capaz de impor a pressão jurídica e política sobre eles “, disse ele.
Assange também abordou a questão doas mensagens secretas do governo dos EUA publicadas pelo Wikileaks , argumentando que as que têm importância não foram publicados ainda.
“Só publicamos os que foram considerados secretos, classificados como confidencial. Nós não tivemos nenhum telegrama ultra-secreto. As coisas realmente constrangedoras, o que é realmente grave não está na nossa “coleção” para a publicação. Mas estão lá “, disse ele.
No final da entrevista, Assange destruiu a indústria da mídia, dizendo que ela distorce a realidade  para o público e que tem feito muito pouco para impedir as guerras e tirar os governos corruptos do poder. ”Realmente essa  é a minha opinião sobre os meios de comunicação, eles são tão ruins, que devemos nos perguntar se o mundo seria melhor sem eles completamente”, disse ele.”
O vídeo da entrevista de Assange está aqui, em inglês.

Agenda da presidenta já transformou o Brasil

Do conversa afiada.


Agenda da presidenta
já transformou o Brasil




A queda de Agnelli é uma prova da desarticulação dos DEMO-tucanos

Conversa Afiada reproduz post da Carta Maior e do blog Amigos do Presidente Lula:

Contrariar interesses empresariais, a agenda silenciosa de Dilma

Passados os primeiros cem dias de mandato, presidenta começa a impor uma agenda própria disposta a aproveitar maioria política e fragilidade de adversários para enfrentar alguns interesses empresariais que atrapalhariam o desenvolvimento e o interesse nacional. Bancos e telefônicas já sofrem com os planos governistas.


André Barrocal


BRASÍLIA – O principal assunto dos cem primeiros dias da gestão Dilma Rousseff, a consumir a energia presidencial, foi o combate da inflação. A pressão sobre os preços é anterior à posse de Dilma e, na avaliação do Palácio do Planalto, parece sob controle, graças a uma combinação de ações do Ministério da Fazenda e do Banco Central. Com isso, aos poucos, o governo começará a impor sua própria agenda. Foi o que fez ao lançar, dia 28 de abril, programa para incentivar o ensino em escolas técnicas, o Pronatec. Em maio, anunciará plano contra a pobreza, principal bandeira da atual administração.


São iniciativas que o governo faz questão de divulgar com pompa, em solenidades com a presidenta. Mas há também uma agenda silenciosa, sobre a qual se fala de forma mais discreta, em gabinetes e corredores. Aproveitar a folgada maioria no Congresso e a fragilidade dos adversários para, mesmo fora do ambiente parlamentar, enfrentar e contrariar interesses empresariais que atrapalhariam o desenvolvimento e o interesse nacional.


No mesmo dia em que anunciou o Pronatec, por exemplo, Dilma assinou medida provisória (MP) que permite aos Correios montar um banco e atuar como operadora de telefone celular. A intenção é botar a estatal para acossar o sistema financeiro e as telefônicas e derrubar o preço das tarifas cobradas da população nas duas áreas.


O ministério das Comunicações, a quem os Correios se subordinam, tem orientação “incisiva” de Dilma, de acordo com o ministro Paulo Bernardo, para tocar o Plano Nacional da Banda Larga (PNBL) a todo o vapor. É um projeto que também bate de frente com as telefônicas, que praticam preços que o governo considera altos demais e agora, vêem a rediviva Telebrás no seu encalço.


Dias antes de assinar a MP dos Correios, Dilma havia convocado à sua sala o presidente de quatro bancos públicos – Banco do Brasil, do Nordeste, da Amazônia e Caixa Econômica Federal – para cobrar que façam mais empréstimos do tipo “microcrédito”. É uma modalidade de crédito criada no governo Lula para pessoas pobres pegarem dinheiro a juros mais baixos, mas que o sistema financeiro boicota, por falta de interesse (lucro).


Ainda em abril, o governo viu sacramentar a troca no comando na Companhia Vale do Rio Doce, cujo ex-presidente, Roger Agnelli, tinha uma filosofia que desagradava o Palácio do Planalto desde a gestão Lula. A mudança resultou de uma operação liderada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, com respaldo de Dilma. O governo acredita que, com o novo presidente, Murilo Ferreira, conseguirá influenciar a Vale a ter uma postura mais favorável ao que entende ser do interesse nacional. Exemplo: finalmente tirar do papel a construção de siderúrgicas no Brasil, em vez de só exportar minério de ferro.


A troca da direção da Vale é um caso ilustrativo de como o governo tira proveito político da fragilidade atual dos adversários. Se a oposição não estivesse reduzida e desarticulada, aposta-se que Agnelli teria mais chance de resistir no cargo. Ele apelaria a aliados no PSDB e no DEM para acertar alguma forma de reação no Congresso ou junto à opinião pública que poderia ter feito o governo abandonar a pressão.


Bancos, alvos preferenciais

O governo prepara-se ainda para instituir um fundo de pensão exclusivo para funcionários públicos, a fim de utilizá-lo como arma de captação de recursos e, com isso, também “contrariar interesses”. É possível criá-lo desde 2003, quando o Congresso alterou a Constituição para servidor público pagar contribuição previdenciária a um fundo específico. Mas não nasceu até hoje porque depende de lei. É um projeto com tal proposta de lei que o governo finalizará em breve.


O Palácio do Planalto calcula que, com a contratação federal média de 20 a 25 mil servidores por ano, o fundo tem potencial para ser tão poderoso quanto a Previ, dos trabalhadores do Banco do Brasil, o maior da América Latina, com patrimônio superior a R$ 150 bilhões.


No controle do fundo, que por um tempo apenas coletará dinheiro, sem ter de pagar aposentadorias, o governo escolherá onde investir. Poderá usá-lo, por exemplo, para rolar a própria dívida pública, a juros menores, contrariariando o “mercado” de novo. Fundos de pensão detém hoje 15% da trilionária dívida federal, segundo a Secretaria do Tesouro Nacional, que tem feito reuniões com gestores de fundos para incentivá-los a comprar mais títulos públicos.


Os banqueiros, aliás, serão alvos preferenciais da disposição presidencial de “contrariar interesses”. Como ela disse em viagem recente à China, o país tem “o grande desafio” que “vai ter de enfrentar, pelo menos desta vez”, de derrubar a taxa real de juros, a maior do planeta. A equipe econômica recebeu a orientação de Dilma de estudar como fazer para diminuir os chamados spreads bancários, pedaço das taxas de juros que se reverte em lucros bancários. “O mercado será um foco de tensão permanente com o governo”, afirma um assessor do Palácio do Planalto.


Mesmo no processo de domar a inflação, agenda herdada de 2010, o governo já enfrenta o “mercado” e os bancos. A presidenta dá apoio total para que a área econômica enfatize o uso de medidas alternativas ao juro do BC contra o aumento dos preços. Ela acredita que, quanto menos a taxa do Banco Central subir agora, menor será o patamar a partir do qual o governo terá de forçar sua redução até níveis “compatíveis com as taxas internacionais”, como diz Dilma.


Ao montar a cúpula do BC, a presidenta já havia sinalizado suas intenções. Dos sete diretores, cinco são funcionários de carreira do banco, sem passagens pelo “mercado” – portanto, menos suscetíveis às influências do pensamento no setor.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Saramago - A dormir

Dos cadernos de Saramago.


A dormir

Por Fundação José Saramago
As condições indignas em que milhões de pessoas vivem, se é que se chama a isso viver, realmente se o homem é um grande produto da imaginação criadora de um Deus, então dá vontade de dizer que valia mais a pena que se deitasse a dormir que, julgo, é o que está fazendo agora.
O Estado de S. Paulo, São Paulo, 12 de Abril de 1994
In José Saramago nas Suas Palavras

Bin Laden - O poder, a morte e o espetáculo

Do tijolaço.
O império estadunidense mais uma vez ataca a soberania e os direitos humanos.


O episódio da morte de Osama Bin Laden, depois de 10 anos anulado como chefe minimamente capaz de qualquer estrutura terrorista, cuja a única preocupação era fugir da intensa perseguição que lhe faziao maior exército e os maiores meios tecnológicos do mundo, tem menos importância na questão do terrorismo do que nos rumos sombrios da ordem internacional vivida hoje pelo mundo.
Não se trata, aqui, de discutir o óbvio, a condenação como crime bárbaro da monstruosa morte de mais de três mil civis no World Trade Center.
A evidência curiosa – e terrível – este episódio é o exercício imperial do poder militar norteamericano de transformar sua vontade em lei e sua capacidade em transformar sua aplicação em espetáculos bélico-midiáticos e…eleitorais.
Em 2003 – ano da véspera de sua reeleição – Bush recuperou o prestígio de sua desastrosa admnistração com a Guerra do Iraque, a partir de março.
Saddam Hussein foi apresentado como um aliado de Bin Laden e um perigo atômico para o mundo. Num discurso so Congresso americano, Bush afirmou:
“Hussein tinha um programa de armas nucleares avançadas, tinha um projeto para uma arma nuclear e estava trabalhando em cinco diferentes métodos de enriquecimento de urânio para uma bomba. O governo britânico descobriu que Saddam Hussein procurou recentemente quantidades significativas de urânio da África. Fontes de inteligência nos dizem que tentou comprar tubos de alumínio de alta resistência apropriado para a produção de armas nucleares. Saddam Hussein não explicou essas atividades, de forma crível. Ele claramente tem muito a esconder.”
O ridículo destas palavras, hoje, é tão evidente que não se pode acreditar que tenham sido a razão de uma invasão avassaladora e de dezenas ou centenas de milhares de mortes.
É igualmente curioso – e terrível – o pronunciamento de ontem de Barack Obama. Teatral do início ao fim – inclusive na saída de costas, caminhando solitário pelo corredor da Casa Branca. O efeito dramático era o objetivo, pouco importando que se fosse anunciar ali a morte de um homem.
De um homem, mas não de uma política belicista. As tropas norte-americanas não estão arrumando suas mochilas para embarcar de volta.
Evidente que foi uma vitória desta política. Mas esta política jamais pode ser vitoriosa, definitivamente, porque violenta o principio da soberania das nações.
O mundo saudou a eleição de Barack Obama como uma esperança do fim da violência e da guerra como formas de resolver os problemas do mundo e as relações entre os países.
O Barack Obama que não pôde desmontar a prisão de Guantánamo com que Bush sujou a imagem de liverdade, lei e democracia que os americanos dizem lhes ser sagradas, conseguiu algo mais complexo: a morte do homem que ridicularizou a capacidade bélica do governo de seu antecessor, cuja afirmação custou muito mais vidas – inclusive de americanos – que o atentado das Torres Gêmeas.
Vamos viver um dia – ou alguns dias – mergulhados num espetáculo mórbido. “Como foi, quantos tiros, o corpo foi jogado ao mar ou não (chega a ser irônico que digam que iso teria sido feito para respeitar a li islâmica), se era ou não era ele”, os festejos semelhantes ao de um jogo de futebol vencido, são os temas que vão estar exaustivamente debatidos sobre o cadáver de Bin Laden.
Mas o essencial nada tem a ver com isso.
O que significou, em 2004, um triunfo para os republicanos de Bush vai significar, provavelmente, também uma vitória eleitoral para os democratas de Obama.
E, em qualquer caso, uma derrota para uma ordem internacional onde não haja mais uma “polícia do mundo” e, em seu lugar, floresçam povos livres. Livres, inclusive, dos ódios que levaram à tragédia do World Trade Center.