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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

The Revolution! Al Jazeera ao vivo!

Canal Al Jazeera mostra a revolução ao vivo.
A revolução está sendo televisionada!

Veja o canal da Al Jazeera no Youtube.

Egito - Murabak diz que fica até setembro, multidão se revolta

Do vi o mundo.
O ditador só enfureceu a multidão. Vai ter de sair agora sob a ira dos egípcios.


Mubarak diz que fica até setembro e passará alguns poderes ao vice

O Globo, com agências internacionais
CAIRO – O presidente do Egito, Hosni Mubarak, discursou à nação na noite desta quinta-feira e, apesar das promessas de levar mais reformas adiante e de passar alguns poderes ao vice Omar Suleiman, manteve-se firme na posição de não renunciar. Ele pôs fim, assim, aos rumores que circularam durante todo o dia de que deixaria o poder imediatamente.
A multidão no centro do Cairo, que coloca a renúncia imediata do presidente como exigência para encerrar os protestos, já em seu 17º dia, reagiu com ira. Alguns pegaram os sapatos na mãos para pedir a saída do ditador.
No discurso, Mubarak disse que pedirá mudanças em cinco artigos da Constituição e o cancelamento de outro e afirmou que continuará com a transição de poder até setembro, quando estão marcadas eleições.
Ele confirmou ainda que porá fim à chamada lei de emergência, em vigor há 30 anos e que a oposição vê como uma forma de calar a dissidência. Ele disse, no entanto, que isso só será feito quando as condições de segurança permitirem.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

14 anos sem Chico Science

"A cidade não para, a cidade só cresce. O de cima sobe, o debaixo desce."

"Eu me organizando posso desorganizar. Eu desorganizando posso me organizar."

Faz falta...

O Brasil e a revolução do Egito


Mubarak vai cair. E nós com isso?
por Luiz Carlos Azenha

Vendo as imagens das manifestações que estão acontecendo agora no Egito, a conclusão é óbvia. O regime de Hosni Mubarak já era. É uma questão de tempo até que ele deixe o poder. Com a queda de Mubarak, cairá o pilar central da política externa dos Estados Unidos: a manutenção de uma clientela de autocracias árabes que garantem a Washington acesso ao petróleo e a segurança de Israel, não necessariamente nesta ordem.
É uma mudança extraordinária, historicamente tão importante quanto a queda do muro de Berlim.
Difícil imaginar como será o futuro governo do Egito. Com certeza não será um governo da Fraternidade Islâmica, que foi usada como espantalho por Mubarak para justificar sua ditadura. Aliás, quando a ideia vendida no Ocidente de que as massas árabes eram ignorantes e, portanto, não mereciam liberdade, se desfez, o Ocidente já tinha pronto o espantalho do “islamofascismo” para justificar regimes autoritários na região.
Quanto mais os Estados Unidos utilizarem a lógica da guerra para enfrentar o terrorismo mais ficarão parecidos com a Al Qaeda. Talvez agora, com a “queda” do Egito, descubram a política… Seria interessante que antes de atirar Washington se dispusesse a aprender.
Como disse o professor Nathan Brown à revista eletrônica Salon, a Irmandade Islâmica é um movimento conservador.
Não esperem, portanto, que ela pregue a expropriação dos ricaços egípcios. Nem que o futuro governo do Egito renuncie ao acordo de paz que fez com Israel.
O que causa desespero no Ocidente, nos Estados Unidos e em Israel é que, qualquer que seja o futuro governo egípcio, jamais será tão subserviente aos interesses estrangeiros quando se trata de:
1. apoiar ações militares ocidentais contra países árabes (Mubarak apoiou a invasão do Iraque pelos Estados Unidos);
2. apoiar ações antiterroristas que envolvam tortura (Omar Suleiman, indicado vice-presidente por Mubarak, foi no Egito o homem das “extraordinary renditions”, sequestros praticados pelos Estados Unidos de suspeitos, entregues em seguida a autoridades locais para sessões de tortura);
3. apoiar a repressão e o cerco de Israel aos palestinos dos territórios ocupados (Mubarak se converteu em algoz dos palestinos de Gaza).
Como Helena Cobban escreveu na Salon, o establishment das relações exteriores dos Estados Unidos foi de tal forma sequestrado pelos interesses pró-Israel que o governo Obama parece titubear diante da crise.
O primeiro impulso é de tentar preservar no Egito o regime de Mubarak sem Mubarak (daí a escolha de Suleiman como vice).
Eu iria muito além da Helena sobre o governo Obama: independentemente de quem assessore o presidente americano, a influência dos Estados Unidos na escolha do sucessor de Mubarak será limitada, já que os Washington passou os últimos trinta anos na cama com o ditador.
Mas, como a ficha da decadência relativa de Washington no cenário internacional ainda não caiu por lá, assistimos a uma cobertura da mídia americana — e, na rebarba, da brasileira — que em alguns momentos leva em conta muito mais a opinião do governo Obama do que a dos próprios egípcios.
Em compensação, nós brasileiros temos motivos para comemorar: Celso Amorim e o Itamaraty se anteciparam de forma extraordinária a Washington, quando perceberam o impacto que o afastamento entre Israel e o governo islâmico moderado da Turquia teria naquela região.
A Turquia começou a desenhar um eixo com Síria e Irã, como Pepe Escobar reportou em artigo reproduzido aqui.
E o Brasil, no acordo nuclear com o Irã, além de defender para os iranianos o mesmo que quer para si, acabou fortalecendo suas credenciais de agente de soluções negociadas.
No fim das contas, o Brasil terá aberto — ao lado da Turquia — as portas para uma eventual acomodação entre os Estados Unidos e Irã, que a essa altura parece inevitável.
O certo é que a mudança de regime no Egito terá profundas consequências, especialmente se assumir um governo disposto a fazer valer o peso econômico, cultural e político do país na região de forma independente, nos moldes do que a Turquia vem fazendo.
Uma das consequências, além de evidenciar a dissensão entre Estados Unidos e Israel na questão palestina, será acelerar o projeto de Washington de reduzir sua dependência do petróleo do Oriente Médio, o que vem acontecendo gradativamente nos últimos anos.
Até por causa da relação custo/benefício, os Estados Unidos se voltarão crescentemente para o petróleo produzido na costa ocidental da África, na Venezuela e no pré-sal brasileiro.
Nem a criação do comando militar da África (Africom), nem a reativação da Quarta Frota aconteceram por mero acaso.
Faz todo o sentido, portanto, que a presidenta Dilma Rousseff tenha escolhido a Argentina para fazer sua primeira viagem internacional. A parceria com a Argentina é essencial para o controle do Atlântico Sul, da chamada Amazônia Azul  e para as futuras trocas comerciais com a África.
Fica faltando definir quais serão exatamente os termos da futura cooperação entre Brasil e Estados Unidos e a gradação da liberdade que exerceremos.
O PIG, logicamente, quer que a gente seja subalterno, que só dê palpite sobre a falta de democracia em Cuba e que não se meta nos negócios do Oriente Médio. É “muito longe”, dizem.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Saramago - O destino das revoluções

Dos cadernos de Saramago.


O destino das revoluções

Novembro 2, 2010 por Fundação José Saramago
O destino das revoluções é converterem-se no seu oposto. As revoluções acabam sempre atraiçoadas por uma simples razão: pela renúncia dos cidadãos a participar […] A doença mortal das democracias é a renúncia do cidadão a participar. Os primeiros responsáveis somos nós ao delegar o poder noutra pessoa que, a partir desse momento, passa a controlá-lo e a usá-lo […].
Andrés Sorel, José Saramago. Una mirada triste y lúcida, Madrid, Algaba Ediciones, 2007
In José Saramago nas Suas Palavras

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Vitória dos trabalhadores - A TV dos metalúrgicos de São Paulo

Extraído do vi o mundo.

Brasil Atual: A TV dos metalúrgicos de São Paulo

Após 23 anos, metalúrgicos lançam TV em SP

Concessão foi obtida em 2005, mas homologada ano passado. Lula estava na comitiva que pediu a primeira das quatro solicitações negadas pelo Ministério das Comunicações

Por: Vitor Nuzzi, Rede Brasil Atual

Publicado em 29/07/2010

São Paulo – Daqui a 15 dias, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC inaugura a TV dos Trabalhadores (TVT), primeira emissora de televisão de uma entidade de trabalhadores. O percurso levou praticamente 23 anos, desde a entrega do primeiro pedido de concessão ao Ministério das Comunicações, em setembro de 1987. Foram, no total, quatro solicitações e quatro negativas, até a conquista da concessão, em abril de 2005.

“Espero que a nossa TV seja uma porta de entrada para que o mundo do trabalho possa estar presente nas comunicações”, diz o presidente do sindicato, Sérgio Nobre. “Queremos dialogar com os movimentos sociais”, acrescenta.

A emissora vai ao ar no canal 46 de Mogi das Cruzes (SP). A outorga veio em outubro do ano passado para a Fundação Sociedade Comunicação, Cultura e Trabalho, criada em 1991 e dirigida por um conselho que representa diversas categorias profissionais. Segundo o atual presidente da fundação, Valter Sanches, diretor de Comunicação do Sindicato dos Metalúrgicos, toda a equipe em torno da emissora é formada por “realizadores de sonhos”, concretizando uma antiga reivindicação, aprovada em congresso da categoria.

Ainda antes do pedido de concessão, em meados dos anos 1980, os metalúrgicos haviam criado uma produtora com a preocupação de documentar e preservar a memória da categoria. A TVT começou a surgir, indiretamente, quando o então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, Luiz Inácio da Silva, o Lula, ganhou uma câmera durante uma viagem à Europa. “Quando ele voltou para o Brasil, doou a câmara para o sindicato, para registrar a história”, conta Sérgio Nobre.

Então deputado federal, Lula fazia parte da comissão que, em 1987, foi recebida pelo ministro das Comunicações, Antônio Carlos Magalhães, que pediu, à época, um estudo técnico a respeito do pedido de concessão. Foi o primeiro dos quatro “nãos” recebidos pelos metalúrgicos. Também estavam naquela reunião os presidentes da CUT, Jair Meneguelli, e do sindicato, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho.

Até hoje, as concessões são terreno de forte influência política. Em 2009, por exemplo, entre todas as 2.364 proposições aprovadas pelo Senado – incluindo projetos de lei, medidas provisórias etc. – 901 foi referente a autorizações ou permissões para funcionamento de rádio e televisão. Isso representa 38% das aprovações.

Em 21 de julho último, decreto assinado pelo presidente Lula criou uma comissão interministerial para “elaborar estudos e apresentar propostas de revisão do marco regulatório de organização e exploração dos serviços de telecomunicações e radiodifusão”.

Inicialmente, a emissora produzirá sete programas, com uma hora e meia diária no total. A grade será completada, neste primeiro momento, com retransmissões da TV Brasil e especiais das TVs Câmara e Senado. “Toda a programação está voltada para os movimentos sociais, para a vida do trabalhador”, diz Sanches.

A transmissão será feita pelo canal UHF 46, de Mogi da Cruzes, e pelo NGT, que tem emissoras próprias em São Paulo (48 UHF) e Rio (26 UHF), cobrindo as duas regiões metropolitanas, além de uma rede de emissoras afiliadas, que atingem atualmente por volta de um quarto do território nacional. O projeto inclui transmissões via cabo por meio de canais comunitários.

Para garantir a viabilidade do projeto, foi feito um aporte de R$ 15 milhões, que os metalúrgicos calculam ser suficiente para manter a emissora durante três anos. Enquanto isso, a fundação e o sindicato buscarão outras fontes de sustentação, como apoios culturais.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

MSM declara guerra à imprensa golpista

Do blog da cidadania, de Eduardo Guimarães.
O Eduardo Guimarães sai às ruas para lutar por uma imprensa imparcial. Parece pouco... deveria ser pouco... mas é quase uma revolução.

Campanha declarada da imprensa contra petistas pode ser ilegal

publicado, originalmente, em 17 de julho de 2010 às 12h26m

Sugiro ao leitor que leia atentamente este post porque dele resultará um possível e inédito esforço da sociedade civil para combater o uso ilegal de poder econômico e de recursos públicos por empresários do setor de comunicação, em claro favor de uma facção política.

Para entender a questão que estou propondo voltemos à última terça-feira (13/7), quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) multou o jornal O Estado de Minas em R$ 7 mil por fazer “campanha antecipada” para o candidato do PSDB à Presidência, José Serra.

Segundo notícia vagamente reproduzida em alguns grandes portais de internet – e que as imprensas escrita, televisada e radiofônica esconderam total ou parcialmente –, “O veículo foi acusado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) de publicar, em seu caderno de política, no dia 10 de abril deste ano, reportagem alusiva ao lançamento da pré-candidatura de José Serra à Presidência da República”.

A denúncia do MPE foi acolhida pela ministra substituta do TSE, Nancy Andrighi, que multou o jornal mineiro.

Por certo, não é a primeira vez que um meio de comunicação é multado por fazer campanha ilegal para um candidato, mas não me lembro de outro caso igual envolvendo um veículo do porte de O Estado de Minas.

O fato supra mencionado me voltou à mente na manhã deste sábado (17/7). Como a minha filha caçula, de onze anos, está novamente internada, a fim de passar o tempo entre a noite de sexta-feira até agora, devorei vários jornais e revistas comprados na banca em frente ao hospital.

Foi aí que me veio o pensamento de que os mais eminentes órgãos de imprensa escrita estão fazendo campanha eleitoral em favor de Serra tanto quanto o Estado de Minas, só que na forma de campanha negativa contra Lula, Dilma e o PT.

Impressionou-me a avaliação desses órgãos de imprensa todos juntos. É impossível ler qualquer um deles sem que a enorme dose de más notícias contra o presidente da República, contra a sua candidata e contra o partido dos dois chame a atenção do leitor.

Comprei O Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo, O Globo e as revistas Veja e Época

Todos juntos continuam acusando a campanha de Dilma de ter feito dossiê contra Serra e Eduardo Jorge valendo-se do poder do governo Lula sobre a Receita Federal.

Todos juntos contam que a Sociedade Interamericana de Imprensa considerou o governo Lula antidemocrático e o acusou de atentar contra a liberdade de imprensa.

Todos juntos criticam Dilma por “guardar dinheiro debaixo do colchão”, valendo-se de declaração de bens dela à Justiça Eleitoral ao se registrar como candidata.

Todos juntos manipularam o comparecimento de público ao comício com Dilma e Lula no Rio. A Folha chegou a dizer que só mil pessoas foram ao evento, o que, lendo a matéria, descobre-se que foi o que restou de público depois de cair um temporal.

Todos juntos acusam o presidente Lula de “violar as leis” por apoiar publicamente a sua candidata, ignorando total ou parcialmente que Serra também está sendo multado por infringir a lei eleitoral.

As poucas notícias desfavoráveis a Serra, além do volume infinitamente menor delas, tampouco aparecem na primeira página ou na capa desses veículos. E aparecem bem pouco. Para cada 10 notícias ou comentários contra os petistas aparecem, no máximo, um ou dois contra os tucanos, se tanto.

Afirmo publicamente que os jornais O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo e o Globo, bem como a revista Veja, fizeram e continuam fazendo campanha escancarada para Serra e campanha negativa contra Lula, Dilma e o PT fora da época permitida pela lei eleitoral.

A mera análise de um período maior de tempo revelará uma prática sistemática desses órgãos de imprensa de fazerem campanha negativa contra os petistas. É preciso trazer esses números à ordem do dia. Há que apurá-los, divulgá-los e entregá-los à Justiça.

Vale lembrar que o conceito de “campanha eleitoral negativa” surgiu recentemente, quando o sindicato dos professores paulistas, a Apeoesp, promoveu atos públicos contra o governo do Estado, o que foi considerado campanha negativa contra Serra pelo TSE, que multou o sindicato.

A sociedade civil não pode mais aceitar que a imprensa faça campanha tão descarada contra Lula, Dilma e o PT e a favor de Serra e do PSDB. A mesma Justiça Eleitoral que está punindo políticos e meios de comunicação por campanha antecipada, tem obrigação de reconhecer e punir o volume impressionante da campanha escancarada dos veículos supra mencionados.

Que fazer, diante de uma situação de afronta às leis e de verdadeira chacota por parte de uma mídia que se transformou em linha auxiliar da campanha presidencial tucana? Novamente, acho que será preciso jogar a sociedade civil em cima deles.

Só que essa ação precisa ser muito bem estudada. Até porque, dará um trabalho enorme quantificar o volume impressionante de matérias atacando Lula, Dilma e o PT. E é justamente na quantificação dessas matérias, na desproporção absurda em relação aos candidatos que está o fio da meada.

Desta forma, pretendo formar um núcleo de pessoas dispostas a colaborar com a preparação de uma reação da sociedade civil à afronta que esses grandes órgãos da imprensa escrita estão praticando contra as leis.

Estudaremos se caberá de fato ao Movimento dos Sem Mídia tomar uma atitude nessa questão. Sendo assim, quero formar um grupo de filiados ao MSM ou não para que reunamos todo o material necessário a uma medida judicial. Aceitaremos voluntários para a tarefa.

Estou entrando em contato com o setor jurídico do MSM, pedindo estudo do assunto e propondo que nossa organização se reúna talvez até com juristas independentes para melhor analisarmos as opções de reação ao abuso da imprensa escrita.

Será nesse momento que precisaremos do esforço de todos vocês para que consigamos, novamente, outros milhares de assinaturas de apoio à medida que nós, do MSM, poderemos vir a tomar conforme a natureza da análise do nosso setor jurídico.

Peço a cada uma das centenas de pessoas que acabam de se filiar à ONG que consiga apoios à possível representação ao MPE, pois esses apoios, chegando novamente aos milhares, colocarão a Justiça na obrigação de dar uma reposta séria e muito bem ponderada à propositura que lhe poderá ser feita.

Em minha visão, seria facílimo provar que Globo, Folha, Veja e Estadão estão fazendo campanha para Serra desde muito antes do permitido pela lei tanto quanto fez o jornal O Estado de Minas.

Bastará apurar o que fizeram esses veículos no decorrer deste ano. Está tudo muito bem registradinho. Claro que virão com aquela conversa de que são isentos e de que tratam todos os candidatos da mesma forma, mas será brincadeira de criança provar que é mentira.

Logo, logo voltarei ao assunto para tratá-lo em bases mais concretas. Aguardem-me.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Estamos mudando para melhor servir

Estou tentando dar uma aprimorada aqui na bodega. O modelo de layout anterior era muito estreito na área das mensagens, o que acarretava em uma área pequena para visualização de vídeos e imagens, além de que as postagens pareciam ser mais extensas do que eram. Mas ainda não está definido se vai ficar como está.
Gostaria de sugestões e opiniões. Está confuso? As cores agradam ou é cansativo? Esse plano de fundo é bom? Me ajudem.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Não conseguem criminalizar o MST - mais uma vez...

Extraído do vi o mundo.
Eles (bancada ruralista, direita, imprensa golpista...) querem mais tempo pra falar do MST, mas nunca irão achar nada para criminalizá-los. Agora, que tal uma CPI do agronegócio?

CPI do MST: não houve desvios de recursos públicos para ocupações

Nota do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)

do site do MST

Depois de oito meses de boicote à CPMI contra a Reforma Agrária, os parlamentares dos setores conservadores liderados por Kátia Abreu (DEM-TO) e Onyx Lorenzoni (DEM/RS) declararam ser necessária a continuidade das investigações das entidades sociais que atuam em assentamentos. Nesse período, as entidades da Reforma Agrária e os ministérios do governo federal participaram de audiências públicas na comissão, prestaram todos os esclarecimentos e demonstraram a importância dos convênios para a execução de políticas públicas no meio rural.

Mesmo sem participar da maioria das sessões, os ruralistas insistem que a comissão está prorrogada por mais seis meses. Kátia Abreu, por exemplo, não participou de nenhum sessão, embora tenha sido a maior defensora da sua instalação. O relatório final do deputado Jilmar Tatto (PT/SP) aponta a improcedência das denúncias contra o MST e as entidades de apoio à Reforma Agrária. Enquanto a comissão funcionava plenamente, com dezenas de audiências, os ruralistas estavam ausentes. Dinheiro público foi gasto em uma CPMI criada como dispositivo de criminalização dos movimentos sociais e contra avanços na Reforma Agrária.

Para forçar a sobrevida dessa CPMI, os representantes do latifúndio apelaram e criaram um imbróglio jurídico, depois de levantarem assinaturas para prorrogação. Em comissões parlamentares mistas de inquérito, onde participam deputados e senadores, as decisões devem ser tomadas em sessões do Congresso Nacional. Como não conseguiram, Kátia Abreu e Onyx Lorenzoni lançaram mão de uma manobra não prevista no regimento e argumentam que basta o Senado fazer a leitura do requerimento. O senador Eduardo Suplicy (PT/SP) questiona o método usado para prorrogar a comissão e recorreu à Comissão Constituição e Justiça do Senado. Depois, o deputado José Genoíno (PT/SP) fez o mesmo questionamento na Câmara, que resolveu encaminhar a decisão para o presidente do Congresso.

De dezembro a julho, foram feitos todos os esclarecimentos ao Congresso Nacional em relação à denúncias, com base em jornais e revistas contra a Reforma Agrária. Nesse período, as entidades sociais provaram que os objetos dos convênios foram cumpridos, o trabalho realizado melhora a qualidade de vida dos trabalhadores rurais e não houve desvio de recursos públicos, de acordo com o relatório final da CPMI (clique aqui e leia o relatório final).

De acordo com o plano de trabalho, assegurado pelo regimento do Congresso Nacional, a CPMI acaba em 17 de julho. O relatório final foi apresentado, mas não foi votado porque os ruralistas impediram. Se eles conseguirem atropelar o regimento do Congresso Nacional, senadores e deputados serão coniventes com a criação de um fato político, que será utilizado pelos setores conservadores nas eleições contra a Reforma Agrária e os movimentos sociais. Por isso, denunciamos a utilização dessa CPMI pelos ruralistas para barrar qualquer avanço da Reforma Agrária, fazer a criminalização dos movimentos sociais, ocupar espaços na mídia e montar um palanque para a campanha eleitoral.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Movimento Sem Mídia (MSM) pede apoio

Do blog da cidadania, de Eduardo Guimarães.

A encruzilhada do MSM

Em 2007, com leitores do meu antigo blog, o Cidadania.com, fundei o Movimento dos Sem Mídia. Na visão que tive, a organização se justificaria pelas amplas possibilidades de reação à direita brasileira que apresentava. Juro que enxerguei tudo o que a ONG faria e que efetivamente fez. E tentei cumprir a missão da melhor forma possível.

De lá para cá, o MSM fez o primeiro ato público não-partidário, não sindicalizado, não-corporativo envolvendo centenas de pessoas para protestarem diante de um grande meio de comunicação contra distorções de notícias e fatos.

Aquele foi o primeiro de vários outros atos, que culminaram com o da Ditabranda, que levou cerca de cinco centenas de cidadãos, espontaneamente, para protestarem contra a teoria da Folha de que a ditadura militar brasileira teria sido branda, o que fez aquele jornal recuar da teoria em suas próprias páginas, tendo sido obrigado a citar o MSM e o ato que promoveu.

Mais recentemente, o MSM, depois de várias outras ações, representou ao Ministério Público Eleitoral contra os quatro maiores institutos de pesquisa do país pedindo auditoria de suas sondagens sobre a sucessão presidencial e obteve a anuência da instituição à sua tese, o que, com posterior apoio expresso no antigo blog Cidadania.com de mais de dois mil internautas de todas as partes do país e até de outros países, gerou inquérito que segue correndo na Polícia Federal.

O Movimento dos Sem Mídia é uma conquista da sociedade civil. Um marco, um instrumento que precisa sobreviver e, na pior das hipóteses, crescer e se institucionalizar.

Falta-nos, porém, os meios. Dependemos apenas deste blogueiro e de mais alguns pouquíssimos filiados à organização, os quais, abnegadamente, arcam sozinhos com a atividade da ONG. Agora mesmo, precisamos ir a Brasília ou conseguir um advogado por lá para agir contra falsificadores de pesquisas.

Mas precisamos nos organizar, precisamos de apoio, precisamos de filiados. Precisamos, portanto, fazer uma Assembléia física e virtual.

Seria uma Assembléia em que compareceriam os membros filiados e outros que quiserem se filiar, e que seria transmitida por streaming (web TV) para outras partes do país. Já fizemos coisa parecida em 2007, quando fundamos o MSM, mas não havia tecnologia para transmitir o evento pela internet como há hoje, de forma que outros de outras partes do país pudessem participar, votar, ajudar-nos a deliberar e a planejar.

Enfim, o MSM precisa optar entre morrer de inanição ou se fortalecer e se institucionalizar, para continuar lutando. Para a segunda hipótese, temos que nos reunir, os que tiverem interesse em integrar esse esforço da sociedade civil. Mas, sozinho, não tenho mais como avançar.

Neste momento, precisamos de um advogado em Brasília, pelo menos. O MSM não tem condições de enviar para lá o seu diretor jurídico. E estamos deixando de agir contra falsificadores de pesquisas por falta do mínimo de condições. Desta maneira, esperamos que surja esse advogado com uma certa urgência, ou morreremos na praia.

É preciso fortalecer o MSM e fazê-lo crescer, pois ele se tornou menor do que as suas possibilidades. É chegada a hora, portanto, de apresentar à sociedade esta questão. Precisamos de que pessoas se unam a nós não apenas no apoio retórico.

Se não fortalecermos o MSM, ele morre. Não tenho mais como continuar sozinho. Estou exaurido entre o meu trabalho remunerado e profissional, este blog e a ONG, sem falar dos dramas pessoais que todos conhecem. No último domingo, passei mal. Fui baixar no hospital com cólicas renais, aos berros. O médico disse que estou estressado…

Só lhes conto isso porque estou no meu limite. Não dá mais para fazer tanta coisa ao mesmo tempo, e praticamente sozinho.

Desta forma, só me comprometo a atuar sozinho em mais este caso das pesquisas. Se não aparecer ajuda, darei um jeito de continuar só mais esta ação, porque não vou deixar o PIG vencer, mas, depois, pararei com as atividades da ONG. Ainda farei o blog, mas não terei como continuar com o ativismo político.

Estou cansado, minha vida está complicada, tenho problemas pessoais graves. Não é justo com a minha família e com a minha própria saúde, da qual a família depende. Espero que me compreendam. E espero não ver o MSM morrer.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

MST reinvindica terreno em Fortaleza

Recebi por email.
MST e MCP ocupam terreno no José Walter.
Conheço bem esse terreno. Lembro que uns anos atrás, enquanto estagiário em uma ONG, lutando pra melhorar as condições de moradia daquelas cercanias, não conseguimos nenhum terreno para assentamento de uma comunidade carente. Tudo improdutivo, objeto de especulação. Cadê a função social da terra?

Parabéns MST, por essa luta.

Jornada de Lutas: MST e MCP ocupam área de 500 hectares em Fortaleza

Mais de 300 famílias integrantes do Movimento dos Conselhos Populares
(MCP) e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam, na
madrugada desta quinta-feira, 15, o Sítio São Jorge, uma fazenda de 500
hectares localizada entre a Avenida Perimetral e a Avenida I, no bairro
José Walter, em Fortaleza. ?É um latifúndio urbano que pertence a uma
família ligada ao capital imobiliário e que continua sem produzir nada,
enquanto mais de 150 mil pessoas, entre elas muitas vindas do Interior,
não têm onde morar nesta cidade.?, explica o coordenador do Setorial de
Comunicação do MST. Essa é a primeira ocupação do MST-CE em área urbana,
e se trata de uma experiência recente no país. Em Belo Horizonte (MG),
por exemplo, a ocupação urbana do MST transformou- se em uma comuna, com
espaços de produção e de lazer construídos e vivenciados coletivamente.

A ação faz parte da Jornada de Lutas do movimento, que ocorre, desde
1997, no mês de abril, em memória ao massacre de Eldorado dos Carajás.
No Ceará, outra ações estão ocorrendo, como é o caso da ocupação, por
100 famílias, da fazenda Currais Novos, em Madalena. As ações buscam
pressionar o governo e a sociedade para que a Reforma Agrária seja
efetivamente implementada, pois avalia-se que, após 14 anos do massacre,
o país ainda não resolveu os problemas sociais no campo, vide a
recorrente ocorrência de conflitos. Só em 2009, segundo dados da
Comissão Pastoral da Terra, 25 trabalhadores rurais foram mortos. Por
outro lado, cresce a ofensiva contra os movimentos sociais.

O MST é alvo dessa criminalização, por isso a Jornada de Lutas deste ano
levanta a bandeira da campanha ?Lutar não é crime? e traz à tona as
seguintes reivindicações:

1- Assentamento das 90 mil famílias acampadas do MST;
2- A atualização dos índices de produtividade;
3- Garantia de recursos para as desapropriações, dos processos já
prontos e das áreas para assentar as famílias acampadas;
4- Investimentos públicos nos assentamentos (crédito para produção,
habitação rural, educação e saúde).

Mais informações:

Lourdes Vicente (MST) - 9110.0535

Helena Martins - 8793.4091

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Os números da luta pela terra

Extraído do vi o mundo.

“Se existe violência no campo, quem sofreu violência foi o proprietário”

do Blog da Reforma Agrária

FRASE DO DIA

“Se existe violência no campo, quem sofreu violência foi o proprietário”

Luiz Antonio Nabhan Garcia, agropecuarista e presidente nacional da União Democrática Ruralista (UDR), na Agência Estado
Levantamento divulgado ontem pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) registra que em 2009:
- 25 trabalhadores rurais mortos -
- 62 tentativas de assassinato
- 143 ameaças de morte
- 204 presos aumentou de 168, para 204. Mas o que mais choca é o – – 71 pessoas torturadas: 6, em 2008, 71, em 2009. O número de
- 1884 famílias expulsas
- 12.388 famílias despejadas
- 9.031 famílias ameaçadas pela ação de pistoleiros

Clique aqui e saiba mais sobre os números da violência do latifúndio contra trabalhadores rurais.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Blog da Reforma Agrária

Do conversa afiada.
No ar, o blog da reforma agrária, aqui.

Blog da reforma agrária já está no ar

reprodução

reprodução

O Conversa Afiada reproduz texto do Blog do Miro, Altamiro Borges:

quinta-feira, 18 de março de 2010
Blog da reforma agrária já está no ar


Estreou nesta quinta-feira, dia18, o blog da rede de comunicadores em apoio à reforma agrária e contra a criminalização dos movimentos sociais. Está foi uma das decisões da reunião de montagem da rede, que ocorreu na semana passada na sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e que teve a presença de cerca de 100 pessoas, entre jornalistas, radialistas, blogueiros, estudantes e radiodifusores comunitários.

Um dos objetivos editoriais do blog é monitorar dos trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), instalada no final do ano passado por imposição da bancada ruralista que visa criminalizar os lutam por terra no país. A nova página também servirá para divulgar experiências bem sucedidas de reforma agrária, de assentamentos rurais e de agricultura familiar, que a mídia privada omite. Ela terá sessões fixas, como o raio-x do latifúndio, impactos do agronegócio, quem apóia a reforma agrária, entre outras.

Esse é o endereço do blog da reforma agrária:

http://www.reformaagraria.blog.br/

180 anos de Antônio Conselheiro - Canudos


180 anos de nascimento de Antônio Conselheiro. O ABC do Conselheiro.



O ABC do Conselheiro

(Audifax Rios)

Antonio Mendes Maciel,
Dito Santo Conselheiro,
É de Quixeramobim,
Varão de um clã guerreiro,
Foi sábio e bom professor,
Cristão pacato e ordeiro;
Caso pessoal o levou
A longínquos paradeiros.

[...] Conselheiro foi o nome
Com que o povo batizou
Aquele homem simplório
(Na santa pia do amor
Da fé e fraternidade
Na alegria e na dor)
Que pregava a crença em Deus;
Lealdade ao Imperador. [...]

[...] Zumbido de bala e raio,
As águas tudo calou.
De Canudos nada resta.
Só a história ficou.
(Triste e negra como a peste
Que esta guerra provocou).
E o símbolo Conselheiro
Que veio, foi e ficou.


No dia 13 de março de 2010, foi comemorado os 180 anos de nascimento de Antônio Mendes Maciel, o Antônio Conselheiro, cearense de Quixeramobim fundador da comunidade de Belo Monte em Canudos,na região do Raso da Catarina, Sertão da Bahia.

Passados cento e doze anos do massacre de Canudos, imortalizado no livro “Os Sertões” de Euclydes da Cunha, o nome de Antônio Conselheiro até hoje permanece como uma lenda no imaginário popular. Sua saga é contada em dezenas de livros e é tema recorrente dos autores de literatura de cordel.

Em comemoração ao nascimento do fundador de Canudos, foram realizados vários eventos, em Quixeramobim, cidade natal do beato, localizada no sertão central do Ceará e em Fortaleza, capital do Ceará. Ainda em homenagem à data, a Assembléia Legislativa do Estado do Ceará inaugurou, no último dia 13, a exposição “Decálogo do Santo Guerreiro”, de Audifax Rios, que conta a trajetória do homem mítico e idealizador do Arraial de Canudos.

Em entrevista ao Jornal O Povo, O poeta e artista plástico, Audifax Rios afirma: “Antônio Conselheiro não era nem o desinformado - o burrão que a direita sempre pintou, nem o marxista revolucionário descrito pela esquerda". E continua o autor do Cordel apresentado no início deste post: “Antônio Conselheiro era um guerreiro obrigado, já que a guerra o procurou, e era considerado um santo por seus seguidores, que inclusive o chamavam assim”.

Construído, em 1893, o arraial de Canudos chegou a reunir 25 mil moradores, a maioria, sertanejos descontentes com a exploração nos latifundiários, que encontraram no beato um líder espiritual e carismático.

terça-feira, 9 de março de 2010

Campanha pela reforma agrária

Eu apóio!
Extraído do conversa afiada.

Forma-se uma rede para defender a reforma agrária

Senadora, não se perca pelas companhias

Senadora, não se perca pelas companhias

O Conversa Afiada reproduz manifesto que lança a criação de uma rede de comunicação para se opor ao PiG (*) e defender a reforma agrária – o que significa também defender os direito do MST.

O Conversa Afiada, gentilmente, convida a Senador Kátia Abreu a meditar sobre as ideias contidas no texto abaixo publicado.:


Rede de comunicadores em apoio à reforma agrária

Dia 11 de março, às 19 horas, no auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Rua Rego Freitas 530 – Sobreloja, reunião para montagem da “rede de comunicadores em apoio à reforma agrária e contra a criminalização dos movimentos sociais”. Participe!

Manifesto

Denuncie a ofensiva dos setores

conservadores contra a reforma agrária!

Está em curso uma ofensiva conservadora no Brasil contra a reforma agrária, e contra qualquer movimento que combata a desigualdade e a concentração de terra e renda. E você não precisa concordar com tudo que o MST faz para compreender o que está em jogo.

Uma campanha orquestrada foi iniciada por setores da chamada “grande imprensa brasileira” – associados a interesses de latifundiários, grileiros – e parcelas do Poder Judiciário. E chegou rapidamente ao Congresso Nacional, onde uma CPMI foi aberta com o objetivo de constranger aqueles que lutam pela reforma agrária.

A imagem de um trator a derrubar laranjais no interior paulista, numa fazenda grilada, roubada da União, correu o país no fim do ano passado, numa campanha claramente orquestrada. Agricultores miseráveis foram presos, humilhados. Seriam os responsáveis pelo “grave atentado”. A polícia trabalhou rápido, produzindo um espetáculo que foi parar nas telas da TV e nas páginas dos jornais. O recado parece ser: quem defende reforma agrária é “bandido”, é “marginal”. Exemplo claro de “criminalização” dos movimentos sociais.

Quem comanda essa campanha tem dois objetivos: impedir que o governo federal estabeleça novos parâmetros para a reforma agrária (depois de três décadas, o governo planeja rever os “índices de produtividade” que ajudam a determinar quando uma fazenda pode ser desapropriada); e “provar” que os que derrubaram pés de laranja são responsáveis pela “violência no campo”.

Trata-se de grave distorção.

Comparando, seria como se, na África do Sul do Apartheid, um manifestante negro atirasse uma pedra contra a vitrine de uma loja onde só brancos podiam entrar. A mídia sul-africana iniciaria então uma campanha para provar que a fonte de toda a violência não era o regime racista, mas o pobre manifestante que atirou a pedra.

No Brasil, é nesse pé que estamos: a violência no campo não é resultado de injustiças históricas que fortaleceram o latifúndio, mas é causada por quem luta para reduzir essas injustiças. Não faz o menor sentido…

A violência no campo tem um nome: latifúndio. Mas isso você dificilmente vai ver na TV. A violência e a impunidade no campo podem ser traduzidas em números: mais de 1500 agricultores foram assassinados nos últimos 25 anos. Detalhe: levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT) mostra que dois terços dos homicídios no campo nem chegam a ser investigados. Mandantes (normalmente grandes fazendeiros) e seus pistoleiros permanecem impunes.

Uma coisa é certa: a reforma agrária interessa ao Brasil. Interessa a todo o povo brasileiro, aos movimentos sociais do campo, aos trabalhadores rurais e ao MST. A reforma agrária interessa também aos que se envergonham com os acampamentos de lona na beira das estradas brasileiras: ali, vive gente expulsa da terra, sem um canto para plantar – nesse país imenso e rico, mas ainda dominado pelo latifúndio.

A reforma agrária interessa, ainda, a quem percebe que a violência urbana se explica – em parte – pelo deslocamento desorganizado de populações que são expulsas da terra e obrigadas a viver em condições medievais, nas periferias das grandes cidades.

Por isso, repetimos: independente de concordarmos ou não com determinadas ações daqueles que vivem anos e anos embaixo da lona preta na beira de estradas, estamos em um momento decisivo e precisamos defender a reforma agrária.

Se você é um democrata, talvez já tenha percebido que os ataques coordenados contra o MST fazem parte de uma ofensiva maior contra qualquer entidade ou cidadão que lutem por democracia e por um Brasil mais justo.

Se você pensa assim, compareça ao Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, no próximo dia 11 de março, e venha refletir com a gente:

- por que tanto ódio contra quem pede, simplesmente, que a terra seja dividida?

- como reagir a essa campanha infame no Congresso e na mídia?

- como travar a batalha da comunicação, para defender a reforma agrária no Brasil?

É o convite que fazemos a você.

Assinam:

· Altamiro Borges.

· Antonio Martins

· Dênis de Moraes.

· Hamilton Octavio de Souza.

· Igor Fuser.

· João Brant.

· João Franzin.

· Jorge Pereira Filho.

· José Arbex Jr.

· Laurindo Lalo Leal Filho

· Luiz Carlos Azenha.

· Renato Rovai.

· Rodrigo Savazoni.

· Rodrigo Vianna.

· Sérgio Gomes.

· Vânia Alves.

· Verena Glass.

Importante: A proposta é que a rede de comunicadores em apoio à reforma agrária tenha caráter nacional. Esse evento de São Paulo é apenas o início deste processo. Promova lançamentos também em seu estado, participe e convide outros comunicadores para aderirem à rede.

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Novo filme de Michael Moore - Fim do capitalismo

Filme do Michael Moore é sempre imperdível. Desmascarando o capitalismo então, nem se fala.
Texto extraído daqui.

Michael Moore pede o fim do capitalismo em seu novo filme em Veneza

NEUSA BARBOSA
Especial para o UOL, de Veneza, Itália*

A passagem do documentário "Capitalism: A Love Story", de Michael Moore repercutiu com toda a força que se poderia esperar do engajado diretor de "Tiros em Columbine" e "Fahrenheit 11 de Setembro". Sua primeira sessão para a imprensa no Festival de Veneza, onde concorre ao Leão de Ouro, nesta noite de sábado (5), teve fila começando mais de meia hora antes de seu início, empurra-empurra e dezenas de jornalistas voltando para trás, assim que a lotação da Sala Perla (450 lugares) se esgotou.
  • Divulgação

    Michael Moore em cena de "Capitalism - A Love Story" (2009)

Ao final, o filme foi bastante aplaudido. Em todo caso, o filme é polêmico e tem a marca marqueteira de Moore, embora não lhe falte contundência. Ao seu final, o diretor simplesmente faz uma profissão de fé contra o capitalismo -que, segundo ele, "não pode ser regulado, tem de ser simplesmente eliminado e substituído por um sistema mais justo."

O foco do filme é a grande crise econômica que abalou os mercados mundiais ao final de 2008, provocando a quebra de instituições financeiras e a falência não só de empresas, como de pessoas físicas -milhares delas perderam suas casas, nos EUA, por não poderem pagar suas hipotecas, que haviam sido refinanciadas para adquirir novas casas.

Como de hábito nos filmes de Moore, a pesquisa é consistente e registra casos impressionantes, que visam retratar a ganância dos bancos e o resultado trágico, segundo ele, de uma desregulamentação do sistema financeiro. Além de acompanhar o despejo de alguns inadimplentes com as hipotecas, Moore denuncia verdadeiros crimes, como empresas que fazem apólices de seguro em favor de seus empregados e beneficiam-se delas, no caso de sua morte, em prejuízo das famílias dos mortos. O filme não se furta a indicar mesmo os nomes de diversas grandes empresas norte-americanas que usaram ou ainda usam este expediente.

Uma das sequências mais provocadoras de "Capitalism: A Love Story" está em seu final -quando o próprio cineasta percorre diversos bancos em Nova York com um saco de pano na mao, com a intenção declarada de "recuperar" dinheiro subtraído aos contribuintes. Impedido de fazer esta "coleta", Moore arranja então um rolo da fita normalmente usada pela policia norte-americana para isolar cenários de crimes, passando-a pela porta dessas instituições.

Ao final, o cineasta propõe que cada uma das pessoas que assistir ao filme também se rebele, seguindo os exemplos de trabalhadores que ocuparam indústrias desativadas ou alguns moradores que reocuparam suas casas, desobedecendo às ordens de despejo. Moore diz claramente que os EUA hoje "não são" o país que o falecido presidente Franklin Roosevelt propunha, mas que ele não irá deixá-lo. Moore repropõe, ao que parece, a boa e velha desobediência civil.

Com tantos assuntos bombásticos, a coletiva do filme de Moore, marcada para a tarde de domingo, promete.

*Neusa Barbosa escreve para o site Cineweb