sábado, 12 de setembro de 2009

Aconteceu... Gilmar Mendes em fuga

Também do conversa afiada.
Essa é do fim do mês passado, quando nosso supremo presidente do supremo esteve cá pela terrinha. Saiu escondido, fungindo das vaias.

Tem muitas coisas piores que esse senhor já fez, mas valeu pelo protesto.

Globo do Ceará mostra Gilmar em fuga

26/agosto/2009 16:44

Ele teve até que entrar pelo subsolo para fugir dos manifestantes

Ele teve até que entrar pelo subsolo para fugir dos manifestantes

Saiu no site da TV Verdes Mares, a Globo do Ceará:

Ministro do STF é recebido sob vaias e protestos em Fortaleza
Gilmar Mendes é duramente criticado por sindicatos

Sob protestos e muita revolta de manifestantes, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, presidiu nesta terça-feira (25), em Fortaleza, a reunião de acompanhamento dos trabalhos do mutirão carcerário.

Gilmar Mendes teve até que entrar pelo subsolo para fugir dos manifestantes.

Manifestantes do Sindicato dos Jornalistas (Sindijorce), e outras categorias contrárias a desregulamentação da profissão de jornalista, estavam com faixas que pediam a saída do ministro, chapéus de cozinheiros e nariz de palhaço.

O receio das categorias é que outras profissões sejam desregulamentadas.


Propaganda política nas eleições

Eles podem...

AI-5 Digital

Ainda sobre a censura da internet no período eleitoral. Por enquanto só nas eleições. Mas não se preocupem, se não fizermos nada, a tendência é piorar...
Do conversa afiada.

Senado aprova o AI-5 digital. Políticos querem uma internet chinesa no Brasil. Conversa Afiada não acata decisão

2/setembro/2009 18:11

Na foto, os generais Costa e Silva e Médici, os campeões da democracia demo-tucana

Na foto, os generais Costa e Silva e Médici, os campeões da democracia demo-tucana

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado acumpliciada com a Comissão de Ciência e Tecnologia apoiou uma legislação chinesa para a internet no Brasil – veja o que saiu no blog do Nassif.

Os cérebros dessa patranha são Marco Maciel (DEM-PE), que serviu ao regime militar com silenciosa candura, e Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que tem um encontro marcado com o corajoso ministro Joaquim Barbosa por causa do mensalão tucano de Minas.

Sob cinzenta liderança desses dois cavalheiros, a internet brasileira não poderá emitir opinião sobre candidatos em período eleitoral.

A barbaridade é igualar a internet às empresas de rádio e TV, que vivem em regime de concessão.

O que Marco Maciel e Eduardo Azeredo querem é a censura.

Os dois fazem parte da base demo-tucana e isso tem cheiro de José Serra, que controlava a imprensa brasileira com três telefonemas: ao doutor Roberto, ao Ruy Mesquita e ao seu Frias.

Os demo-tucanos são os que mais ganham com a censura.

Os demo-tucanos tem pavor da luz do sol que, como se sabe, é o melhor desinfetante.

O ministro Ayres Britto, ao relatar no Supremo o fim da lei de imprensa, declarou: a imprensa controla os governos. A internet controla a imprensa. A liberdade da internet tem que ser maior que a liberdade da imprensa.

O Conversa Afiada quer comunicar a seus amigos navegantes que, por causa dessas e outras, está pendurado num provedor em território americano, onde a internet desfruta de liberdade razoavelmente maior do que a da China.

E, de lá, do território americano, dirá o que bem entende.

Quero ver o Senado, o Marco Maciel e o Eduardo Azeredo calarem o Conversa Afiada.

Paulo Henrique Amorim

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Enquanto isso... Internet nas eleições

Andam querendo melar a internet como meio de "propaganda" eleitoral, para as próximas eleições.

Claro. Muito cômodo para os demotucanalhas se acomodarem na sua imprensa golpista, manipulada e elitista da televisão. A internet é o novo demônio comunista para eles.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Enquanto isso... Morumbi é alvo

Hoje o Morumbi foi alvo mais uma vez dos ataques da imprensa golpista, em conluio com os grandes investidores sedentos por uns "trocadinhos" mal computados nas construções de novas arenas, para a Copa de 2014.

A novidade (novidade?) é que o estádio do maior do mundo ainda não está pronto para a Copa do Mundo. A super ultra estrondosa manchete só esquece de mencionar que nenhum estádio está pronto para a copa. Esqueceram também de ver o novo projeto recém mandado pelo São Paulo.

O que acontece é que os interesses comerciais são mais importantes para a nossa imprensa elitista e os erros (erros? para os empresários, não.) do Pan do Rio de nada servem de exemplo para nosso planejamento.

Manifestação contra extradição de Battisti

Da Reuters.
Uma daquelas notícias que dificilmente você verá na grande mídia golpista. Ao menos bem menos que os 15 manifestantes contra Hugo Chavez.
O texto chega a comparar a extradição de Battisti à entrega de Olga Benário aos nazistas.
Gilmar Mendes não liga pra isso...

Manifestantes protestam no STF contra extradição de Battisti

Qua, 09 Set, 10h08

BRASÍLIA (Reuters) - Um grupo de manifestantes interrompeu nesta quarta-feira o início do julgamento do pedido de extradição do ex-ativista político Cesare Battisti no Supremo Tribunal Federal, pedindo a liberdade do italiano.

O grupo estava sentado na tribuna do plenário, mas quando o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, deu início à sessão, os manifestantes abriram uma faixa e começaram a dizer palavras de ordem contra o processo de extradição de Battisti.

A segurança do STF agiu rapidamente, confiscando a faixa e retirando à força os manifestantes. Parlamentares do PSOL e do PT amparavam os integrantes do protesto.

A cerca de uma dúzia de manifestantes comparou a possível extradição de Battisti à entrega de Olga Benário ao governo nazista, nos anos 1930. Olga, ex-mulher do comunista Luis Carlos Prestes, foi assassinada pelos nazistas por ser judia.

Outra placa afirmava que extraditar Battisti se compararia à modernização da Inquisição.

"Não há por que o governo ceder a essa pressão de extraditar Battisti. Nós sabemos o caráter do governo italiano de hoje. Um governo que não prima pelos direitos humanos e está retroalimentando grupos fascistas", disse a jornalistas o deputado Ivan Valente, do PSOL-SP, que acompanhava os manifestantes.

Battisti foi condenado pelo governo italiano por quatro assassinatos entre 1971 e 1979, mas sua defesa alega que ele teria cometido os crimes devido a sua participação em um movimento político de esquerda.

(Reportagem de Fernando Exman)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Globo perde ainda mais audiência na guerra contra a Record

Dos Amigos do Presidente Lula.
Na guerra Globo x Record, só quem perde é a Globo.

Globo perde audiência, poder econômico e político

A TV Globo, ao declarar guerra à TV Record, acabou dando um tiro no pé, conseguindo chamar atenção para a concorrente, e perdeu audiência.

Durante o domingo, a Record conseguiu a liderança de audiência em diversos horários.

Segundo os índices prévios da Grande São Paulo, o Domingo Espetacular chegou a vencer o Fantástico por 22 a 16 pontos.

O Reality Show "A Fazenda", superou a meta que a Record havia estabelecido: passou dos 30 pontos, chegando a 32 pontos contra 9 da Globo, a maior diferença na história da Record sobre a concorrente.

O filme “A Era do Gelo”, também ocupou a liderança isolada com 14,5 pontos.

Durante todo o Domingo, na média SP, a Record conseguiu audiência muito próxima à da Globo:

Globo: 15,9
Record: 12,5
Sbt: 8,1
Band: 2,6
RedeTv: 2,2
Cultura: 1,1

Nesta segunda, na programação matinal a Globo caiu para o terceiro lugar às 10hs. A Record atingiu o dobro da audiência da Globo no Rio de Janeiro, e quase o dobro em SP.

9:59 Sp

Record: 8,4
Sbt: 6,6
Globo: 4,8

Rio 10:01

Record 12,0
Sbt 9,4
Globo 6,1

O que o povo ganha com a briga dos Marinho com Macedo? Ou o que programas de entretenimento como reality show, Gugu, Faustão afeta a política nacional?

A Globo perde poder econômico, político, e capacidade de manipular eleições.

Ao dividir a audiência, dividirá também as verbas do mercado publicitário (tanto público como privado), e perderá poder econômico.

Ao ter telejornais competindo de igual para igual, perde o monopólio da "formação da opinião pública", e a capacidade de exercer lobby e manipulação política.

Fica mais complicado esconder notícias, que o concorrente levará ao ar, pois acabará perdendo mais audiência do que perdeu, quando o telespectador se dá conta que está sendo mal informado. Fica mais complicado não dar direito de resposta, pois a resposta será conseguida no concorrente.

A Globo sempre atuou em simbiose com o poder. Trocava apoio político na linha editorial por acesso privilegiado aos cofres públicos. A Globo sempre ajudou a eleger "amigos" e depois recebia seu quinhão em troca do apoio ao governo, seja através de anúncios superdimensionados (como a propaganda da SABESP em rede nacional), seja através de empréstimos generosos, concessões indevidas, facilidades nos ministérios para si, e imposição de dificuldades para a concorrência.

O esquema da Globo de simbiose com o poder federal desandou com a eleição de Lula. Ela tenta recuperar com a eleição de Serra.

Com menos audiência, e com a Record nos calcanhares, a Globo vai continuar manipulando até 2010 para tentar eleger Serra, mas terá mais dificuldade em convencer, terá que ser mais sutil, uma vez que haverá um noticiário de contraponto, com audiência de peso.

Por outro lado, por mais que a Record cresça, nunca conseguirá ter o poder que teve a Globo no passado, e por isso não corremos o risco de trocar um monopólio privado por outro.

Hoje existe a internet como fonte de informação, e a cada mes mais brasileiros ingressam na rede, e a usam com fonte de informação, reduzindo a influência da TV. A TV digital, também criará, a médio prazo, um ambiente de diversidade de canais gratuítos semelhante às TV's por assinatura, incluindo os canais públicos e comunitários. Os movimentos socais pela democratização dos meios de comunicação, também se mobilizam e conquistam apoios oficiais no governo federal. É certo que haverá conquistas, em maior ou menor escala, dependendo da pressão popular.

Marcha infeliz - comparecimento pífio...

Pra não dizer que aqui na bodega não divulgamos também os protestos dos entreguistas da direita golpista. Vejam a multidão que compareceu ao "no mas Chavez", organizado no Twitter.
Notem que na Colômbia, EUA e a tomada Honduras, até que deu um punhado maior de gente...

Extraído daqui.

Protesto contra Chavez em São Paulo reúne só 15 pessoas.


Globo, Veja, Folha e Estadão, Band, deram a maior força, mas a "marcha mundial" "No mas Chavez", reuniu apenas cerca de 15 pessoas em São Paulo (foto). Veja o vídeo aqui.

Segundo informações da Polícia Militar (PM), às 14h35, 15 mulheres (a maioria estrangeira) participavam da manifestação, no início da tarde desta sexta-feira no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na avenida Paulista, região central de São Paulo, em um protesto contra o presidente venezuelano Hugo Chávez.

Sob o lema de "No mas Chávez" (Chega de Chávez), a "marcha mundial" foi convocada pela internet, no Twitter, no site de relacionamentos Facebook e assemelhados.

O protesto foi organizado por colombianos e por Organizações Não-Governamentais (ONGs) de extema-direita, de diferentes países, e contou com apoio de ex-marajás da PDVSA, capachos dos interesses estrangeiros.

Só governos golpistas (Honduras) e satélites estadunidenses (Uribe) reuniram mais gente, através do patrocínio à marcha.

Novo filme de Michael Moore - Fim do capitalismo

Filme do Michael Moore é sempre imperdível. Desmascarando o capitalismo então, nem se fala.
Texto extraído daqui.

Michael Moore pede o fim do capitalismo em seu novo filme em Veneza

NEUSA BARBOSA
Especial para o UOL, de Veneza, Itália*

A passagem do documentário "Capitalism: A Love Story", de Michael Moore repercutiu com toda a força que se poderia esperar do engajado diretor de "Tiros em Columbine" e "Fahrenheit 11 de Setembro". Sua primeira sessão para a imprensa no Festival de Veneza, onde concorre ao Leão de Ouro, nesta noite de sábado (5), teve fila começando mais de meia hora antes de seu início, empurra-empurra e dezenas de jornalistas voltando para trás, assim que a lotação da Sala Perla (450 lugares) se esgotou.
  • Divulgação

    Michael Moore em cena de "Capitalism - A Love Story" (2009)

Ao final, o filme foi bastante aplaudido. Em todo caso, o filme é polêmico e tem a marca marqueteira de Moore, embora não lhe falte contundência. Ao seu final, o diretor simplesmente faz uma profissão de fé contra o capitalismo -que, segundo ele, "não pode ser regulado, tem de ser simplesmente eliminado e substituído por um sistema mais justo."

O foco do filme é a grande crise econômica que abalou os mercados mundiais ao final de 2008, provocando a quebra de instituições financeiras e a falência não só de empresas, como de pessoas físicas -milhares delas perderam suas casas, nos EUA, por não poderem pagar suas hipotecas, que haviam sido refinanciadas para adquirir novas casas.

Como de hábito nos filmes de Moore, a pesquisa é consistente e registra casos impressionantes, que visam retratar a ganância dos bancos e o resultado trágico, segundo ele, de uma desregulamentação do sistema financeiro. Além de acompanhar o despejo de alguns inadimplentes com as hipotecas, Moore denuncia verdadeiros crimes, como empresas que fazem apólices de seguro em favor de seus empregados e beneficiam-se delas, no caso de sua morte, em prejuízo das famílias dos mortos. O filme não se furta a indicar mesmo os nomes de diversas grandes empresas norte-americanas que usaram ou ainda usam este expediente.

Uma das sequências mais provocadoras de "Capitalism: A Love Story" está em seu final -quando o próprio cineasta percorre diversos bancos em Nova York com um saco de pano na mao, com a intenção declarada de "recuperar" dinheiro subtraído aos contribuintes. Impedido de fazer esta "coleta", Moore arranja então um rolo da fita normalmente usada pela policia norte-americana para isolar cenários de crimes, passando-a pela porta dessas instituições.

Ao final, o cineasta propõe que cada uma das pessoas que assistir ao filme também se rebele, seguindo os exemplos de trabalhadores que ocuparam indústrias desativadas ou alguns moradores que reocuparam suas casas, desobedecendo às ordens de despejo. Moore diz claramente que os EUA hoje "não são" o país que o falecido presidente Franklin Roosevelt propunha, mas que ele não irá deixá-lo. Moore repropõe, ao que parece, a boa e velha desobediência civil.

Com tantos assuntos bombásticos, a coletiva do filme de Moore, marcada para a tarde de domingo, promete.

*Neusa Barbosa escreve para o site Cineweb

O que rola na web: Casa de cachorro da Paris Hilton

E eu ainda preciso dizer alguma coisa?

Veja mais aqui.

sábado, 5 de setembro de 2009

Leitura Global

Análise quentinha do recém criado blog Leitura Global, de Tarso Genro e amigos.

Por que a oposição erra tanto?

por Tarso Genro e Vinícius Wu

O elemento chave para a compreensão do atual período político no país é a análise da percepção da sociedade a respeito da crise econômica, de seus impactos no país e das iniciativas do governo federal para enfrentá-la. Mesmo rejeitando simplificações e afastando-se de uma abordagem economicista da realidade social e política do país, é possível afirmar que esta é a temática que organiza a atual conjuntura. Todo o esforço da oposição e de alguns “formadores de opinião” nos últimos meses em desviar as atenções da opinião pública nacional, exclusivamente, para a “crise” do Senado, aparentemente, tem como objetivo principal ofuscar o sucesso obtido pelo governo Lula em sua estratégia de enfrentamento à crise.

Afinal, a oposição apostou alto na fragilização do governo a partir da crise. Entre o final do ano passado e o início do atual, assistimos um verdadeiro bombardeio de informações, análises, matérias jornalísticas que sentenciavam um impacto devastador da crise no Brasil e procuravam fixar no imaginário nacional a percepção de que o Presidente Lula havia sido pretensioso e irresponsável diante da gravidade da situação. A crítica à utilização do termo “marolinha” pelo presidente tornou-se o mantra oficial dos grandes meios de comunicação, percorrendo desde os principais telejornais até programas humorísticos.

Há de se reconhecer que muitos dos “viúvos” do neoliberalismo e do “Estado Mínimo” procuraram, assim, encontrar uma forma para que suas antigas análises econômicas (“a economia mundial está bombando!”, chegaram a dizer alguns) fossem rapidamente esquecidas.

E como reflexo do tratamento dispensado pelos meios de comunicação de massa ao tema – até a propaganda de uma grande marca de cerveja o abordava – o nível de conhecimento da crise tornou-se bastante elevado (o que é muito positivo, diga-se de passagem). Em janeiro de 2009, 34,4% da população brasileira conhecia e 22,1% ficou sabendo da crise. Em maio deste ano já eram 38,7% conhecendo e 24,8% sabendo da crise. Ou seja, 63,5% da população estava, de alguma forma, ciente da crise no mês de maio.

A última pesquisa de opinião do Datafolha, divulgada em 16 de Agosto, confirma uma tendência já apontada por outros institutos: o Presidente Lula mantém altos índices de aprovação, mesmo após a crise econômica internacional. Segundo o Datafolha, 67% dos brasileiros consideram o governo Lula bom ou ótimo. A ultima pesquisa de opinião publica nacional CNT/Sensus, uma das mais completas entre as produzidas atualmente no país, já havia demonstrado que, após oscilar negativamente em março deste ano, a avaliação do governo, recuperou-se em maio. No levantamento da Sensus, 69,8% consideraram o governo positivo e 23,9% regular. Na pesquisa anterior eram 62,4% e 29,1%, respectivamente.

O governo agiu e a população reconheceu. De acordo com a mesma pesquisa, a situação do emprego no país melhorou para 32,3% da população, enquanto a amostragem anterior indicava apenas 20,9%. E a expectativa positiva, ou seja, o percentual dos que acham que a situação do emprego no país vai melhorar era de 48,8% e saltou para 56,4% em maio, segundo a pesquisa CNT/Sensus.

E, mais uma vez, o feitiço virou-se contra o feiticeiro – o que, aliás, tem se tornado recorrente nos embates entre governo e oposição. Após todo o trabalho de acusações e denúncias, realizado pela oposição, que visavam transmitir uma imagem de incompetência e falta de comando no combate à crise, o governo Lula termina por capitalizar sozinho todos os resultados positivos, inclusive os que não são necessariamente de sua responsabilidade.

Em termos de avaliação, é possível afirmar que o pior da crise já passou. Aliás, em relação à crise, em maio 50,4% dos brasileiros acreditavam que o governo estava lidando adequadamente com a crise, contra 40,1 % registrados em março. 55,9% acreditam que o país sairá fortalecido da crise e apenas 19,7% acham que sairá enfraquecido.

Mas o que realmente está acontecendo?

As pesquisas de opinião apenas refletem os resultados reais obtidos pelo governo em sua estratégia de enfrentamento à crise. Medidas como a flexibilização dos depósitos compulsórios, as reduções da carga tributária, a ampliação e facilitação do crédito em diversas áreas e a redução substancial da taxa Selic, associadas à uma reserva cambial superior a U$ 200 bilhões, entre outros fatores, permitiram não apenas que a economia brasileira fosse uma das últimas a ser atingida, mas também seja uma das primeiras a apresentar sinais de recuperação, com a retomada do fluxo de capitais e captações externas.

Nas crises anteriores o país era obrigado a adotar medidas econômicas pró-cíclicas: aumento de juros; ampliação da dívida pública; aumento do superávit primário; corte de investimentos e gastos correntes, o que gerava quedas maiores do PIB, ampliação do desemprego e da instabilidade econômica.

Já no atual modelo, o país pôde adotar uma política macro-econômica anticíclica, reduzindo juros e ampliando a oferta de crédito dos bancos públicos. Medidas acompanhadas pela manutenção dos investimentos, corte de impostos e redução do superávit primário. A atuação dos bancos públicos foi decisiva. Somente o BNDES recebeu do Tesouro Nacional o equivalente a R$ 100 bilhões, permitindo um crescimento de até 85% na oferta de crédito pelo banco em 2009.

Crise não esfriou indústria automobilística

Crise não esfriou indústria automobilística

Além disto, o programa “Minha Casa, Minha Vida” prevê um aporte de R$ 28 bi em subsídios e R$ 60 bi em investimentos. O reajuste do salário mínimo injetou R$ 20 bilhões na economia em 2009, o Bolsa-família outros 12 bilhões e a redução do IR pessoa física mais 5 bilhões. O governo reduziu o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e estabeleceu alíquota zero (PIS/COFINS) sobre alguns artigos, entre outras medidas de redução da carga tributária. Como resultado, obtivemos um aumento de 26% na venda de geladeiras; 30% em máquinas de lavar; 10% em material de construção e a indústria automobilística manteve-se aquecida, registrando mais de 300 mil licenciamentos de veículos em Junho deste ano.

Já em 2008, ao agir rapidamente, o governo federal havia proporcionado uma surpreendente reação do setor automotivo e o país fechou o ano com uma produção superior a três milhões de unidades. O Brasil passou para a quinta posição no ranking dos maiores mercados automobilísticos do mundo, deixando França e Grã-Bretanha para trás.

A vitalidade do mercado interno reduziu os efeitos da crise no país. O consumo popular – estimulado pelas políticas de transferência de renda – impulsionou as vendas em diversos segmentos no ano de 2008. O setor de vestuários, tecidos e calçados fechou o ano registrando crescimento de 18,2%. O varejo supermercadista alcançou faturamento de R$ 170 bilhões – um crescimento de 8,98% em relação a 2007.

E assim, apesar da crise, em 2008, as 500 maiores empresas brasileiras somaram uma recita liquida total de R$ 2,2 Trilhões, registrando um aumento de 24,9% em relação ao ano de 2007.

Porém, o mais relevante foram os resultados demonstrados por um estudo do IPEA divulgado recentemente, que atestou já ser possível afirmar que “as trajetórias convergentes de redução da desigualdade e da pobreza não foram interrompidas, mesmo durante a crise internacional”. Em junho de 2009, o índice de Gini – que mede a desigualdade – alcançou o seu menor patamar nas seis principais regiões metropolitanas do Brasil.

A situação atual apresenta um fato novo em relação a outras crises econômicas internacionais. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, “ao contrário dos períodos de 1982/83, 1989/90 e de 1998/99, quando a inflexão econômica implicava aumento da pobreza nas regiões metropolitanas, não se observa crescimento na taxa de pobreza desde o último trimestre de 2008”.

Somente estes resultados podem oferecer uma explicação razoável para a ampliação dos índices de aprovação do governo, mesmo sob constante ataque da oposição e de parcela da grande mídia e em meio a uma suposta crise “sem precedentes” no Senado Federal.

Não se trata de sugerir que a “crise” do Senado seja um fato irrelevante ou, ainda, que a população não esteja atenta a temas como este. Menos ainda, pretendemos aqui desconsiderar a necessidade de uma apuração rigorosa, que identifique responsabilidades e resgate a imagem do Congresso perante a nação. O que não é admissível, no entanto, é que o país se veja paralisado em função da agenda do Senado. O debate sobre as estratégias de enfrentamento à crise econômica internacional simplesmente desapareceu da agenda política do país! Foi por isto que o Presidente Lula se viu obrigado a manifestar uma opinião impopular a respeito da crise do Senado, a fim de assegurar a governabilidade e a estabilidade institucional. E a população soube diferenciar este esforço de uma eventual cumplicidade do presidente com atos irregulares cometidos no Senado. Até por que o combate à corrupção, realizado pela Policia Federal e por órgãos de controle, permanece ativo e a população vem reconhecendo este esforço.

O fato é que, ao desconsiderar o significado do governo Lula na vida real dos brasileiros e brasileiras, de todas as classes sociais e regiões do país, a oposição repete, sistematicamente, os mesmos erros que levaram seu candidato nas eleições presidenciais de 2006 a uma retumbante derrota. O grande teste para o governo Lula, em 2009, como demonstram as pesquisas de opinião e o próprio discurso da oposição e da grande mídia no final de 2008 e início deste ano, foi a crise internacional. Os números estão aí, a demonstrar o que o Governo Federal logrou realizar em um cenário internacional extremamente adverso. Com a palavra, a oposição.

Vídeo - Gladiador "Quero minha bola"

Pra descontrair...
Uma dublagem muito mais divertida do filme O Gladiador.


quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Hino Nacional - por Vanusa

Pra descontrair. Uma interpretação ímpar desse ícone da brasilidade.
Vejam que ao final uma voz tenta interrompê-la, mas sem muito êxito.

As privatizações continuam com Serra

Do blog Os Amigos do Presidente Lula.
Para quem já estava desacostumado com todos esses anos sem as privatizações absurdas do tempo de FHC, Serra trata de matar saudades.
Para os demotucanalhas, o neoliberalismo e o Estado mínimo são o que há de melhor para os brasileiros. Não sei quais brasileiros...

Serra privatiza hospitais públicos e cria ala segregada para ricos

Antigamente os tucanos diziam que privatizavam atividades econômicas estatais para investir em saúde, e outras áreas sociais.

Agora, José Serra (PSDB/SP), privatiza até hospitais públicos, e investimentos em saúde deixou de ser tarefa do estado, segundo a nova cartilha demo-tucana de Serra.

O governador tucano fez passar na assembléia projeto que permite terceirizar (leia-se, entregar para grupos privados administrarem), e ainda por cima permitirá um atendimento diferenciado para quem pagar pelo atendimento.

Os hospitais já existentes foram construídos e equipados com dinheiro público dos impostos ao longo dos anos, e os tubarões dos planos de saúde já estão esfregando as mãos para tomarem posse da estrutura prontinha, de mão beijada.

Modelo de Casa Grande e Senzala

A lei é tão absurda que permite a venda de até 25% dos atendimentos dos hospitais públicos terceirizados a pacientes particulares e de planos de saúde.

Os pacientes que pagarem pelo atendimento ou utilizarem seus planos de saúde entrarão numa fila mais rápida, de primeira classe, em detrimento dos pacientes do SUS, relegados a uma fila mais lenta, de segunda classe.

Na prática, os hospitais ficarão divididos em Casa Grande, para quem puder pagar, e a fila da Senzala para quem não pode pagar.

A clientela pagante dos planos de saúde entrará pela "porta da frente" dos hospitais públicos. Aos usuários do SUS, que se dirijam à "porta dos fundos" e aguardem.

Inversão de valores

Hospitais privados que tem responsabilidade social, reservam uma cota de leitos e cirurgias pelo SUS.

Serra inverte os valores. Reserva uma cota de 25% das internações, leitos de UTI's, cirurgias dos hospitais públicos para atendimento privado, tirando estes 25% do atendimento público pelo SUS.

Os planos de saúde tomam posse de 25% da rede hospitalar pública, só para atendimento exclusivo de sua clientela que tem plano de saúde, segregada do atendimento público e gratuíto.

Os planos de saúde ganham 25% das instalações da rede pública, sem precisar investir na construção de novos leitos, UTI's, nem centros cirúrgicos

Quem não tem plano de saúde, perde 25% das vagas públicas que tinha, aumentando a fila e demora no atendimento, disputando as 75% das vagas que restam.

Nem a mão invisível do mercado consegue explicar

José Serra alega que a arrecadação conseguida com o atendimento privado na "Casa Grande", engordará o caixa para investir na "Senzala".

Balela! Se a intenção é fazer o setor privado financiar o público, basta regular o setor com os impostos, cobrando impostos condizentes, sobre a lucrativa rede privada.

A cessão de 25% da rede pública já pronta é um desestímulo até à mão invisível do mercado investir na ampliação e construção de novos hospitais privados. Dessa forma, até sob a ótica do empreendedorismo privado, essa política é nefasta.

O que está sendo feito, é transferir patrimônio público pronto para o setor privado, e de mão beijada.

Servidores protestam contra terceirização

O Portal Vermelho informa que durante a votação de ontem (na Assembléia Legislativa), funcionários públicos fizeram protestos e chegaram a xingar a relatora do projeto, a deputada Maria Lúcia Amary (PSDB).

MP ajuizará ações contra a norma

O Ministério Público do Estado afirmou que, assim que a norma entrar em vigor, ajuizará ações contra a sua execução.

Na visão do Ministério Público, a futura lei fere os princípios de igualdade e universalidade do SUS (Sistema Único de Saúde), pois criará um tratamento diferenciado para os pagantes.

Para que se torne lei, o texto aprovado pelos deputados estaduais precisa ser sancionado pelo governador José Serra (PSDB). A aprovação é dada como certa, já que o projeto original foi apresentado pelo governador.

Enquanto isso...

Na Colômbia, Álvaro Uribe está pronto pra concorrer a um terceiro mandato.
Mas ele pode... é queridinho da direita brasileira, da imprensa oficial e golpista, e, principalmente, dos EUA.

E ainda dizem que Chavez, Evo e Lula são perigos à democracia na América Latina.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Com a palavra, Hugo Chavez

Mais uma do excelente vi o mundo.
Chavez fala do perigo que as sete bases americanas na Colômbia representam para o progresso que a América do Sul vem conseguindo, para uma menor dependência aos EUA.

A carta de Chávez à Unasul

Atualizado em 27 de agosto de 2009 às 22:46 | Publicado em 27 de agosto de 2009 às 22:33

Em nome do espírito de Liberdade e Justiça desta suprema época de grandeza que nos convoca neste luminoso presente, quero lhes estender a todos minhas mais sinceras e fraternas saudações.

Começarei recordando que em 10 de agosto de 1809 foi pronunciado pelo valoroso povo equatoriano, o Primeiro Grito de sua desejada Independência em Quito. A mesma cidade em que hoje, a 200 anos de empreendido nosso incessante processo de Independência, reunimo-nos em razão de responder a um compromisso iniludível e uma esperança concreta: honrar o esforço de toda uma geração de libertadores que traçou o caminho das novas repúblicas de Nossa América.

À luz e sombra desta semente libertária, espalhada por nossos predecessores nestas imponentes terras da Abya Yala, reanimou-se a idéia da união de repúblicas, traçada pelo Libertador durante toda sua vida política.

O mesmo Bolívar que nos deixou estas premonitórias palavras em 6 de setembro de 1815, em sua Carta da Jamaica, a qual foi dirigida em resposta ao cidadão Henry Cullen, um súdito britânico residente em Falmouth; como uma grandiosa bitácora ideológica que, por oportuna e verdadeira, permito-me incluir nestas linhas: “Certamente a união é a que nos falta para completar a obra de nossa regeneração”.

Entretanto, nossa divisão não é estranha, porque tal é a marca das guerras civis disputadas geralmente entre dois partidos: conservadores e reformadores. Os primeiros são, em geral, mais numerosos, porque o império do costume produz o efeito da obediência às autoridades estabelecidas; os últimos são sempre menos numerosos, embora mais veementes e ilustrados. Deste modo a massa física se equilibra com a força moral, e a luta se prolonga, sendo seus resultados muito incertos. Por sorte nossa, a massa seguiu a inteligência.

Revelava o Pai Bolívar uma de suas grandes angustias: ver unidas todas as nações de nosso largo e comprido continente na Pátria Grande. O espírito da nação da Colômbia se expressou pela primeira vez no Estreitamento banhado por nosso indomável Orinoco, no ano de 1819. Surgida dos sonhos de Miranda, Colômbia foi feita realidade por nosso Bolívar naquele ano, e embora fosse desmembrada, seu ânimo, hoje mais que nunca, deve expressar-se para nos dar perseverança de que nunca se perderá. Nossa União era para Bolívar um pródigo fim, ao qual se chegaria unicamente através de feitos sensíveis e esforços bem dirigidos.

E hoje, a 200 anos daquele enorme gesto histórico, o nascimento da União de Nações Sulamericanas (Unasur), é a fiel amostra de que o processo de libertação de nossas nações continua impondo-se com mais vigor do que nunca. Entretanto, e trazendo para o presente toda esta síntese histórica, devo dizer com absoluto desgosto que a união e a independência de nossos países constituem uma ameaça para quem aspira seguir controlando nossas riquezas naturais, nossas economias e nossa vontade política, quer dizer, nossa soberania.

É evidente que diante dos avanços progressistas e democráticos em nosso continente, o império norte-americano, que nos últimos cem anos exerceu sua hegemonia sobre a vida de nossas repúblicas, iniciou uma contra-ofensiva anti-histórica e retrógrada com o propósito de reverter a união, a soberania e a democracia em nosso continente, e impor a restauração da dominação imperial em todos os âmbitos da vida de nossas sociedades.

Neste sentido, compartilhamos a visão de muitos na América Latina e no mundo: esta contra-ofensiva se iniciou em 28 de junho deste ano, com o perverso golpe de estado cometido na irmã Pátria hondurenha.

Dizem os militares golpistas de Honduras, e os poderosos porta-vozes conservadores de Washington, que esta operação contra o presidente Zelaya foi uma manobra pensada em função de destruir a Aliança Bolivariana dos Povos de Nossa América (ALBA). Uma aliança que é um projeto de paz, de justiça social, de união solidária, de democracia participativa com e para as maiorias de nossos países; e de uma vez é um projeto independentista guiado por lideranças legítimas dos humildes de hoje.

Este infame golpe foi respondido dignamente pelo povo hondurenho, enfrentando a repressão e demonstrando que são dignos herdeiros do heróico Morazán que, passados 200 anos, ainda vigiam.

Por isso, em função da unidade que nos convocou sempre, e também seguindo os acontecimentos destes últimos tempos, permito-me lhes fazer um chamado de atenção. Companheiros e companheiras: desde meu Governo estamos realmente e profundamente preocupados com a situação de tensão com a irmã República da Colômbia, frente à instalação de sete bases militares norte-americanas nesse íntimo e irmão território sulamericano.

Queremos denunciar, aqui, agora, que este fato é parte de um plano político e militar orquestrado para acabar com o projeto da União de Nações Sulamericanas (Unasur), além de ser a maior ameaça neste momento histórico para as infinitas riquezas que jazem em nosso continente, isto é: o ouro negro, nosso petróleo; o ouro azul, as grandes reserva aqüíferas; o ouro verde, nossa Amazônia.

Nos últimos anos tenho denunciado uma perseguição permanente contra nosso país e nossa Revolução Bolivariana, por parte das elites que dirigem o império norte-americano. Nosso povo derrotou — diante do assombro da opinião internacional -- golpes de estado, sabotagem econômica e a investida de um descarnado terrorismo midiático de alcance nacional e internacional.

Irmãos da América do Sul: a justificativa política e midiática do Governo da Colômbia e os chefes destas bases militares, são uma ameaça concreta à paz, a independência e aos direitos do povo da Venezuela.

Nos últimos dias, recebemos as manifestações de preocupação e de solidariedade dos povos e governos do continente; assim como também de um importante setor da sociedade colombiana. Acreditam, quem nos ameaça, que podem deter o curso da nova e heróica história que hoje escrevemos em paz. “Fazer-nos respeitáveis é a garantia indestrutível de seus afãs ulteriores por lhes conservar”, disse José Gervasio Artigas.

Mas assim como faz 200 anos nossos povos fizeram retroceder o decadente império espanhol, hoje contamos com condições morais e políticas superiores para neutralizar a estes setores de guerras e assim garantir que nosso continente seja uma terra de paz, sem ameaça militar.

Seria um engano grave pensar que a ameaça é só contra Venezuela; vai dirigida a todos os países do sul do continente, sentencia o companheiro Fidel em suas reflexões intituladas “Sete punhaladas no coração da América“.

Geopoliticamente estamos ao sul da hegemonia, e é uma realidade que, transcendendo a tendência política dos governos do mundo, o problema da guerra diz respeito à humanidade inteira. Nunca nossas angústias foram secretas, e dessa verdade eterna deu mostra o Apóstolo da América, José Martí, ao deixar em 1884, para este nosso tempo, uma incógnita vigente: “O que somos General (Máximo Gómez), os servidores heróicos e modestos de uma idéia que nos esquenta o coração, os amigos leais de um povo em desventura, ou os caudilhos valentes e afortunados que com o chicote na mão e a espora no salto se dispõem a levar a guerra a um povo, para assenhorear-se depois dele”.

Não podemos ocultar o clamor de todo o povo colombiano e seu desejo de alcançar a paz em seu país. Sete décadas de guerras no interior da Colômbia só acharão resolução em uma saída política e negociada que respeite as garantias e gozem do respaldo de toda América do Sul.

O povo da Colômbia tem direito à paz. Não pode pretender uma elite servil, cujo negócio é a guerra no irmão país, expandir e impor seu conflito armado com a pretensão de estigmatizar e desestabilizar aos movimentos progressistas e revolucionários que de maneira legítima, democrática e pacífica avançamos com os sonhos e bandeiras dos libertadores, a cumprir as tarefas ainda pendentes de união, justiça e independência.

Não acreditamos em uma sociedade carente de conflitos, isso seria uma besteira, mas entendemos que somos chamados a assumir melhores conflitos, a reconhecê-los e contê-los, a viver não apesar deles, mas sim produtiva e inteligentemente com eles. Só um povo cético, maduro para o conflito, é um povo maduro para a paz, parafraseando o nosso irmão colombiano Estanislao Zuleta. E se quisermos uma paz verdadeira, devemos responder a tempo com clareza e valentia às necessidades mais sentidas de nossos povos.

Chegou a hora da América do Sul, a hora da Unasur. Confiamos na capacidade política de nossa nascente união para enfrentar na atualidade esta ameaça, que compromete o futuro de nossas repúblicas, o futuro de nossos povos e o futuro de toda a humanidade.

Sigamos, pois, companheiras e companheiros, a máxima de Bolívar: constituamos esse grande Pacto Americano “que formando de todas nossas repúblicas um corpo político, apresente a América ao mundo com um aspecto de majestade e grandeza sem igual nas nações antigas. À América assim unida, se o céu nos conceder este desejado voto, poderá chamá-la rainha das nações e mãe das repúblicas”.

Fraternalmente,
Hugo Chávez Frías

da Agencia Bolivariana de Noticias

Com a palavra, o presidente Lula

Extraído do vi o mundo.
O texto é um pouco extenso, mas asseguro que cada palavra valerá a pena. É pra emocionar até os mais céticos.
É o nosso "cabide de empregos", nosso "dinossauro"...

Lula, sobre o pré-sal

Atualizado e Publicado em 31 de agosto de 2009 às 21:35

Reproduzido no Vermelho, o discurso de Lula sobre o pré-sal:

Minha querida companheira Marisa Letícia,
Excelentíssimo senhor presidente do Senado, José Sarney,
Excelentíssimo presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer,
Ministra Dilma Roussef, ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República; ministro Edison Lobão, de Minas e Energia, em nome dos quais cumprimento todos os ministros aqui presentes,
Quero cumprimentar todos os governadores que vieram ao lançamento do pré-sal,
Quero cumprimentar as autoridades dos Superiores Tribunais aqui de Brasília,
Quero cumprimentar os nossos amigos senadores e deputados que estão presentes,
Quero cumprimentar os membros do corpo diplomático,
Quero cumprimentar os prefeitos aqui presentes,
Em nome dos empresários eu gostaria de cumprimentar o nosso companheiro José Sérgio Gabrielli, presidente da nossa gloriosa Petrobras,
E o Luciano Coutinho, presidente do BNDES,

Minhas amigas e meus amigos,

Hoje é um dia histórico.

O governo está enviando ao Congresso Nacional sua proposta do marco regulatório para a exploração de petróleo e gás no chamado pré-sal.

Estou seguro de que, nos próximos meses, os deputados e senadores, recolhendo também as contribuições de governadores e prefeitos, aperfeiçoarão as propostas do governo, trabalhando com responsabilidade, espírito público, compromisso com o país e, sobretudo, muita visão de futuro.

Estou seguro também de que o povo brasileiro entrará de corpo e alma nesse debate tão importante para o destino do Brasil e para o futuro dos nossos filhos.

Porque esse não é um assunto apenas para os iniciados e especialistas. Nem é tampouco um tema que deva ficar restrito somente ao parlamento. Ao contrário, ele interessa a todos e depende de todos.

Por isso mesmo, quero convocar cada brasileiro e cada brasileira a participar desse grande debate. Trabalhadores, donas de casa,
lavradores, empresários, intelectuais, cientistas, estudantes, servidores públicos, todos podem e devem contribuir para que tomemos as melhores decisões.

Minhas amigas e meus amigos,

O chamado pré-sal contém jazidas gigantescas de petróleo e gás, situadas entre cinco e sete mil metros abaixo do nível do mar, sob uma camada de sal que, em certas áreas, alcança mais de 2 mil metros de espessura.

Não se pode ainda dizer, com certeza, quantos bilhões de barris o pré-sal acrescentará às reservas brasileiras. Mas já se pode dizer, com toda segurança, que ele colocará o Brasil entre os países com maiores reservas de petróleo do mundo.

Trata-se de uma das maiores descobertas de petróleo de todos os tempos. E em condições extremamente importantes: as reservas encontram-se num país de grandes dimensões, de grande população e de abundantes recursos naturais. Um país que conta com um regime político estável e instituições democráticas em pleno funcionamento. Um país pacífico que faz questão de viver em paz com seus vizinhos. Um país que possui uma economia sofisticada, com um parque industrial diversificado, uma agropecuária de ponta e um setor de serviços moderno. Um país que, tendo dado passos importantes na superação das desigualdades sociais, encontrou seu caminho e está maduro para dar um salto no desenvolvimento.

Como já disse em outra oportunidade, o pré-sal é uma dádiva de Deus. Sua riqueza, bem explorada e bem administrada, pode impulsionar grandes transformações no Brasil, consolidando a mudança de patamar de nossa economia e a melhoria das condições de vida de nosso povo.

Mas o pré-sal também apresenta perigos e desafios. Se não tomarmos as decisões acertadas, aquilo que é um bilhete premiado pode transformar-se em fonte de enormes problemas. países pobres que descobriram muito petróleo, mas não resolveram bem essa questão, continuaram pobres.

Outros caíram na tentação do dinheiro fácil e rápido. Passaram a exportar a toque de caixa todo o óleo que podiam e foram inundados por moedas estrangeiras. Resultado: quebraram suas indústrias e desorganizaram suas economias. E, assim, o que era uma dádiva transformou-se numa verdadeira maldição.

Para evitar esse risco, desde o primeiro instante, determinei à comissão de ministros que preparou o marco regulatório do pré-sal que trabalhasse em cima de três diretrizes básicas.

Primeira: o petróleo e o gás pertencem ao povo e ao Estado, ou seja, a todo o povo brasileiro. E o modelo de exploração a ser adotado, num quadro de baixo risco exploratório e de grandes quantidades de petróleo, tem de assegurar que a maior parte da renda gerada permaneça nas mãos do povo brasileiro.

A segunda diretriz é de que o Brasil não quer e não vai se transformar num mero exportador de óleo cru. Ao contrário, vamos agregar valor ao petróleo aqui dentro, exportando derivados, como gasolina, óleo diesel e produtos petroquímicos, que valem muito mais. Vamos gerar empregos brasileiros e construir uma poderosa indústria fornecedora dos equipamentos e dos serviços necessários à exploração do pré-sal.

A terceira diretriz: não vamos nos deslumbrar e sair por aí, como novos ricos, torrando dinheiro em bobagens. O pré-sal é um passaporte para o futuro. Sua principal destinação deve ser a educação das novas gerações, a cultura, o meio ambiente, o combate à pobreza e uma aposta no conhecimento científico e tecnológico, por meio da inovação. Vamos investir seus recursos naquilo que temos de mais precioso e promissor: nossos filhos, nossos netos, nosso futuro.

Ao examinar os projetos de lei que estamos enviando hoje ao Congresso, depois de tanto trabalho e estudo, vejo com satisfação que eles estão em perfeita sintonia com essas diretrizes.

Minhas amigas e meus amigos,

Uma mudança importante no marco regulatório será a adoção do modelo de partilha de produção no pré-sal e em outras áreas de potencial e características semelhantes. É uma mudança absolutamente necessária e justificada.

Estamos vivendo hoje um cenário totalmente diferente daquele que existia em 1997, quando foi aprovada a Lei 9.478, que acabou com o monopólio da Petrobras na exploração do petróleo e instituiu o modelo de concessão.

Naquela época, o mundo vivia um contexto em que os adoradores do mercado estavam em alta e tudo que se referisse à presença do Estado na economia estava em baixa. Vocês devem se lembrar como esse estado de espírito afetou o setor do petróleo no Brasil. Altas personalidades naqueles anos chegaram a dizer que a Petrobras era um dinossauro – mais precisamente, o último dinossauro a ser desmantelado no país. E, se não fosse a forte reação da sociedade, teriam até trocado o nome da empresa. Em vez de Petrobras, com a marca do Brasil no nome, a companhia passaria a ser a Petrobrax – sabe-se lá o que esse xis queria dizer nos planos de alguns exterminadores do futuro.

Foram tempos de pensamento subalterno. O país tinha deixado de acreditar em si mesmo. Na economia, campeava o desalento. O Brasil não conseguia crescer, sofria com altas taxas de juros, de desemprego, e juros estratosféricos, apresentava dívida externa elevadíssima e praticamente não tinha reservas internacionais. Volta e meia quebrava, sendo obrigado a pedir ao FMI ajuda, que chegava sempre acompanhada de um monte de imposições.

Além disso, não produzíamos o petróleo necessário para nosso consumo. Ferida, desestimulada e desorientada, a Petrobras vivia um momento muito difícil. Tinha dificuldades de captação externa e não contava com recursos próprios para bancar os investimentos. Nessa época, é bom lembrar – e a Dilma já falou – o preço do barril do petróleo estava em torno de US$ 19.

Hoje, nós vivemos um quadro é inteiramente diferente. Em primeiro lugar, os países e os povos descobriram na recente crise financeira internacional que, sem regulação e fiscalização do Estado, o deus-mercado é capaz de afundar o mundo num abrir e fechar de olhos. O papel do Estado, como regulador e fiscalizador, voltou, portanto, a ser muito valorizado.

A economia do Brasil vive também um novo momento. De 2003 a 2008, crescemos em média, 4,1% ao ano. Nos últimos dois anos, nosso crescimento foi superior a 5%. Nesse período, o país gerou cerca de onze milhões de empregos com carteira assinada. O desemprego caiu de 11,7% para 8%, em 2008. Hoje, as taxas de juros atuais são as menores de muitas décadas em nosso país.

Não só pagamos a dívida externa pública, como acumulamos reservas superiores a US$ 215 bilhões. E mais: reduzimos de modo consistente a miséria e as desigualdades sociais. Mais de 30 milhões de brasileiros saíram da linha da pobreza e 2 milhões ingressaram... e 20 milhões ingressaram na nova classe média, fortalecendo o mercado interno e dando vigoroso impulso à nossa economia.

O fato é que hoje temos uma economia organizada, pujante e voltada para o crescimento. Uma economia que foi testada na mais grave crise internacional desde 1929 e saiu-se muito bem na prova. Não só não quebramos, como fomos um dos últimos países a entrar na crise e estamos sendo um dos primeiros a sair dela. Antes, éramos alvo de chacotas e de imposições. Hoje, nossa voz, a voz do Brasil, é ouvida lá fora com muita atenção e com muito respeito.

Meus queridos companheiros e companheiras,

Desde o primeiro instante, meu governo deu toda força à Petrobras. Passamos a cuidar com muito carinho do nosso querido dinossauro. Os recursos da empresa destinados à pesquisa e ao desenvolvimento deram um salto de US$ 201 milhões, em 2003, para R$ 960 milhões, em 2008.

A companhia voltou a investir, aumentou a produção, abriu concursos para contratação de funcionários, encomendou plataformas, modernizou e ampliou refinarias, além de construir uma grande infra-estrutura de gás natural e entrar também na era de biocombustíveis.

Deixamos claro que nossa política era fortalecer, e não debilitar, a Petrobras. E a companhia – estimulada, recuperada e bem comandada – reagiu de forma impressionante.

Resultado: a Petrobras vive hoje um momento singular. É o orgulho do país. É a maior empresa do Brasil. É a quarta maior companhia do mundo ocidental. Entre as grandes petroleiras mundiais, é a segunda em valor de mercado. É um exemplo em tecnologia de ponta. Descobriu as reservas do pré-sal, um feito extraordinário, que encheu de admiração o mundo e de muito orgulho os brasileiros. É uma empresa com crédito e autoridade internacionais. Tanto que, nos últimos meses, levantou cerca de US$ 31 bilhões em empréstimos. Seus investimentos previstos até 2013 somam US$ 174 bilhões.

E ainda para ajudar, para completar, o preço do barril de petróleo oscila hoje em torno de US$ 65, mais do triplo do que em 1997.

Em suma, os tempos e o ambiente no mundo são outros. A situação da economia brasileira é outra. O Brasil e o prestígio do Brasil são outros. A Petrobras é outra. E outra também é a situação do mercado do petróleo.

Minhas amigas e meus amigos,

Também não há termos de comparação entre as áreas que vinham sendo exploradas até agora e as áreas do pré-sal.

No pré-sal, os riscos exploratórios são baixíssimos. A taxa de sucesso dos poços operados pela Petrobras na área é de 87%, sendo que nos blocos situados na Bacia de Santos ela é de 100%. Foram 13 poços perfurados. E nos 13 comprovou-se a existência de grandes quantidades de óleo e gás, com excelentes perspectivas de viabilidade econômica.

Nessas circunstâncias, seria um grave erro manter na área do pré-sal, de baixíssimo risco e grande rentabilidade, o modelo de concessões, apropriado apenas para blocos de grande risco exploratório e baixa rentabilidade.

No modelo de concessões, a União, proprietária do subsolo, permite que as companhias privadas procurem petróleo, mediante o pagamento de uma taxa chamada bônus de assinatura. Se elas encontrarem óleo ou gás, podem extraí-lo e comercializá-lo como quiserem. São donas do petróleo arrancado das entranhas da terra, porque, a partir da boca do poço, a União perde os direitos de propriedade, recebendo apenas uma parcela pequena da renda do petróleo, na forma de royalties e participações especiais.

Já no modelo de partilha, que prevalece em todo o mundo em áreas de baixo risco exploratório e grande rentabilidade, a União continuará dona da maior parte do petróleo e do gás mesmo depois de sua extração. Nesse modelo, o Estado não transfere toda a propriedade do óleo para grupos privados, mas fecha contratos para a exploração e a produção em determinada área – diretamente com a Petrobras ou, mediante licitação, no caso de outras companhias.

No modelo de partilha, as empresas são remuneradas com uma parcela do óleo extraído, suficiente para cobrir seus custos e investimentos e ainda proporcionar uma rentabilidade adequada ao risco do projeto. Já o Estado fica com a maior parte dos lucros da exploração e produção de petróleo, parte esta bem superior ao que recebe hoje no regime de concessão. A regra do modelo de partilha é clara: nas licitações, vence a empresa que oferecer a maior parcela do lucro da operação para o Estado e para o povo brasileiro.

Amigas e amigos,

Como no modelo de partilha a maior parte do petróleo, mesmo depois de extraído, continuará a pertencer ao Estado, ela controlará o processo de produção. Assim, ela poderá definir claramente o ritmo de extração, calibrando-o de acordo com os interesses nacionais, sem se subordinar às exigências do mercado. Dessa maneira, ficará mais fácil para o Brasil contornar os riscos inerentes à produção excessiva, que poderia inundar o país de dinheiro estrangeiro, desorganizando nossa economia – aquilo que os especialistas chamam de doença holandesa.

Além disso, poderemos produzir petróleo nas condições que mais convêm ao país. E desse modo poderemos aproveitar a riqueza do petróleo, que Deus nos deu, para produzir mais riqueza ainda com o nosso trabalho.

Dessa forma, consolidaremos uma poderosa e sofisticada indústria petrolífera, promoveremos a expansão da nossa indústria naval e converteremos o Brasil num dos maiores pólos mundiais da indústria petroquímica do mundo.

Trabalhando com essa perspectiva, encomendaremos – e produziremos aqui dentro – milhares e milhares de equipamentos, gerando emprego, salário e renda para milhões de brasileiros.

Minhas amigas e meus amigos,

Para gerir os contratos de partilha e os contratos de comercialização de petróleo e gás, zelando pelos interesses do Estado e do povo brasileiro, estamos criando uma nova empresa estatal na área do petróleo, a Petrosal.

Ela não concorrerá com a Petrobras, já que não participará da prospecção ou da exploração de petróleo e gás. Sua missão é inteiramente diferente. A nova estatal será, isso sim, a representante dos interesses do Estado brasileiro, o olho atento do povo brasileiro, acompanhando e fiscalizando a execução dos contratos firmados na área do pré-sal.

Será uma empresa enxuta, com corpo técnico altamente qualificado, formado por profissionais com experiência comprovada. Em vários países que adotaram o modelo de partilha, empresas com esse caráter revelaram-se imprescindíveis para defender os interesses públicos e nacionais nas negociações e na gestão de contratos e processos complexos e sofisticados como os que caracterizam a indústria petrolífera.

Minhas amigas e meus amigos,

Se vocês estão cansados, imaginem eu. Outra novidade importante é a criação do Fundo Social. Ele será responsável pela administração da renda do petróleo e pela sua aplicação em investimentos seguros e de boa rentabilidade, tanto no Brasil como no exterior.

De um lado, o novo fundo será uma mega-poupança, um passaporte para o futuro, que preservará e incrementará a renda do petróleo por muitas e muitas décadas. Os rendimentos do fundo serão canalizados, prioritariamente, para a educação, a cultura, o meio ambiente, a erradicação da pobreza e a inovação tecnológica. Vamos aproveitá-los para pagar a imensa dívida que o país tem com a educação e para permitir que a aplicação do conhecimento científico seja, na verdade, a nossa maior garantia do nosso futuro.

De outro lado, o novo fundo funcionará, também, como um dique contra a entrada desordenada de dinheiro externo, evitando seus efeitos nocivos e garantindo que nossa economia siga saudável, forte e baseada no trabalho e no talento dos milhões e milhões de brasileiros.

Assim, a renda gerada pela produção do pré-sal será administrada de forma planejada e inteligente. E seu ingresso na economia nacional será dosado de modo a fortalecê-la e a impulsioná-la, jamais a desorganizá-la.
Minhas amigas e meus amigos,

Não poderia deixar de prestar aqui uma sincera homenagem à Petrobras, a sua diretoria e a todo o seu corpo de funcionários.

A descoberta do pré-sal, que coloca o Brasil num novo patamar no cenário mundial, não foi fruto do acaso ou de um golpe de sorte. Ao contrário, ela só foi possível graças ao talento, à competência e à determinação da Petrobras. E também, é claro, graças ao revigoramento da empresa nos últimos anos, à recuperação da sua autoestima e aos investimentos crescentes em pesquisa e prospecção.

Poucas empresas no mundo têm hoje a experiência da Petrobras na exploração de petróleo em águas profundas e ultraprofundas. E nenhuma empresa petrolífera conhece e é capaz de obter resultados tão expressivos em nossa plataforma submarina como ela. Trata-se de um ativo, de um patrimônio de enorme valor, que deve ser bem e de forma extraordinária aproveitado.

Por isso mesmo, a Petrobras terá um status especial no marco regulatório do pré-sal. Será a única empresa operadora nessa província. Outras empresas poderão ter participação, inclusive majoritária, nos consórcios que explorarão os blocos contratados. Mas a operação – vale dizer, a exploração, o desenvolvimento, a produção e a desativação das instalações – estará sempre a cargo da nossa querida e orgulhos Petrobras.

Além disso, as reservas do pré-sal, que pertencem ao Estado e ao povo brasileiro, oferecem uma excelente oportunidade para que a União fortaleça a Petrobras para enfrentar os novos desafios. Nesse sentido, estamos enviando projeto de lei ao Congresso Nacional autorizando a União a promover aumento de capital da companhia. O valor total do aumento de capital será aquilo que a ministra Dilma já falou, de até cinco bilhões de barris equivalentes de petróleo, obviamente, relativos às jazidas contíguas às áreas que a empresa já detém no pré-sal.

Nos termos da lei, os acionistas minoritários que desejarem participar dessa chamada de capital poderão adquirir ações da companhia, o que contribuirá para reforçar economicamente nossa maior empresa nesse momento decisivo.

Se os acionistas minoritários não exercerem integralmente seus direitos de opção, a capitalização promovida pela União implicará aumento da participação do povo brasileiro no capital total da Petrobras.

Minhas amigas e meus amigos,

Nesse momento em que o Brasil discute o melhor caminho para se tornar um grande produtor mundial de petróleo, quero render minhas homenagens a todos os brasileiros que lutaram para que este sonho se transformasse em realidade.

Em primeiro lugar, homenageio os que acreditaram quando era mais fácil descrer. E não deram ouvidos às aves de mau agouro que, durante décadas, apregoaram aos quatro ventos que o Brasil não tinha petróleo. Foram, por isso, chamados de fanáticos e maníacos. Ainda bem que houve fanáticos que nos ensinaram a duvidar dos preconceitos e a ter fé em nossas próprias forças.

Rendo minha homenagem também aos que se insurgiram contra a ladainha que proclamava que, mesmo que o Brasil tivesse petróleo, não teria competência para explorá-lo. E que deveria deixar essa tarefa para o capital estrangeiro. Muitos foram tachados de lunáticos, prisioneiros de uma idéia fixa, como o grande e saudoso Monteiro Lobato, porque teimaram em lutar para que o Brasil explorasse suas riquezas. Benditos lunáticos que ensinaram o país a enxergar longe, em tempos de escuridão, e iluminaram os caminhos dos que vieram depois.

Rendo minha homenagem ainda aos que saíram às ruas em todo o país na campanha do “O Petróleo é nosso”, levando o presidente Getúlio Vargas a instituir o monopólio estatal do petróleo e a criar a Petrobras. Foi uma batalha travada em condições duríssimas. Basta ler os jornais da época, alguns em circulação até hoje, que ridicularizavam a campanha nacionalista. E eu digo: bendito nacionalismo, que permitiu que as riquezas da nação permanecessem em nossas mãos.

Rendo homenagem muito especial, por fim, a todos os que defenderam a Petrobras quando ela foi atacada ao longo de sua história – e ainda hoje – e aos funcionários e petroleiros que se mantiveram de pé quando a empresa passou a ser tratada como uma herança maldita do período jurássico. Benditos amigos e companheiros do dinossauro, que sobreviveu à extinção, deu a volta por cima, mostrou o seu valor. E descobriu o pré-sal – patrimônio da União, riqueza do Brasil e passaporte para o nosso futuro.

Olho para trás e vejo que há algo em comum em todos esses momentos, algo que unifica e dá sentido a essa caminhada, algo que nos trouxe até aqui e ao dia de hoje: é, sinceramente, a capacidade do povo brasileiro de acreditar em si mesmo e no nosso país. Foi em meio à descrença de tantos que querem falar em seu nome... O povo – principalmente ao povo – devemos esse momento atual.

É como se houvesse uma mão invisível – não a do mercado, da qual já falaram tanto, mas outra, bem mais sábia e permanente, a mão do povo – tecendo nosso destino e construindo nosso futuro. Não creio que seja uma coincidência o fato de a Petrobras ter descoberto as grandes reservas do pré-sal justamente num momento da vida política nacional em que o povo também descobriu em si mesmo grandes reservas de energia e de esperança. Num momento em que o país, deixando para trás o complexo de inferioridade que lhe inculcaram durante séculos, aprendeu como é bom andar de cabeça erguida e olhar com confiança para o futuro.

Muito obrigado, companheiros.

Com a palavra, o MST

Do vi o mundo. Carta da Secretaria Nacional do MST.

A ofensiva da mídia contra o MST

Atualizado em 01 de setembro de 2009 às 19:34 | Publicado em 01 de setembro de 2009 às 19:34

Fizemos uma mobilização em todo o país e um acampamento em Brasília em defesa da Reforma Agrária e obtivemos vitórias importantes, relacionadas à solução dos problemas dos trabalhadores do campo. A jornada de lutas conquistou do governo federal medidas fundamentais, embora estejamos longe da realização da Reforma Agrária e da consolidação de um novo modelo agrícola. Além disso, demonstrou à sociedade e à população em geral, que apenas a organização do povo e a luta social podem garantir conquistas para os trabalhadores e trabalhadoras.

A principal medida do governo, anunciada durante a jornada, é a atualização dos índices de produtividade, que são utilizados como parâmetros legais para a desapropriação de terras para a Reforma Agrária. Os ruralistas, o agronegócio e a classe dominante brasileira fecharam posição contra a revisão dos índices e passaram a utilizar os meios de comunicação para pressionar o governo a voltar atrás. Estamos atentos. Se no dia 03, data prevista para a publicação da portaria, o governo descumprir o acordo, não vamos aceitar calados.

Essas conquistas deixaram revoltados aqueles que defendem apenas seus interesses, patrimônio e lucro, buscando aumentar a exploração dos trabalhadores, da natureza e dos recursos públicos. Nesse contexto, diversos órgãos da imprensa burguesa - os verdadeiros porta-vozes dos interesses dos capitalistas no campo - como Revista Veja, Estado de S. Paulo, Correio Braziliense, Zero Hora e a TV Bandeirantes, passaram a atacar o Movimento para inviabilizar medidas progressistas conquistadas com a luta.

Não há nenhuma novidade na postura política e ideológica desses veículos, que fazem parte da classe dominante e defendem os interesses do capital financeiro, dos bancos, do agronegócio e do latifúndio, virando de costas para os problemas estruturais da sociedade e para as dificuldades do povo brasileiro. Desesperados, tentam requentar velhas teses de que o movimento vive às custas de dinheiro público. Aliás, esses ataques vêm justamente de empresas que vivem de propaganda e recursos públicos ou que são suspeitas de benefícios em licitações do governo de São Paulo, como a Editora Abril.

Diante disso, gostaríamos de esclarecer a nossos amigos e amigas, que sempre nos apóiam e ajudam, que nunca recebemos nem utilizamos dinheiro público para fazer qualquer ocupação de terra, protesto ou marcha. Todas as nossas manifestações são realizadas com a contribuição das famílias acampadas e assentadas e com a solidariedade de cidadãos e entidades da sociedade civil. Temos também muito orgulho do apoio de entidades internacionais, que nos ajudam em projetos específicos e para as quais prestamos conta dos resultados em detalhes. Todos os recursos de origem do exterior passam pelo Banco Central. Não temos nada a esconder.

Em relação às entidades que atuam nos assentamentos de Reforma Agrária, que são centenas trabalhando em todo o país, defendemos a legitimidade dos convênios com os governos federal e estaduais e acreditamos na lisura do trabalho realizado. Essas entidades estão devidamente habilitadas nos órgãos públicos, são fiscalizadas e, inclusive, sofrem com perseguições políticas do TCU (Tribunal de Contas da União), controlado atualmente por filiados ao PSDB e DEM. Desenvolvem projetos de assistência técnica, alfabetização de adultos, capacitação, educação e saúde em assentamentos rurais, que são um direito dos assentados e um dever do Estado, de acordo com a Constituição.

Não esperávamos outro procedimento desses meios de comunicação. Os ataques contra o Movimento são antigos e nunca passaram da mais pura manifestação de ódio dos setores mais reacionários da classe dominante contra trabalhadores rurais que se organizaram e lutam por seus direitos. Vamos continuar com as nossas mobilizações porque apenas a pressão popular pode garantir o avanço da Reforma Agrária e dos direitos dos trabalhadores, independente da vontade da classe dominante e dos seus meios de comunicação.

Secretaria Nacional do MST

Niemeyer defende o CAU

Do nosso sindicato no rio, aqui.
Agora vai!

Oscar Niemeyer sai em defesa do CAU

O Mestre dos mestres divulga um documento histórico

O Arquiteto Oscar Niemeyer envia uma emocionada carta manifesto dirigida aos Deputados Federais e aos Senadores em defesa da criação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo - CAU.

O documento histórico foi confiado ao presidente do SARJ, Arquiteto Jeferson Salazar, que o levará para Brasília para ser distribuído aos parlamentares na Audiência Pública que será realizada nesta quinta-feira, 27 de agosto, na Câmara dos Deputados, onde será lida pelo presidente da Federação Nacional dos Arquitetos, Arquiteto Ângelo Arruda.

O manifesto do maior arquiteto brasileiro não deixa dúvidas em relação aos benefícios que a criação do CAU trará para a sociedade e para os arquitetos e urbanistas brasileiros. Sócio fundador do SARJ, Niemeyer tem acompanhado a luta pela criação de um conselho próprio ao longo de mais de cinquenta anos, conforme afirma no manifesto. Veja o documento na íntegra.

Participe você também da campanha pela aprovação do PL 4413, que cria o CAU, preenchendo o formulário que será automaticamente enviado aos Deputados Federais da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados. Clique aqui.

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A carta de Niemeyer