quinta-feira, 28 de abril de 2011

Protógenes luta para salvar a Satiagraha.

Do conversa afiada.


Protógenes luta para salvar a Satiagraha.
Viva o Brasil !




Viva o Brasil !
O Conversa Afiada recebeu o seguinte e-mail do deputado Protógenes Queiroz:

Participe! Diga sim à Operação Satiagraha e não à corrupção


O ministro temporário do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Adilson Vieira Macabu, está prestes a enterrar a operação que desvendou um dos maiores esquemas de desvios de verbas públicas e crimes financeiros do país. O Ministro e relator do processo no STJ aceitou o pedido de Habeas Corpos do acusado de corrupção e preso pela Polícia Federal, o banqueiro Daniel Dantas, e votou pela anulação de todo o processo penal contra o banqueiro.


O esquema foi denunciado pelo deputado Federal Delegado Protógenes (PCdoB-SP) no Plenário da Câmara dos Deputados, que mostrou documentos que provam ser o filho de ministro temporário do STJ, Adilson Macabu Filho, empregado do advogado Sérgio Bermudes patrocinador das causas de Daniel Dantas.


O ministro Napoleão Nunes Maia Filho acompanhou integralmente o voto de Macabu, o que estabeleceu o placar em dois a zero para a tese da anulação. O ministro Gilson Dipp pediu vista do processo e o julgamento foi suspenso. A previsão é que a análise do processo seja retomada no mês de maio. Além de Gilson Dipp, faltam votar mais dois ministros da 5ª turma do STJ: Jorge Mussi e Laurita Vaz.


Para impedir que o trabalho do Ministério Público e da Polícia Federal e de todos os brasileiros seja sepultado, o deputado Delegado Protógenes está organizando uma campanha de apoio à Satiagraha e contra a corrupção. Os ministros não podem aceitar que um banqueiro preso e acusado por desvio de dinheiro público seja inocentado.


DIGA SIM À SATIAGRAHA E NÃO À CORRUPÇÃO


Assine o nosso abaixo assinado (http://www.abaixoassinado.org) e mande um email para os ministros Gilson Dipp, Jorge Mussi, Laurita Vaz e para o presidente do STJ, Ari Pargendler, e diga que o povo não aceita o fim da Satiagraha.


Presidente do STJ Ari Pargendler presidencia@stj.jus.br


Ministro Gilson Dipp


stj.gmgd@stj.jus.br


Ministra Laurita Vaz


gabinete.laurita.vaz@stj.jus.br


Ministro Jorge Mussi


gmjm@stj.jus.br


Ministro Napoleão Nunes Maia Filho gab.napoleaomaia@stj.jus.br


Agradecemos a sua particpação e colocamos a disposição toda a nossa atenção para vos servir.


Deputado Federal Delegado Protógenes (PC do B/SP)

www.delegadoprotogenes.com.br

Saramago - Deus não existe

Dos cadernos de Saramago.


Criar para destruir

Por Fundação José Saramago
As religiões, como as revoluções, devoram os seus filhos. Há nas religiões um contínuo processo de devoramento em que Deus é como um Moloch que necessita do sacrifício humano. Imaginando que Deus existe ― e não lhe concedo o benefício da dúvida ―, Deus não pode, por boa lógica, criar seres para os destruir.
Expresso, Lisboa, 2 de Novembro de 1991
In José Saramago nas Suas Palavras

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Saramago - Aos ateus

Dos cadernos de Saramago.
Ateu sofre mesmo!

O lugar da incomodidade

Por Fundação José Saramago
Seria mais cómodo acreditar em Deus, mas escolhi o lugar da incomodidade.
Expresso, Lisboa, 2 de Novembro de 1991
In José Saramago nas Suas Palavras

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Lei Seca x Aécio: e se fosse o Lula?

Do Quanto tempo dura.

Com a palavra, o presidente Lula: reforma política

Dos amigos do presidente Lula.


Lula: - "Se quiserem acabar com a corrupção é preciso proibir dinheiro privado nas campanhas"




Lula reuniu-se com lideranças do PT em Osasco (SP), onde debateram a reforma política.

Ele resumiu um dos maiores problemas a se resolver:
"... p'ra gente acabar com a corrupção ... é que eu defendo a proibição de dinheiro privado e a constituição de um fundo público, como tem em outros países..."

Há pessoas que atacam a proposta, dizendo que financiamento só público não acabaria com o caixa-2.

Ora, caixa-2 é coisa fora-da-lei. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) tem a lei nas mãos para punir. Se a lei "não pega", o problema é a ineficiência ou mesmo corrupção no judiciário. Não tem sentido discutir leis para se adequar à mazelas do judiciário. É o judiciário o primeiro que preciso se enquadrar às leis.

O sistema de financiamento privado tem sua natureza corrupta é no caixa-1 mesmo. É o poder econômico influindo, escolhendo quem tem bala na agulha para ser eleito e quem não tem. E o poder econômico privilegia financiar quem atende melhor seus interesses.

A eleição de Lula foi uma exceção que quebrou essa regra, obrigando o poder econômico a engolir um ex-operário, porque ele disparou nas pesquisas em 2002, e deixou todos os outros adversários comendo poeira.

Um professor honesto ou um vereador corrupto

Para ilustrar vamos dar um exemplo hipotético, em uma cidade média.

Um professor, querido em sua escola e sua cidade após anos de ensino, é honesto e vive só com salário de professor. É muito conhecido e respeitado na cidade. Se candidata a deputado federal, empurrado por uma militância que pede renovação de quadros decentes na cidade.

Na mesma cidade, um vereador corrupto também se candidata ao mesmo cargo.

O professor faz campanha praticamente de porta em porta, com voluntários entusiasmados e com os parcos recursos, se comprometendo a lutar por melhoria na educação nacional e nas escolas locais, trazendo novos cursos. Se compromete a lutar por mais recursos para a saúde, por melhores salários para o funcionalismo do qual ele mesmo sente na pele o arrocho, defende uma reforma tributária mais justa com os mais pobres, para haver melhor distribuição de renda. Ouve a comunidade, mas não atende pedidos materiais, como saco de cimento, presentes, tanto porque não aceita comprar votos, como também não tem condições com o salário que ele tem.


Ele não promete emprego pra ninguém. Promete lutar para gerar empregos e para não deixar ninguém fora de programas sociais que tenham direito.

O vereador corrupto faz acordos por baixo dos panos com os empreiteiros locais para apresentar emendas ao orçamento para obras que eles querem, faz acordos com empresários prestadores de serviços para influir em nomeações e concorrências que envolvam contratos. Oferece cargos e recursos a outros vereadores aliados dele para combinarem com donos de empresas de ônibus aumento da passagem após as eleições. O dinheiro do empresariado jorra em sua campanha.

Cheio do dinheiro, faz campanha milionária. Financia campanhas de deputados estaduais nas cidades vizinhas, fazendo "dobrada". "Santinhos" com o nome dele inundam o estado inteiro ao lado de diversos deputados estaduais, para os quais repassa dinheiro para gasolina, pagar cabos eleitorais, panfleteiros, lanches, etc.

Sua campanha contratou centenas de panfleteiros para ficar nas esquinas e nas portas dos locais de movimento distribuindo santinhos. Para cada panfleteiro, insinua que haverá emprego em seu gabinete, iludindo-o a pedir votos na família inteira. Se fosse cumprir o que insinua, precisaria abrir vaga para algumas centenas de assessores.

Seus cabos eleitorais assediaram os moradores das casas para deixar colocar faixa da campanha dele. Em muitos casos, mediante dinheiro ou bens materiais em troca.

Aberta as urnas, o professor honesto até foi bem votado, mas quem foi eleito foi o vereador corrupto, inclusive com votos de outras cidades.

Isso é o que acontece com o financiamento privado.

Se houvesse financiamento só público, as chances dos dois seriam iguais. Os dois teriam a mesma verba pública, que não precisaria ser milionária. E com chances iguais, o professor venceria com folga.

Com financiamento só público, em vez de haver mais de 300 picaretas no Congresso, haveria uma maioria de pessoas que construíram sua carreira política através de liderança comunitária, sindical, trabalhista ou patronal, outros no bom desempenho na direção de uma escola ou de um hospital. Haveria lugar para bons policiais, professores, bons militares da reserva, funcionários públicos, aposentados, microempresários, empresários com responsabilidade social, mais juízes e mais promotores honestos seriam eleitos, enfim, a representação no Congresso seria mais próxima da cara, da realidade e dos verdadeiros interesses do povo brasileiro. Os picaretas seriam minoria, e teriam mais dificuldade em ficar impunes sem apoio dos demais.

Não vale o argumento de que se gastaria mais dinheiro público com as eleições. Em primeiro lugar, porque já se gasta muito através do horário no rádio e TV  (as TV's e rádio são pagas através de desconto nos Impostos) e a própria infra-estrutura do TSE e TRE's.

Em segundo lugar porque é melhor gastar um pouquinho a mais de quatro em quatro anos nas eleições, do que gastar nos 4 anos seguintes a cada eleição, o dinheiro desviado da corrupção, que a Polícia Federal corre atrás, mas muita gente fica impune no judiciário se tiver bons advogados.

Além disso, as campanhas podem ser mais austeras. Candidato que tem consistência, não precisa de propaganda martelando como se fosse uma marca nova de margarina para convencer os outros a votarem. A política passa a ser ocupada por lideranças mais autênticas e naturais, que tem serviços prestados à sociedade.

terça-feira, 19 de abril de 2011

O porre do Aécio: PiG mineiro não informa

Do quanto tempo dura.

O Porre do Aécio: Só pra confirmar, essa foi a capa REAL do Estado de Minas de hoje.

Conforme previsto, o “grande jornal dos mineiros” dedicou um total de ZERO LINHAS para falar sobre a parada de Aécio Neves em uma blitz da Lei Seca  próxima de sua residência no Rio de Janeiro.
A retenção da CNH, a recusa em soprar o bafômetro, o fato de que dirigir bêbado é CRIME e é perigoso pra caralho, o fato de que o ex-governador e atual senador de MINAS mora no Rio de Janeiro há muitos e muitos anos… NADA disso aparece no “grande jornal dos mineiros”
Minas Gerais é o buraco negro da informação.
O objetivo da elite local é que você saiba cada vez menos.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Racismo de Lobato - Carta Aberta ao Ziraldo

Do biscoito fino e a massa.
Difícil parar de ler.

sexta-feira, 18 de fevereiro 2011 

Carta Aberta ao Ziraldo, por Ana Maria Gonçalves


Caro Ziraldo,
Olho a triste figura de Monteiro Lobato abraçado a uma mulata, estampada nas camisetas do bloco carnavalesco carioca "Que merda é essa?" e vejo que foi obra sua. Fiquei curiosa para saber se você conhece a opinião de Lobato sobre os mestiços brasileiros e, de verdade, queria que não. Eu te respeitava, Ziraldo. Esperava que fosse o seu senso de humor falando mais alto do que a ignorância dos fatos, e por breves momentos até me senti vingada. Vingada contra o racismo do eugenista Monteiro Lobato que, em carta ao amigo Godofredo Rangel, desabafou: "(...)Dizem que a mestiçagem liquefaz essa cristalização racial que é o caráter e dá uns produtos instáveis. Isso no moral – e no físico, que feiúra! Num desfile, à tarde, pela horrível Rua Marechal Floriano, da gente que volta para os subúrbios, que perpassam todas as degenerescências, todas as formas e má-formas humanas – todas, menos a normal. Os negros da África, caçados a tiro e trazidos à força para a escravidão, vingaram-se do português de maneira mais terrível – amulatando-o e liquefazendo-o, dando aquela coisa residual que vem dos subúrbios pela manhã e reflui para os subúrbios à tarde. E vão apinhados como sardinhas e há um desastre por dia, metade não tem braço ou não tem perna, ou falta-lhes um dedo, ou mostram uma terrível cicatriz na cara. “Que foi?” “Desastre na Central.” Como consertar essa gente? Como sermos gente, no concerto dos povos? Que problema terríveis o pobre negro da África nos criou aqui, na sua inconsciente vingança!..." (em "A barca de Gleyre". São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1944. p.133).


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Ironia das ironias, Ziraldo, o nome do livro de onde foi tirado o trecho acima é inspirado em um quadro do pintor suíço Charles Gleyre (1808-1874), Ilusões Perdidas. Porque foi isso que aconteceu. Porque lendo uma matéria sobre o bloco e a sua participação, você assim o endossa : "Para acabar com a polêmica, coloquei o Monteiro Lobato sambando com uma mulata. Ele tem um conto sobre uma neguinha que é uma maravilha. Racismo tem ódio. Racismo sem ódio não é racismo. A ideia é acabar com essa brincadeira de achar que a gente é racista". A gente quem, Ziraldo? Para quem você se (auto) justifica? Quem te disse que racismo sem ódio, mesmo aquele com o "humor negro" de unir uma mulata a quem grande ódio teve por ela e pelo que ela representava, não é racismo? Monteiro Lobato, sempre que se referiu a negros e mulatos, foi com ódio, com desprezo, com a certeza absoluta da própria superioridade, fazendo uso do dom que lhe foi dado e pelo qual é admirado e defendido até hoje. Em uma das cartas que iam e vinham na barca de Gleyre (nem todas estão publicadas no livro, pois a seleção foi feita por Lobato, que as censurou, claro) com seu amigo Godofredo Rangel, Lobato confessou que sabia que a escrita "é um processo indireto de fazer eugenia, e os processos indiretos, no Brasil, 'work' muito mais eficientemente".
Lobato estava certo. Certíssimo. Até hoje, muitos dos que o leram não vêem nada de errado em seu processo de chamar negro de burro aqui, de fedorento ali, de macaco acolá, de urubu mais além. Porque os processos indiretos, ou seja, sem ódio, fazendo-se passar por gente boa e amiga das crianças e do Brasil, "work" muito bem. Lobato ficou frustradíssimo quando seu "processo" sem ódio, só na inteligência, não funcionou com os norte-americanos, quando ele tentou em vão encontrar editora que publicasse o que considerava ser sua obra prima em favor da eugenia e da eliminação, via esterilização, de todos os negros. Ele falava do livro "O presidente negro ou O choque das raças"que, ao contrário do que aconteceu nos Estados Unidos, país daquele povo que odeia negros, como você diz, Ziraldo, foi publicado no Brasil. Primeiro em capítulos no jornal carioca A Manhã, do qual Lobato era colaborador, e logo em seguida em edição da Editora Companhia Nacional, pertencente a Lobato. Tal livro foi dedicado secretamente ao amigo e médico eugenista Renato Kehl, em meio à vasta e duradoura correspondência trocada pelos dois: “Renato, tu és o pai da eugenia no Brasil e a ti devia eu dedicar meu Choque, grito de guerra pró-eugenia. Vejo que errei não te pondo lá no frontispício, mas perdoai a este estropeado amigo. (...) Precisamos lançar, vulgarizar estas idéias. A humanidade precisa de uma coisa só: póda. É como a vinha".
Impossibilitado de colher os frutos dessa poda nos EUA, Lobato desabafou com Godofredo Rangel: "Meu romance não encontra editor. [...]. Acham-no ofensivo à dignidade americana, visto admitir que depois de tantos séculos de progresso moral possa este povo, coletivamente, cometer a sangue frio o belo crime que sugeri. Errei vindo cá tão verde. Devia ter vindo no tempo em que eles linchavam os negros."Tempos depois, voltou a se animar: "Um escândalo literário equivale no mínimo a 2.000.000 dólares para o autor (...) Esse ovo de escândalo foi recusado por cinco editores conservadores e amigos de obras bem comportadas, mas acaba de encher de entusiasmo um editor judeu que quer que eu o refaça e ponha mais matéria de exasperação. Penso como ele e estou com idéias de enxertar um capítulo no qual conte a guerra donde resultou a conquista pelos Estados Unidos do México e toda essa infecção spanish da América Central. O meu judeu acha que com isso até uma proibição policial obteremos - o que vale um milhão de dólares. Um livro proibido aqui sai na Inglaterra e entra boothegued como o whisky e outras implicâncias dos puritanos". Lobato percebeu, Ziraldo, que talvez devesse apenas exasperar-se mais, ser mais claro em suas ideias, explicar melhor seu ódio e seu racismo, não importando a quem atingiria e nem por quanto tempo perduraria, e nem o quão fundo se instalaria na sociedade brasileira. Importava o dinheiro, não a exasperação dos ofendidos. 2.000.000 de dólares, ele pensava, por um ovo de escândalo. Como também foi por dinheiro que o Jeca Tatu, reabilitado, estampou as propagandas do Biotônico Fontoura.
Você sabe que isso dá dinheiro, Ziraldo, mesmo que o investimento tenha sido a longo prazo, como ironiza Ivan Lessa: "Ziraldo, o guerrilheiro do traço, está de parabéns. Finalmente o governo brasileiro tomou vergonha na cara e acabou de pagar o que devia pelo passe de Jeremias, o Bom, imortal personagem criado por aquele que também é conhecido como “o Lamarca do nanquim”. Depois do imenso sucesso do calunguinha nas páginas de diversas publicações, assim como também na venda de diversos produtos farmacêuticos, principalmente doenças da tireóide, nos idos de 70, Ziraldo, cognominado ainda nos meios esclarecidos como “o subversivo da caneta Pilot”, houve por bem (como Brutus, Ziraldo é um homem de bem; são todos uns homens de bem – e de bens também) vender a imagem de Jeremias para a loteca, ou seja, para a Caixa Econômica Federal (federal como em República Federativa do Brasil) durante o governo Médici ou Geisel (os déspotas esclarecidos em muito se assemelham, sendo por isso mesmo intercambiáveis)".
No tempo em que linchavam negros, disse Lobato, como se o linchamento ainda não fosse desse nosso tempo. Lincham-se negros nas ruas, nas portas dos shoppings e bancos, nas escolas de todos os níveis de ensino, inclusive o superior. O que é até irônico, porque Lobato nunca poderia imaginar que chegariam lá. Lincham-se negros, sem violência física, é claro, sem ódio, nos livros, nos artigos de jornais e revistas, nos cartoons e nas redes sociais, há muitos e muitos carnavais. Racismo não nasce do ódio ou amor, Ziraldo, sendo talvez a causa e não a consequência da presença daquele ou da ausência desse. Racismo nasce da relação de poder. De poder ter influência ou gerência sobre as vidas de quem é considerado inferior. "Em que estado voltaremos, Rangel," se pergunta Lobato, ao se lembrar do quadro para justificar a escolha do nome do livro de cartas trocadas, "desta nossa aventura de arte pelos mares da vida em fora? Como o velho de Gleyre? Cansados, rotos? As ilusões daquele homem eram as velas da barca – e não ficou nenhuma. Nossos dois barquinhos estão hoje cheios de velas novas e arrogantes, atadas ao mastro da nossa petulância. São as nossas ilusões". Ah, Ziraldo, quanta ilusão (ou seria petulância? arrogância; talvez? sensação de poder?) achar que impor à mulata a presença de Lobato nessa festa tipicamente negra, vá acabar com a polêmica e todos poderemos soltar as ancas e cada um que sambe como sabe e pode. Sem censura. Ou com censura, como querem os quemerdenses. Mesmo que nesse doCaçadas de Pedrinho a palavra censura não corresponda à verdade, servindo como mero pretexto para manifestação de discordância política, sem se importar com a carnavalização de um tema tão dolorido e tão caro a milhares de brasileiros. E o que torna tudo ainda mais apelativo é que o bloco aponta censura onde não existe e se submete, calado, ao pedido da prefeitura para que não use o próprio nome no desfile. Não foi assim? Você não teve que escrever "M*" porque a palavra "merda" foi censurada? Como é que se explica isso, Ziraldo? Mente-se e cala-se quando convém? Coerência é uma questão de caráter.
ziraldo_direitos_humanos.jpgO que o MEC solicita não é censura. É respeito aos Direitos Humanos. Ao direito de uma criança negra em uma sala de aula do ensino básico e público, não se ver representada (sim, porque os processos indiretos, como Lobato nos ensinou, "work" muito mais eficientemente) em personagens chamados de macacos, fedidos, burros, feios e outras indiretas mais. Você conhece os direitos humanos, inclusive foi o artista escolhido para ilustrar a Cartilha de Direitos Humanosencomendada pela Presidência da República, pelas secretarias Especial de Direitos Humanos e de Promoção dos Direitos Humanos, pela ONU, a UNESCO, pelo MEC e por vários outros órgãos. Muitos dos quais você agora desrespeita ao querer, com a sua ilustração, acabar de vez com a polêmica causada por gente que estudou e trabalhou com seriedade as questões de educação e desigualdade racial no Brasil. A adoção do Caçadas de Pedrinho vai contra a lei de Igualdade Racial e o Estatuto da Criança e do Adolescente, que você conhece e ilustrou tão bem. Na página 25 da sua Cartilha de Direitos Humanos, está escrito: "O único jeito de uma sociedade melhorar é caprichar nas suas crianças. Por isso, crianças e adolescentes têm prioridade em tudo que a sociedade faz para garantir os direitos humanos. Devem ser colocados a salvo de tudo que é violência e abuso. É como se os direitos humanos formassem um ninho para as crianças crescerem." Está lá, Ziraldo, leia de novo: "crianças e adolescentes têm prioridade". Em tudo. Principalmente em situações nas quais são desrespeitadas, como na leitura de um livro com passagens racistas, escrito por um escritor racista com finalidades racistas. Mas você não vê racismo e chama de patrulhamento do politicamente correto e censura. Você está pensando nas crianças, Ziraldo? Ou com medo de que, se a moda pega, a "censura" chegue ao seu direito de continuar brincando com o assunto? "Acho injusto fazer isso com uma figura da grandeza de Lobato", você disse em uma reportagem. E com as crianças, o público-alvo que você divide com Lobato, você acha justo? Sim, vocês dividem o mesmo público e, inclusive, alguns personagens, como uma boneca e pano e o Saci, da sua Turma do Pererê. Medo de censura, Ziraldo, talvez aos deslizes, chamemos assim, que podem ser cometidos apenas porque se acostuma a eles, a ponto de pensar que não são, de novo chamemos assim, deslizes.
A gente se acostuma, Ziraldo. Como o seu menino marrom se acostumou com as sandálias de dedo: "O menino marrom estava tão acostumado com aquelas sandálias que era capaz de jogar futebol com elas, apostar corridas, saltar obstáculos sem que as sandálias desgrudassem de seus pés. Vai ver, elas já faziam parte dele" (ZIRALDO, 1986,p. 06, em O Menino Marrom). O menino marrom, embora seja a figura simpática e esperta e bonita que você descreve, estava acostumado e fadado a ser pé-de-chinelo, em comparação ao seu amigo menino cor-de-rosa, porque "(...) um já está quase formado e o outro não estuda mais (...). Um já conseguiu um emprego, o outro foi despedido do quinto que conseguiu. Um passa seus dias lendo (...), um não lê coisa alguma, deixa tudo pra depois (...). Um pode ser diplomata ou chofer de caminhão. O outro vai ser poeta ou viver na contramão (...). Um adora um som moderno e o outro – Como é que pode? – se amarra é num pagode. (...) Um é um cara ótimo e o outro, sem qualquer duvida, é um sujeito muito bom. Um já não é mais rosado e o outro está mais marrom"(ZIRALDO, 1986, p.31). O menino marrom, ao crescer, talvez virasse marginal, fado de muito negro, como você nos mostra aqui: "(...) o menino cor-de-rosa resolveu perguntar: por que você vem todo o dia ver a velhinha atravessar a rua? E o menino marrom respondeu: Eu quero ver ela ser atropelada" (ZIRALDO, 1986, p.24), porque a própria professora tinha ensinado para ele a diferença e a (não) mistura das cores. Então ele pensou que "Ficar sozinho, às vezes, é bom: você começa a refletir, a pensar muito e consegue descobrir coisas lindas. Nessa de saber de cor e de luz (...) o menino marrom começou a entender porque é que o branco dava uma idéia de paz, de pureza e de alegria. E porque razão o preto simbolizava a angústia, a solidão, a tristeza. Ele pensava: o preto é a escuridão, o olho fechado; você não vê nada. O branco é o olho aberto, é a luz!" (ZIRALDO, 1986, p.29), e que deveria se conformar com isso e não se revoltar, não ter ódio nenhum ao ser ensinado que, daquela beleza, pureza e alegria que havia na cor branca, ele não tinha nada. O seu texto nos ensina que é assim, sem ódio, que se doma e se educa para que cada um saiba o seu lugar, com docilidade e resignação:"Meu querido amigo: Eu andava muito triste ultimamente, pois estava sentindo muito sua falta. Agora estou mais contente porque acabo de descobrir uma coisa importante: preto é, apenas, a ausência do branco" (ZIRALDO, 1986, p.30).
Olha que interessante, Ziraldo: nós que sabemos do racismo confesso de Lobato e conseguimos vê-lo em sua obra, somos acusados por você de "macaquear" (olha o termo aí) os Estados Unidos, vendo racismo em tudo. "Macaqueando" um pouco mais, será que eu poderia também acusá-lo de estar "macaqueando" Lobato, em trechos como os citados acima? Sem saber, é claro, mas como fruto da introjeção de um "processo" que ele provou que "work" com grande eficiência e ao qual podemos estar todos sujeitos, depois de sermos submetidos a ele na infância e crescermos em uma sociedade na qual não é combatido. Afinal, há quem diga que não somos racistas. Que quem vê o racismo, na maioria os negros, que o sofrem, estão apenas "macaqueando". Deveriam ficar calados e deixar dessa bobagem. Deveriam se inspirar no menino marrom e se resignarem. Como não fazem muitos meninos e meninas pretos e marrons, aqueles que são a ausência do branco, que se chateiam, que se ofendem, que sofrem preconceito nas ruas e nas escolas e ficam doídos, pensando nisso o tempo inteiro, pensando tanto nisso que perdem a vontade de ir à escola, começam a tirar notas baixas porque ficam matutando, ressentindo, a atenção guardadinha lá debaixo da dor. E como chegam à conclusão de que aquilo não vai mudar, que não vão dar em nada mesmo, que serão sempre pés-de-chinelo, saem por aí especializando-se na arte de esperar pelo atropelamento de velhinhas.
Racismo é um dos principais fatores responsáveis pela limitada participação do negro no sistema escolar, Ziraldo, porque desvia o foco, porque baixa a auto-estima, porque desvia o foco das atividades, porque a criança fica o tempo todo tendo que pensar em como não sofrer mais humilhações, e o material didático, em muitos casos, não facilita nada a vida delas. E quando alguma dessas crianças encontra um jeito de fugir a esse destino, mesmo que não tenha sido através da educação, fica insuportável e merece o linchamento público e exemplar, como o sofrido por Wilson Simonal. Como exemplo, temos a sua opinião sobre ele: "Era tolo, se achava o rei da cocada preta, coitado. E era mesmo. Era metido, insuportável". Sabe, Ziraldo, é por causa da perpetuação de estereótipos como esses que às vezes a gente nem percebe que eles estão ali, reproduzidos a partir de preconceitos adquiridos na infância, que a SEPPIR pediu que o MEC reavaliasse a adoção de Caçadas de Pedrinho. Não a censura, mas a reavaliação. Uma nota, talvez, para ser colocada junto com as outras notas que já estão lá para proteger os direitos das onças de não serem caçadas e o da ortografia, de evoluir. Já estão lá no livro essas duas notas e a SEPPIR pede mais uma apenas, para que as crianças e os adolescentes sejam "colocados a salvo de tudo que é violência e abuso", como está na cartilha que você ilustrou. Isso é um direito delas, como seres humanos. É por isso que tem gente lutando, como você também já lutou por direitos humanos e por reparação. É isso que a SEPPIR pede: reparação pelos danos causados pela escravidão e pelo racismo.
Assim você se defendeu de quem o atacou na época em que conseguiu fazer valer os seus direitos: "(…) Espero apenas que os leitores (que o criticam) não tenham sua casa invadida e, diante de seus filhos, sejam seqüestrados por componentes do exército brasileiro pelo fato de exercerem o direito de emitir sua corajosa opinião a meu respeito, eu, uma figura tão poderosa”. Ziraldo, você tem noção do que aconteceu com os, citando Lobato, "negros da África, caçados a tiro e trazidos à força para a escravidão", e do que acontece todos os dias com seus descendentes em um país que naturalizou e, paradoxalmente, nega o seu racismo? De quantos já morreram e ainda morrem todos os dias porque tem gente que não os leva a sério? Por causa do racismo é bem difícil que essa gente fadada a ser pé-de-chinelo a vida inteira, essas pessoas dos subúrbios, que perpassam todas as degenerescências, todas as formas e má-formas humanas – todas, menos a normal, - porque nelas está a ausência do branco, esse povo todo representado pela mulata dócil que você faz sorrir nos braços de um dos escritores mais racistas e perversos e interesseiros que o Brasil já teve, aquele que soube como ninguém que um país (racista) também de faz de homens e livros (racistas), por causa disso tudo, Ziraldo, é que eu ia dizendo ser quase impossível para essa gente marrom, herdeira dessa gente de cor que simboliza a angústia, a solidão, a tristeza, gerar pessoas tão importantes quanto você, dignas da reparação (que nem é financeira, no caso) que o Brasil também lhes deve: respeito. Respeito que precisou ser ancorado em lei para que tivesse validade, e cuja aplicação você chama de censura.menino-lendo.jpg
Junto com outros grandes nomes da literatura infantil brasileira, como Ana Maria MachadoRuth Rocha, você assinou uma carta que, em defesa de Lobato e contra a censura inventada pela imprensa, diz: "Suas criações têm formado, ao longo dos anos, gerações e gerações dos melhores escritores deste país que, a partir da leitura de suas obras, viram despertar sua vocação e sentiram-se destinados, cada um a seu modo, a repetir seu destino. (...) A maravilhosa obra de Monteiro Lobato faz parte do patrimônio cultural de todos nós – crianças, adultos, alunos, professores – brasileiros de todos os credos e raças. Nenhum de nós, nem os mais vividos, têm conhecimento de que os livros de Lobato nos tenham tornado pessoas desagregadas, intolerantes ou racistas. Pelo contrário: com ele aprendemos a amar imensamente este país e a alimentar esperança em seu futuro. Ela inaugura, nos albores do século passado, nossa confiança nos destinos do Brasil e é um dos pilares das nossas melhores conquistas culturais e sociais." É isso. Nos livros de Lobato está o racismo do racista, que ninguém vê, que vocês acham que não é problema, que é alicerce, que é necessário à formação das nossas futuras gerações, do nosso futuro. E é exatamente isso. Alicerce de uma sociedade que traz o racismo tão arraigado em sua formação que não consegue manter a necessária distância do foco, a necessário distância para enxergá-lo. Perpetuar isso parece ser patriótico, esse racismo que "faz parte do patrimônio cultural de todos nós – crianças, adultos, alunos, professores – brasileiros de todos os credos e raças." Sabe o que Lobato disse em carta ao seu amigo Poti, nos albores do século passado, em 1905? Ele chamava de patriota o brasileiro que se casasse com uma italiana ou alemã, para apurar esse povo, para acabar com essa raça degenerada que você, em sua ilustração, lhe entrega de braços abertos e sorridente. Perpetuar isso parece alimentar posições de pessoas que, mesmo não sendo ou mesmo não se achando racistas, não se percebem cometendo a atitude racista que você ilustrou tão bem: entregar essas crianças negras nos braços de quem nem queria que elas nascessem. Cada um a seu modo, a repetir seu destino. Quem é poderoso, que cobre, muito bem cobrado, seus direitos; quem não é, que sorria, entre na roda e aprenda a sambar.
Peguei-o para bode expiatório, Ziraldo? Sim, sempre tem que ter algum. E, sem ódio, espero que você não queira que eu morra por te criticar. Como faziam os racistas nos tempos em quem ainda linchavam negros. Esses abusados que não mais se calam e apelam para a lei ao serem chamados de "macaco", "carvão", "fedorento", "ladrão", "vagabundo", "coisa", "burro", e que agora querem ser tratados como gente, no concerto dos povos. Esses que, ao denunciarem e quererem se livrar do que lhes dói, tantos problemas criam aqui, nesse país do futuro. Em uma matéria do Correio Braziliense vocêdisse que "Os americanos odeiam os negros, mas aqui nunca houve uma organização como a Ku Klux Klan. No Brasil, onde branco rico entra, preto rico também entra. Pelé nunca foi alvo de uma manifestação de ódio racial. O racismo brasileiro é de outra natureza. Nós somos afetuosos”. Se dependesse de Monteiro Lobato, o Brasil teria tido sua Ku-Klux-Klan, Ziraldo. Leia só o que ele disse em carta ao amigo Arthur Neiva, enviada de Nova Iorque em 1928, querendo macaquear os brancos norte-americanos:"Diversos amigos me dizem: Por que não escreve suas impressões? E eu respondo: Porque é inútil e seria cair no ridículo. Escrever é aparecer no tablado de um circo muito mambembe, chamado imprensa, e exibir-se diante de uma assistência de moleques feeble-minded e despidos da menos noção de seriedade. Mulatada, em suma. País de mestiços onde o branco não tem força para organizar uma Kux-Klan é país perdido para altos destinos. André Siegfred resume numa frase as duas atitudes. "Nós defendemos o front da raça branca - diz o sul - e é graças a nós que os Estados Unidos não se tornaram um segundo Brasil". Um dia se fará justiça ao Kux-Klan; tivéssemos aí uma defesa dessa ordem, que mantém o negro no seu lugar, e estaríamos hoje livres da peste da imprensa carioca - mulatinho fazendo o jogo do galego, e sempre demolidor porque a mestiçagem do negro destroem (sic) a capacidade construtiva." Fosse feita a vontade de Lobato, Ziraldo, talvez não tivéssemos a imprensa carioca, talvez não tivéssemos você. Mas temos, porque, como você também diz, "o racismo brasileiro é de outra natureza. Nós somos afetuosos." Como, para acabar com a polêmica, você nos ilustra com o desenho para o bloco quemerdense. Olho para o rosto sorridente da mulata nos braços de Monteiro Lobato e quase posso ouvi-la dizer: "Só dói quando eu rio".
Com pesar, e em retribuição ao seu afeto,
Ana Maria Gonçalves
Negra, escritora, autora de Um defeito de cor.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Baía dos Porcos: Uma invasão fracassada que mudou o mundo há 50 anos

Do Sul 21.
Valeu, Fidel!


Baía dos Porcos: Uma invasão fracassada que mudou o mundo há 50 anos

Jorge Seadi
Há 50 anos, os Estados Unidos tentaram invadir Cuba. Fracassou. Foi um fracasso que  mudou o mundo, uma operação militar que modificou para sempre a relação dos Estados Unidos com a América e motivou o crescimento dos movimentos de guerrilha que varreram a América do Sul durante a década de 70.
Ao acusar a então União Soviética de instalar mísseis nucleares na ilha, os Estados Unidos tentaram a invasão com a desculpa de proteger a sua soberania. A atitude americana provocou, ao longo dos anos, milhares de mortes e o fim de várias democracias pela América.
Em 16 de abril de 1961, um pequeno exército de exilados cubanos, mercenários, agentes da CIA e assessores norte-americanos invadiram Cuba com o objetivo de derrotar Fidel Castro e assassinar os dirigentes do partido comunista que haviam derrubado o ditador Fulgêncio Batista. O objetivo era o de instalar na ilha caribenha um governo de acordo com os interesses políticos e econômicos dos Estados Unidos.
Conhecida como a invasão da Bahia dos Porcos, a ação foi um grande fracasso que terminou com boa parte dos invasores mortos e o restante preso pelo exército cubano. O regime cubano cresceu e o recém empossado presidente norte-americano John Kennedy sofreu uma derrota estrondosa.
Cuba sempre foi uma obsessão americana desde a vitória da Revolução, em janeiro de 1959. Logo depois, em agosto de 1960, quando Fidel Castro nacionalizou todas as empresas norte-americanas de petróleo, usinas de açúcar, de telefonia e de eletricidade, tornou-se alvo permanente. Os Estados Unidos tinham certeza de que Fidel Castro tinha o apoio, a simpatia e a proteção da União Soviética e de seu líder Nikita Khruschev e, por isso, iniciou a implantação de diversos planos para atacar seu modesto vizinho: sabotagens, golpes internos, rebelião interna, assassinato e invasões.
A invasão esteve a cargo da CIA, que treinou os membros da “Brigada 2506″, mil e duzentos homens identificados com o número de um jovem morto durante os treinamentos. A Casa Branca de Dwight Eisenhower colocou à disposição da CIA um “Grupo Especial” formado por funcionários do governo e militares. Hoje, graças aos biógrafos de Kennedy, sabe-se que o então eleito novo presidente americano fora informado dos planos, 25 dias após a sua eleição, em 29 de novembro de 1960. Kennedy duvidou da possibilidade de êxito da missão, mas não fez nada para impedi-la.
A primeira grande ação da CIA aconteceu no dia 15 de abril, quando aviões americanos pintados com as cores da bandeira cubana, bombardearam as bases militares da ilha  para destruir a força aérea de Cuba. Não tiveram êxito, um dos aviões foi abatido e o outro desceu em Miami com várias marcas de tiros.
No dia seguinte, durante o enterro dos mortos pelos bombardeios, Fidel Castro reafirmou a linha comunista e marxista da Revolução Cubana. A invasão seguiu adiante com vários erros. Em 17 de abril, a Brigada 2506, transportada por um falso avião cargueiro da CIA desembarcou nas praias Larga e Gyron. Os primeiros combates favoreceram os americanos que, depois foram cercados por 20 mil soldados de Cuba. Aos poucos, os invasores ficaram sem munição. A Brigada pediu ajuda à Força Aérea dos Estados  Unidos que foi impedida pelo presidente John Kennedy de ajudá-los. Kennedy se considerou enganado pela CIA que havia dito que haveria uma revolução interna em Cuba. Um fiasco.
A invasão da Bahia dos Porcos é um vexame para os americanos. Entre 100 e 400 homens morreram em combate  e 1200 foram presos.
Reunião decisiva para a Cuba atual
Começa amanhã, em Havana, um decisivo Congresso do Partido Comunista, no poder desde a revolução de 1959. Ele definirá a reforma econômica na tentativa de evitar a derrocada do sistema socialista e comunista. O Congresso deve confirmar também Fidel Castro como o chefe máximo do partido. O VI Congresso do PCC, o primeiro em 14 anos, irá marcar mudanças nos rumos da ilha, para atualizar o desgastado modelo socialista, como disse o presidente Raúl Castro.
Amanhã, pela manhã, haverá em Havana um desfile popular para reverenciar os 50 anos da proclamação do caráter socialista da Revolução e da contundente vitória na Bahia dos Porcos. O encerramento do desfile terá a presença de dezenas de milhares de jovens cubanos, a garantia de continuidade da Revolução.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Vídeo - Venezuelanos festejam 9 anos de vitória sobre o golpe

Do tijolaço.


Milhares de venezuelanos foram ás ruas de Caracas, hoje, para comemorar os nove anos da volta do Presidente Hugo Chávez ao poder, depois de ser derrubado e detido durante dois dias por oficiais rebelados e dirigentes empresariais daquele país. No dia 12 de abril de 2002, militares anunciam a “renúncia” de Chávez e empossam como presidente provisório do país Pedro Carmona, 60, presidente da organização empresarial venezuelana Fedecámaras -que destituiu o Congresso e anunciou novas eleições em um ano. Carmona governou o país por 24 horas. No dia seguinta, uma multidão de populares e militares legalistas faz o governo golpista fugir às pressas e promovem a volta do presidente legítimo.
Dois cineastas irlandeses, Kim Bartley e Donnacha O’Briain, que gravavam um documentário sobre a venezuela, acabaram registrando os acontecimentos num filme fantástico, que deve ser visto por todos. La Revolucion no será Televisada mostra o poder dos meios de comunicação e como seu controle é decisivo para manter – ou derrubar – a democracia.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Vila do Mar - Qualidade ao nosso litoral

Um projeto grandioso!


VILA DO MAR REQUALIFICA LITORAL OESTE DE FORTALEZA      

As obras de urbanização e requalificação ambiental do projeto Vila do Mar, que contemplam uma avenida litorânea, ciclovia, calçadões, praças de convivência, quadras poliesportivas, centro de artes e ofícios, anfiteatro e memorial, saneamento ambiental, proteção de encostas, engorda de praias e erradicação de áreas de risco já avançam em três quilômetros de extensão. Ao todo, a Prefeitura vai revitalizar os 5,5, km do litoral oeste, limitado pelos bairros Barra do Ceará, Cristo Redentor e Pirambu.

Já estão prontos uma praça de convivência, uma quadra esportiva e calçadões. Mesmo com as obras ainda em andamento, esses espaços já começam a ser utilizados pelos moradores. São crianças soltando pipa, jovens praticando surf, adultos e idosos praticando ginástica e realizando seu lazer. Os pescadores artesanais também já dispõem de um novo ponto de ancoradouro para suas jangadas, gerado pela área de mar calmo propiciada pelo novo espigão, construído pelo projeto Vila do Mar.

No pólo de lazer da Barra do Ceará, a reforma da praça Santiago, marco zero da cidade, está em estágio avançado. Próximo a ela, estão sendo edificadas novas barracas de praia, aprovadas pela Secretaria de Patrimônio da União, para substituir as atuais barracas distribuídas de forma desordenada no espaço da praia. Além das novas barracas, estão sendo construídos banheiros públicos ao longo do calçadão.

A nova avenida, acompanhada dos equipamentos públicos de lazer, esporte e cultura vai alterar a paisagem da cidade, devolvendo aos moradores e visitantes a beleza das praias, há anos encobertas por ocupações irregulares. As encostas e áreas de preservação ambiental permanente, antes degradadas e tomadas por habitações precárias já começam a despontar, exibindo sua a exuberância. A visão do mar, no trecho entre o Pólo de lazer da Barra do Ceará e a avenida Dr. Theberge, no Cristo Redentor, já é uma realidade.

Ainda em 2009, a reforma de quatro espigões e a construção de um novo quebra-mar possibilitou a engorda natural de segmentos das praias do Arpoador e das Goiabeiras. Com o avanço das obras de urbanização, neste ano de 2011, as encostas estão recebendo o plantio de vegetação para evitar a erosão, enquanto estruturas de pedra ajudam a estabilizar o terreno arenoso. Em parceria com a CAGECE, a prefeitura também assegura a recuperação do esgotamento sanitário da área contemplada pelas obras do Vila do Mar.

Na praia das Quatro Varas, será construído um anfiteatro, um memorial e um centro de artes e ofício para uso da comunidade. Esses equipamentos vão contribuir para o fortalecimento cultural local e estimular as ações de qualificação profissionalizante visando estimular o empreendedorismo e o turismo comunitário em toda a região beneficiada pelas obras do Vila do Mar. Já, na praia das Casas Novas, uma ampla praça será construída com playground, equipamentos de ginástica e área de convivência. No local do antigo kartódromo, será construído um novo espaço para a feira de artesãs e empreendedoras.

As obras de urbanização, iniciadas em agosto de 2010, somadas à infraestrutura de proteção das praias e à construção de conjuntos habitacionais, também em andamento, perfazem investimentos da ordem de R$142 milhões, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Fundo de Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS), Governo do Estado e Prefeitura. A previsão de conclusão das obras é o segundo semestre de 2012. O projeto é executado com a participação da Secretaria de Infraestrutura (SEINF), Secretaria Executiva Regional I (SER I) e Fundação de Desenvolvimento Habitacional de Fortaleza (Habitafor).


NOVAS HABITAÇÕES E ERRADICAÇÃO DE ÁREAS DE RISCO

A prioridade do Vila do Mar é manter a população habitando na área beneficiada, usufruindo dos benefícios gerados pelo projeto. Apenas os habitantes de áreas de risco e de preservação ambiental permanentes serão reassentados. Os atuais habitantes do litoral, ao longo da nova via, receberão os benefícios de 7.010 ações de regularização fundiária e 2.490 melhorias habitacionais. Junto ao trabalho das melhorias, a equipe social do projeto orientará as pessoas a cuidar e a zelar suas casas após as reformas recebidas.

As famílias que serão retiradas de seis áreas de risco, ao longo do litoral oeste da cidade, serão reassentadas em quatro conjuntos habitacionais, edificados na avenida Francisco Sá, mantendo uma proximidade de cerca de dois quilômetros das praias. Ao todo, serão construídas 1.434 habitações, além de quadras esportivas e praças de convivência.

Os novos apartamentos, que já estão em construção, dispõem de toda infraestrutura urbana, sendo localizados próximos a hospitais, escolas e pólos de comércio e serviços. Os habitacionais são dotados de água, esgoto, drenagem e saneamento. Além disso, foram desenhados em um padrão de arquitetura moderna, revelando beleza, ventilação, luminosidade e conforto.

Cada apartamento consta de dois quartos, sala cozinha, área de serviço e varanda, totalizando 48m2de área. O primeiro conjunto habitacional, com 264 unidades já está em fase de acabamento e deverá ser entregue ainda no primeiro semestre de 2011, os demais têm previsão de entrega para o ano de 2012.


AÇÕES COM AMPLA PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE

Depois de cinco décadas, a luta do povo do litoral oeste de Fortaleza foi acolhida pela Prefeitura. Aprovado pelo Orçamento Participativo (OP), em 2005, o projeto Vila do Mar teve um período de intensa escuta, com várias reuniões com moradores daquela área. Seguida da fase de planejamento e captação de recursos, iniciada em 2006.

De lá para cá, todas as ações são realizadas com a participação da comunidade. Para isso, foi criado um Comitê Gestor constituído por técnicos da Prefeitura e representantes de diversos segmentos organizados dos bairros Barra do Ceará, Cristo Redentor e Pirambu. Em reuniões sistemáticas, a coordenação do Projeto e o Comitê Gestor sugerem ajustes e implementam novas propostas de ação para atacar problemas históricos como segurança pública, desemprego e falta de qualificação profissional.

Em reuniões com moradores e segmentos como pescadores, barraqueiros, surfistas, artesãs e culinaristas, o Vila do Mar está planejando, implementando cursos e projetos sociais voltados para o estímulo ao empreendedorismo e ao turismo comunitário. Para tocar essas ações complementares, a coordenação do Projeto conta com as parcerias das secretarias municipais de Cultura, Direitos Humanos, Turismo, Assistência Social e Desenvolvimento Econômico.

VALORIZAÇÃO DOS PESCADORES ARTESANAIS

O Vila do Mar dedica especial atenção aos 434 pescadores artesanais do litoral oeste de Fortaleza. O segmento é constantemente ouvido através de contato permanente com a Colônia Z-8 e suas capatazias das Casas Novas, Marinha e Arpoador. No diálogo, são partilhadas as ações do projeto que atingem diretamente esse segmento. Em 2010, a construção do espigão na praia do Arpoador, possibilitou o surgimento de uma área de mar calmo, gerando um ancoradouro para as jangadas. Esse local foi palco da primeira regata Vila do Mar, realizada em julho do ano passado pelos pescadores artesanais.

Para fortalecer a categoria, o Projeto vai construir, na proximidade de cada atracadouro de jangadas, pontos de apoio para os pescadores abrigarem seus instrumentos de trabalho e realizarem reforma e manutenção de embarcações. Também serão construídas edificações para as três capatazias e a sede da Colônia Z-8 na Barra do Ceará.
O Vila do Mar também investe na realização de cursos para o melhoramento da atividade dos pescadores artesanais. O primeiro treinamento, previsto para o segundo semestre deste ano, com a participação do Instituto de Ciências do Mar (Labomar), vai fornecer orientações náuticas com uso de instrumentos, ordenamento pesqueiro, educação ambiental e boas práticas de manipulação de pescado.

Elizeu de Sousa
Jornalista. Especialista em Comunicação e Imagem / UFC.