Espaço dedicado ao debate de assuntos diversos do cotidiano, seja futebol, política, arquitetura ou alguma outra pertinência. Puxem a cadeira e sintam-se a vontade.
domingo, 5 de junho de 2011
Estado laico? ONU critica ensino religioso no Brasil
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Vídeo - Amanda Gurgel e a situação da educação no Brasil
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Com a Palavra, Paulo Freire: Educação
(Paulo Freire)
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Saramago - Shopping Centers (centros comerciais)
Uma ocasião estupenda
Por Fundação José SaramagoIn José Saramago nas Suas Palavras
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Saramago - Duvidar de tudo
Duvidar de tudo
Por Fundação José SaramagoIn José Saramago nas Suas Palavras
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Saramago - O que se quer mostrar como verdade
Genial. Nos mostra como nos ensinam história nas escolas. Felizmente na faculdade ensinaram história de uma maneira mais crítica. Talvez por ter estudado em uma universidade federal... Acabamos tendo que desconstruir a "verdade" que nos passaram por anos, para então formar um pensamento mais crítico.
O que se quer mostrar como verdade
Por Fundação José SaramagoIn José Saramago nas Suas Palavras
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Enem: instrumento de subversão marxista
É assim que nossa imprensa vê o ENEM.
Enem: instrumento de subversão marxista
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Escola do MST recebe melhor nota do Enem
Mais uma para integrar a série: "o que você não verá na imprensa golpista".
QUARTA-FEIRA, 17 DE NOVEMBRO DE 2010
Escola do MST recebe melhor nota do Enem
Nos últimos dias, a mídia demotucana tem feito um grande alarde contra o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Devido a falhas lamentáveis em algumas provas, ela decidiu transformar o assunto na sua primeira bandeira de oposição ao futuro governo Dilma Rousseff. De quebra, ainda presta um serviço à poderosa indústria do vestibular e às faculdades privadas. O Grupo Folha, dono da gráfica que imprimiu as provas irregulares, é um dos que mais fustiga o Enem.
Com sua cobertura enviesada e manipuladora, a mídia omite fatos curiosos do Enem. Um deles, que ela nunca divulgaria, é que a Escola Semente da Conquista, localizada no assentamento 25 de Maio, em Santa Catarina, foi o destaque do Exame Nacional em 2009, conforme noticiado na página oficial do Enem. Ela ocupou a primeira posição no município, com nota de 505,69.
Semente da Conquista
Nesta escola estudam 112 filhos de assentados, de 14 a 21 anos. Ela é dirigida por militantes do MST e os professores foram indicados pelos próprios assentados do município de Abelardo Luz, cidade com o maior número de famílias assentadas no estado. São 1.418 famílias, morando em 23 assentamentos. A primeira colocação no Enem foi comemorada pelas famílias de sem-terra.
A mídia, porém, nada falou sobre esta vitória. Segundo o sítio do MST, “essa conquista, histórica para uma instituição de ensino do campo, ficou fora da atenção da mídia, como também é pouco reconhecida pelas autoridades políticas de nosso estado. A engrenagem ideológica sustentada pela mídia e pelas elites rejeita todas as formas de protagonismo popular, especialmente quando esses sujeitos demonstram, na prática, que é possível outro modelo de educação”.
“A Escola Semente da Conquista é sinal de luta contra o sistema que nada faz contra os índices de analfabetismo e êxodo rural. Vale destacar que vivemos numa sociedade em que as melhores bibliotecas, cinemas, teatros são para uma pequena elite... Mesmo com todas as dificuldades, a escola foi destaque entre as escolas do município. Este fato não é apenas mérito dos educandos, mas sim da proposta pedagógica do MST, que tem na sua essência a formação de novos homens e mulheres, sujeitos do seu processo histórico em construção e em constante aprendizado”.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Frei Betto: revolução cubana se move criticamente sobre si mesma
Texto muito bom, vale a pena ler até o fim.
SEGUNDA-FEIRA, 15 DE NOVEMBRO DE 2010
Frei Betto: revolução cubana se move criticamente sobre si mesma
Por Frei Betto*
Um marxista cristão, soava então contraditório: o marxismo era considerado uma fé e não se podia ter duas.
Então propus em Havana um Encontro Latino-Americano de Educação Popular. Os cubanos prepararam tudo; mas no encontro não havia nem um cubano. Dois anos depois, consegui que a Casa das Américas organizasse um segundo encontro. Vários cubanos compareceram como meros assistentes, diziam que em Cuba tudo era educação popular e não havia necessidade de ter uma equipe para isso. No terceiro encontro, a participação cubana já foi ativa. Assim surgiu a equipe do Centro Martin Luther King.
Mas Paulo Freire não é o primeiro latino-americano a falar dessa metodologia. Para fazer justiça com a história, o primeiro que praticou educação popular foi José Martí. Martí dizia que era necessário levar os professores aos campos. E com eles, a ternura que faz falta aos homens. Seguramente o Che tinha lido essa frase quando disse que havia que endurecer, mas sem perder a ternura. Para Martí, “popular” não o era no sentido de pobre, mas de povo. A distinção rígida que se aplicava na Europa entre classe operária e burguesia, não se aplicava à América Latina. A luta aqui era entre aqueles que lutavam pela justiça e aqueles que tentavam manter a injustiça. Tudo não se explica por origem de classe. Se todos os pobres fossem revolucionários, não haveria capitalismo na América Latina.
Talvez vocês não saibam que é um fato biológico que as águias podem viver 70 anos no máximo. Mas quando chegam aos 30 ou 40, propendem à morte porque suas garras e seu bico já não são fortes para destruir as carnes com que se alimentam. E quando sentem que podem morrer, voam para o alto de uma montanha e arrancam as próprias garras e o bico. Esperam meses ali, até que voltem a nascer. Assim vivem outros 30 ou 40 anos mais. Hoje, a águia é Cuba. Digo-o porque acabo de ler os Lineamentos para o 6º Congresso do Partido Comunista: a Revolução Cubana tem a capacidade de mover-se criticamente sobre si mesma para sair adiante. Suas redes de educação popular têm muita importância nisso.
Assisti muito de perto a queda do Muro (de Berlim) e hoje muitos se perguntam: como é possível que depois de 70 anos de socialismo, a Rússia seja um país conhecido pela extrema corrupção? Algo não funcionou: o socialismo cometeu ali o erro de construir uma casa nova sem saber fazer novos habitantes. Não se fazem homens e mulheres automaticamente. Os que nascem numa sociedade socialista, não nascem necessariamente socialistas. Todo bebê é um capitalista exemplar: só pensa en si mesmo. O socialismo é o homem político do amor. E o amor é uma produção cultural. Seu objetivo final é criar uma comunidade amorosa entre si e o mundo. Às vezes olvidamos um princípio marxista. Eu, frade, fui professor de marxismo e não é a única contradição de minha vida. O ser humano não é mecânico. Há duas coisas que não podem ser previstas matematicamente: o movimento dos átomos e o comportamento humano.
O trabalho político deve ir para cada um dos homens. Por isso a Revolução Cubana resiste, porque não é uma peruca que vai de cima para baixo, mas um cabelo que cresce de baixo para cima. Aqui houve uma revolução de caráter eminentemente popular. A vitória estratégica, de Fidel, não fala de educação popular; mas se fez.
Termino com uma parábola: havia um homem muito formado ideologicamente, poderoso em seu sistema; mas muito infeliz. Saiu pelo mundo na busca da felicidade. Chegou a um país árabe – onde se dão sempre as boas lendas – e quis comprá-la em seus mercados. Disseram-lhe que essa mercadoria não existia, mas por um jovem soube de uma tenda no deserto onde podia encontrá-la. Saiu em sua caravana de camelos, atravessou o deserto e viu a tenda com um cartaz que dizia: “aqui se encontra a felicidade”. Disse à vendedora: “diga-me quanto custa”. E ela respondeu: “não, senhor, aqui não vendemos felicidade, aqui a damos gratuitamente”. E lhe trouxe uma pequena caixa de fósforos com três pequenas sementes: a semente da solidariedade, a da generosidade e a do companheirismo. “Cultive-as – disse – e será feliz”. Muito obrigado.
*Versão das palavras pronunciadas por Frei Betto no contexto do 4º Encontro Nacional de Educadoras e Educadores Populares, em Havana, em 10 de novembro de 2010. Fonte: CubaDebate
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
terça-feira, 9 de novembro de 2010
As falhas no Enem e os interesses que se movem nos bastidores
As falhas no Enem e os interesses que se movem nos bastidores
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
É pra ficar ligado: A velha mídia quer liberdade só para fazer propaganda (política)
Assinem o abaixo-assinado. O direito à liberdade de opinião agradece.
A velha mídia quer liberdade só para fazer propaganda

Dois fatos recentes esclarecedores:
1) A psicanalista Maria Rita Kehl foi demitida pelo Jornal O Estado de S. Paulo por artigo onde critica a desqualificação dos votos dos pobres. Diz ela: "Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos". Tais palavras foram consideradas pelo jornal como "delito de opinião", punido com sua demissão. Quer dizer, o jornal acha que voto de pobre não vale nada, e liberdade em suas páginas para alguém dizer o contrário é proibido. É o mesmo jornal que brada ter sido censurado recentemente, uma vítima, um desrespeito à liberdade de expressão. Quer dizer, liberdade da porta para a fora de seu prédio. Dentro, só o apoio ao candidato demotucano e seus preconceitos contra o andar de baixo.
2) Aula de jornalismo na PUC no Rio, manhã do dia 5 de outubro. A professora Marília Martins, jornalista do jornal O Globo, comenta as recentes provas de seus alunos. Para uma aluna, Gizele Martins, dirige as mais pesadas críticas. Seu crime, segundo a jornalista, ter apresentado um bom texto, mas "totalmente parcial". Ao falar do direito à moradia, a luta social que envolve a questão, a professora disse que a aluna demonstrou "simpatias" pelo MST e o Movimentos dos Sem Teto, organizações criminosas, segundo ela. E ainda alertou a aluna para que guardasse bem o diploma, pois precisaria dele para garantir "uma cela de luxo" quando estivesse na prisão. Afirmou, por fim, que defende a liberdade de expressão, mas que não há lugar para a Gizele na imprensa.
Certamente não, nesta imprensa. A Gisele teria que dizer que movimento social é sempre criminoso, que os pobres não sabem votar, mas que há "homens de bem", como o vampirotucano que pode salvar o país. Não é uma receita de jornalismo, mas de propaganda. A mídia existe, tem concessões públicas, para vender seus produtos mentirosos, contrários ao interesse de informação do povo brasileiro.
Quem, como eu, deseja apoiar a Gizele, assine o abaixo-assinado em seu favor aqui.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Faculdade em Caucaia terá 100% de energia eólica e solar
Faculdade será iluminada por energia eólica e solar
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Jovens estadunidenses mostram a sua "supremacia" cultural.
Para jovens americanos, Beethoven latia
Uma reportagem da Agência France Press, publicada aqui pelo Jornal do Brasil que me deixou pensando como maltratamos a autoestima do brasileiro. Alguns apresentadores de televisão, volta e meia, se divertem reproduzindo besteiras escritas por estudantes brasileiros. Mas, e nos outros países?
Uma pesquisa sobre conhecimentos gerais realizada entre os alunos da Universidade de Beloit, no meio-oeste dos Estados Unidos, que para a maioria daqueles estudantes acredita que o compositor alemão Beethoven é um cachorro de filme e que o grande artista italiano Michelangelo seria um vírus de computador.
A pesquisa chamada Mindset, montada pelos professores Tom McBride e Ron Nief, teve por objetivo mostrar como as referências culturais se perdem rápido entre os jovens americanos, mas seus resultados mostram mais do que isso: são o reflexo de uma sociedade que ainda fecha seus olhos para qualquer referência cultural estrangeira e que esquece até mesmo os grandes ícones de seu próprio país.
Num país onde o modelo de educação é tão invejado e que é tido como a grande metrópole do mundo ocidental, os jovens estão simplesmente ignorando sua própria história e mostrando que pouco se importam com informações culturais que não sejam técnicas e consideradas necessárias por eles mesmos.
Na pesquisa, a maioria dos alunos disse acreditar que só havia existido um papa (João Paulo II), que a Iugoslávia nunca foi um país, que o Apartheid sul-africano era uma obra de ficção, que a Alemanha nunca foi dividida e disseram não compreender porque é que o nome do sindicato polonês Solidariedad, única instituição do tipo que tinha sua voz ouvida por toda a União Soviética no final do regime comunista, deveria ser escrito com letra maiúscula.
Nem as refrências tipicamente americanas permanecem na memória dos jovens. Para eles, Mike Tyson sempre foi um delinquente, os reality shows sempre existiram e que nunca foi permitido fumar no interior de aviões. Até mesmo quando o assunto é Hollywoood, a meca todo-poderosa da cultura americana, os jovens universitários decepcionaram na pesquisa, afirmando que o astro Clint Eastwood nunca foi o personagem Dirty Harry, dos filmes policiais.
A preocupação, na verdade, não é com a falta de referências pontuais sobre este ou aquele assunto. Claro que ninguém é obrigado a saber que Bethooven foi um dos mais importantes compositores clássicos da história. A grande questão é que os jovens americanos estão virando as costas para tudo aquilo que veio antes deles, dando de ombros até mesmo para história moderna dos EUA, tão importante na formação daquele país como ele é hoje.
Mas nossas elites bobocas continuam achando que aqui somos um bando de idiotas e que a educação boa, mesmo, é lá nos EUA. Os que podem, mandam os meninos para lá e eles voltam para, em geral, reproduzir o mesmo modelo de cabeça colonizada. Os que não podem, mas sonham em aculturar-se, contentam-se em aprender inglês, como o Otavinho Frias acha essencial para ser presidente, e passam a dizer que aqui, temos um “povinho burro”, que vai eleger “aquela mulher”.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Twitteiros se mobilizam e pedem para ver o #diplomadoserra
O diploma do zezinho é tão verdadeiro quanto a ficha de terrorista da Dilma.
Twitteiros se mobilizam e pedem para ver o #diplomadoserra
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Enquanto isso... no Texas
Até eles tem vergonha do capitalismo?
Do tijolaço.
Conservadores ‘reescrevem’ a História, no Texas
Como o Governo Obama prometeu mas não entregou uma nova maneira de viver aos EUA, por toda a parte a direita mais retrógrada se reorganiza e avança. Primeiro foi a lei racista de imigração no Arizona. Agora, sexta-feira, no Texas, o Conselho de Educação do Estado aprovou um novo currículo para os cursos de história que mostram que as idéias obscurantistas teimam em se impor.
Segundo o jornal inglês The Daily Telegraph, os conselheiros educacionais decidiram que as escolas texanas vão adotar um currículo onde a expressão capitalismo será substituída por “livre iniciativa”, a o tráfico de escravos por ” comércio triangular do Atlântico”, e o apoio da ONU à ajuda humanitária internacional e as iniciativas ambientais são tratada como ameaças à liberdade individual e da soberania dos EUA.
Os cinco conselheiros ligados aos democratas tentaram resistir à maioria republicana, mas não deu. Agora, faz parte do currículo estudar os pontos de vista da organização conservadora “Maioria Moral” e da National Rifle Association, entidade que defente o direito à posse indiscriminada de armas.
E as sanções, claro, são para o Irã.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
O preço do capitalismo - Livros para a fogueira
É o preço do capitalismo, amigo. Não há valores, não há ética, não há sustentabilidade. O que importa é o mercado, é o capital...
Uma editora que manda destruir livros?
É que a maior casa editora do país, a Ediouro, mandou uma mensagem mandando que os livreiros destruíssem centenas de títulos - e milhares de exemplares – de livros que não estão tendo “boa saída”. Entre os condenados à morte por estilete – a mensagem é detalhada sobre como deve ser a destruição e a sua prova – estão Mário Quintana, Tolstói, Ferreira Gullar, Shakespeare, Nélson Rodrigues…
Felizmente, diante do protesto dos livreiros, a editora suspendeu a ordem. Está negociando descontos para que sejam comprados por preço mais baixos e vendidos em promoção. Menos mal, mas só o fato de uma barbaridade assim ter sido ordenada já é um absurdo. Está aí um tema sobre o qual vou procurar agir, pois as casas editoras gozam de uma série de imunidades tributárias que representam um subsídio – e muito justo – à publicação de livros – inclusive destes livros que se mandou destruir.
Eles poderiam, perfeitamente, ser doados às escolas, bibliotecas, centros sociais públicos e não terem a fogueira ou a lixeira como destino. Com todo o respeito, achei uma monstruosidade um livreiro dizer na matéria que o feijão deveria ser gratuito, mas que aí não haveria mercado e o mesmo acontece com os livros. Isso não justifica que se jogue nem comida nem livros fora.
terça-feira, 20 de abril de 2010
O trator de niterói - ignorância ou arrogância?
Do tijolaço.
Para quem não lê, escola. Para quem mora mal, trator?
Aí vem alguém e diz que “ temos que acabar com o analfabetismo”, como se fosse a coisa mais simples do mundo, não apenas alfabetizar as crianças que estavam nascendo e crescendo como também aqueles milhões de adultos analfabetos que se constituíam em um espécie de “dívida” que aquele país tinha acumulado.
Bom, se aparecesse um governante que quisesse isso, ele certamente não ia poder acabar com o analfabetismo em pouco tempo, não é? E não poderia, se tivesse um pouco de humanidade, discriminar ou maltratar quem fosse analfabeto, não é mesmo?
O problema da habitação é mais ou menos assim. Durante mais de 20 anos, desde que acabaram com o BNH – que, com todos os seus defeitos, ainda fazia alguma coisa -, o Brasil não teve nenhuma política pública de habitação. Quem quisesse ter uma casa legalizada, em área urbanizada e segura, que pagasse o preço cobrado no mercado.
E quem não podia pagar, o que fazer?
O trecho acima é o início da coluna dominical que publico no jornal O Povo do Rio e que você pode ler, na íntegra, aqui.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
O gênio da matemática
Ricardo vence pela quarta vez consecutiva a maior olimpíada de matemática do mundo (19milhões de concorrentes).
Ah, ele é cearense e portador de deficiência... e pobre. Céus! Deve ser por isso que a imprensa golpista não mostra nada.
Por que o Bonner e o Kamel ignoram o Ricardo e o Lula. A maior Olimpíada de Matemática do mundo
Em 2005, a professora Sueli Druck levou ao Presidente Lula os vencedores de um restrito concurso de matemática da sociedade brasileira de Matemática.
O concurso, duríssimo, tinha a finalidade de escolher os estudantes brasileiros que competiriam em maratonas internacionais de Matemática.
O presidente Lula perguntou se havia ali algum estudante de escola pública.
A professora respondeu que não: eram todos de escolas pagas.
Por que não ter estudantes de escolas públicas ?, perguntou Lula.
Ontem, no Rio, quando o Globo e o jornal nacional destruíram o Rio , Sueli Druck – professora de Matemática da Universidade Federal Fluminense e aluna do magnífico Colégio de Aplicação da UFRJ – e o presidente Lula entregaram 300 medalhas de ouro aos alunos que mais se destacaram na Olimpíada de Matemática de Escolas Públicas Brasileiras.
E aos professores penta-campeões, ou seja, professores que há cinco anos colocam os alunos nas melhores posições.
Sabe, amigo navegante, quantos alunos competiram este ano ?
Dezenove milhões e meio de estudantes !
É a MAIOR Olimpíada de Matemática do MUNDO !
Participam estudantes de 5.500 municípios e de 44 mil escolas públicas de todo o país – municipais, estaduais e federais.
As provas são para três níveis de estudantes.
Há medalhas de ouro, prata e bronze.
Há um programa de “jovens talentos”, em associação com o CNPQ, do Ministério da Ciência e Tecnologia, em laboratórios em 888 municípios brasileiros.
O objetivo é encaminhar os talentos que a Olimpíada revela para cursos de preparação em atividades de tecnologia de ponta.
Um verdadeiro horror !, amigo navegante.
Dar aos pobres das escolas públicas acesso a tecnologia de ponta, a partir da Matemática.
Que horror !
O tetra-campeão da Olimpíada de Matemática é o Ricardo Oliveira, filho de lavradores do interior do Ceará.
O Ricardo tem uma distrofia e é cadeirante.
Penta-campeão.
Claro que o Bonner e o Ali Kamel não podiam falar do Ricardo, ontem.
Era preciso destruir o Rio e o Lula.
Aguarde a íntegra da entrevista em áudio.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Imagem - A sociedade em que vivemos
Só pra dizer que quem critica os direitos humanos sofre de acefalia.
A ocasião faz o ladrão, é o que dizem. O determinismo social, o modelo burro de sociedade em que vivemos, é que faz o ladrão...
Pobre criança.
Olha aí, esse é meu guri. É seu também? É nosso?
Quem já foi assaltado, como se tentou fazer ontem, no centro do Rio, como este senhor argentino na foto que O Globo publica hoje, sabe que, na hora, a sensação é de medo e de vontade de reagir a esta agressão. Mas sabe que tem, ali, de manter a cabeça fria e evitar que um problema se transforme numa tragédia. Seria terrível se por algumas notas de dinheiro ou um relógio este homem perdesse a vida ou fosse ferido, não é?
Eu sei que vai ter gente que, de tão estressada e machucada com a situação de insegurança que a gente vive que vai discordar de mim. Paciência. Estou aqui para ser sincero e dizer daquilo que acredito e não para ser “palatável” por todos e garimpar uns votos. Meu pensamento e meu coração me exigem isso.
Queria convidar a todos para um raciocínio, sem hipocrisias. Aquele garoto, talvez com 10 ou 11 anos, foi preso. Honestamente, a chance de ele recuperar-se, mesmo que tivéssemos os melhores estabelecimentos correcionais – e não os temos – não seria das maiores. De abrigo em abrigo, depois de cadeia em cadeia, é bem possível que este menino se torne um criminoso.
Isso justificaria matar esta criança, como fizeram os massacradores da Candelária? Uma sociedade que se pretende civilizada pode instituir a pena de morte, ainda mais para uma criança desta idade? Você se disporia a matar uma criança desta idade?
Desculpem-me ser cru assim, mas se não nos dispomos a isso, temos que jogar o jogo difícil da recuperação, que é um jogo pesado, caro e de, reconheçamos, chances menores.
Este menino não foi parar aí em um dia. Ele fez um longo caminho até chegar a esta situação degradada. Ele está na escola? Provavelmente, não. Já esteve? Provavelmente, sim. Por que saiu? Alguém se importou com isso? Alguém ligou para o que ele fazia e como vivia nas outras 20 horas do dia em que não estava na escola mesquinha que teve? Alguém se preocupou mais com o que uma reprovação no primeiro ou no segundo ano deixou-lhe de recalque ou fez seus pais entenderem que ele “não tinha jeito pra estudar”?
Não é por ser negro ou pobre que este menino não podia ser meu ou seu filho. É assim que reagimos com nossos filhos, nesta idade? Poderíamos falhar, fracassar até, mas eu asseguro que estaríamos tentando, e tentando, e tentando mudar. Porque? Porque os amamos.
Quem amou este menino? Quem lhe deu tudo – mesmo sendo pouco – o que lhe poderia ter sido dado? Quem o acompanhou, quem lhe deu noções, quem lhe deu comida, saúde, orientação, brincadeira, alegria, carinho, disciplina, valores? Quem, um dia, lhe deu um ambiente de amor e não de indiferença? A família? A escola? A sociedade?
Nós, a sociedade, o que vamos lhe dar, agora? Quantos milhares de policiais teremos de pagar porque deixamos ele e milhares de outros guris chegarem aí? E vai adiantar?
Ele está roubando, ou tentando roubar, uma carteira. Tem de ser detido, sim. E nosso modelo de sociedade, roubou o quê dele? Esse modelo também precisa ser detido ou pode seguir fazendo mais mil, dez mil, cem mil destes guris?
A causa da educação pública, a causa de uma escola que acolha, assista, acompanhe, enfim, que ame de verdade as nossas crianças e que -como fazemos com nossos filhos – lhes dê tudo o que pudermos dar não é apenas para salvar este menino e todos como ele.
É para salvar-nos a todos de embrutecer. Salvemo-nos disso, por favor.
