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domingo, 5 de junho de 2011

Estado laico? ONU critica ensino religioso no Brasil

Do blog Ateus do Brasil.


ONU critica ensino religioso no Brasil

Olha o Brasil passando vergonha de novo por causa dos católicos. A ONU criticou nosso país por ser conivente com a Igreja Católica na insistente quebra do laicismo nacional ao permitir que centenas de escolas em pelo menos 11 estados imponham o ensino religioso nas escolas públicas. Pior, o relatório vai ser apresentado no Conselho de Direitos Humanos esta semana.
O relatório de Farida Shaheed alerta para a intolerância religiosa e racismo que persistem na sociedade brasileira. Casos graves vêm acontecendo de evangélicos atacando religiões afro-brasileiras, além é claro daqueles acordos brasileiros feitos com o Vaticano, aquela pracinha de Roma que foi declarada como sendo um país pelos fascistas e que, apesar de não ter mais de 50 pessoas, tem um PIB 3 vezes maior do que a Itália.
Os estados citados no relatório são Alagoas, Amapá, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro (graças ao Garotinho), Rio Grande do Sul, e Santa Catarina.
Para Farida, “deixar o conteúdo de cursos religiosos ser determinado pelo sistema de crença pessoal de professores ou administradores de escolas, usar o ensino religioso como proselitismo, ensino religioso compulsório e excluir religiões de origem africana do curriculum foram relatados como principais preocupações que impedem a implementação efetiva do que é previsto na Constituição”.
Fontes: EstadãoPaulopes.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Com a Palavra, Paulo Freire: Educação

"Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo".

(Paulo Freire)

Dica do dr. Zem.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Saramago - Shopping Centers (centros comerciais)

Dos cadernos de Saramago.


Uma ocasião estupenda

Por Fundação José Saramago
Não são só as pequenas livrarias que estão a chegar ao seu fim, é todo o pequeno comércio. O que se quer? Que as pessoas se solidarizem com o pequeno comércio? Não, as pessoas procuram os seus interesses e encontram tudo no centro comercial, compram no centro comercial. Há uma coisa que não se diz, é que no centro comercial não é preciso falar, ao contrário das lojas, uma pessoa pega no que precisa, paga e vai-se embora. Temos de assumir que há coisas que já não são necessárias, e o mundo não se pode transformar num museu. O problema não está tanto na existência do centro comercial; está tudo no deslocamento do poder. As multinacionais é que mandam e os centros comerciais são pontos de implantação de um sistema económico, o nosso. O problema que se coloca é: que tipo de vida queremos? O único lugar público seguro que existe é o centro comercial, como antes era o parque, a rua, a praça. Não tenho saudade de outro tempo, mas temos de nos referir ao passado para entendermos o presente. O centro comercial é a nova catedral e a nova universidade: ocupa o espaço de formação da mentalidade humana. Os centros comerciais são um símbolo. Não tenho nada contra eles, o que estou é contra uma forma de ser, de um espírito quase autista de consumidores obcecados pela posse de coisas. É aterradora a quantidade de coisas inúteis que se fabricam e se vendem. E o Natal é uma ocasião estupenda para comprovar isso.
“José Saramago: ‘La globalización es el nuevo totalitarismo”,Época, Madrid, 21 de Janeiro de 2001
In José Saramago nas Suas Palavras

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Saramago - Duvidar de tudo

Dos cadernos de Saramago.


Duvidar de tudo

Por Fundação José Saramago
Sim, essa é a minha postura, duvidar de tudo. Se há algo que possa ser útil para o leitor, não é justamente que ele termine pensando como eu penso mas que logre colocar em dúvida o que eu digo. O melhor é que o leitor perda essa postura de respeito, de acatamento do que está escrito. Não há verdades tão fortes que não possam ser postas em dúvida. Temos de dar-nos conta de que nos estão a contar histórias. Quando se escreve a história de qualquer país, temos de saber isso. A realidade profunda é outra. O historiador, muitas vezes, é alguém que está a transmitir uma ideologia. Se fosse possível reunir numa História todas as histórias – para além da História escrita e oficial -, começaríamos a ter uma ideia sobre o que se passou na realidade.
“José Saramago. Escritor. ‘Ninguna verdad es definitiva”, La Maga, Buenos Aires, 30 de Março de 1994
In José Saramago nas Suas Palavras

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Saramago - O que se quer mostrar como verdade

Dos cadernos de Saramago.
Genial. Nos mostra como nos ensinam história nas escolas. Felizmente na faculdade ensinaram história de uma maneira mais crítica. Talvez por ter estudado em uma universidade federal... Acabamos tendo que desconstruir a "verdade" que nos passaram por anos, para então formar um pensamento mais crítico.

O que se quer mostrar como verdade

Por Fundação José Saramago
Que diabo é a verdade histórica? Apenas algo que foi desenhado e que logo depois de estabelecido foi rodeado de obscuridade para que a única imagem que pudesse ser vista, destacada, fosse essa que se quer mostrar como verdade. A tarefa é retirar tudo o que está a negro, saber o que ficou sem contar, sem mostrar.
“José Saramago. Escritor. ‘Ninguna verdad es definitiva”, La Maga, Buenos Aires, 30 de marzo de 1994
In José Saramago nas Suas Palavras

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Enem: instrumento de subversão marxista

Do prof. Hariovaldo.
É assim que nossa imprensa vê o ENEM.


Enem: instrumento de subversão marxista


Enem a pau!
O Enem cada dia mais se transforma num mecanismo de subversão social e doutrinação marxista para juventude
Não existe ofensa maior aos homens de bem do que tentar equivaler os seus filhos aos filhos da gentalha, subvertendo a ordem natural e divina que edificou os estamentos da República pelo nascituro, incentivando a usurpação pelas classes subalternas dos lugares pré-estabelecidos para os jovens mancebos de bem, através do famigerado Enem, um dos pilares da subversão comunista implantado pela ditadura lullodilmista no Brasil. Esse pseudo exame que a cada dia mais se imbui do conteúdo ideológico bolchevista, obrigando os alunos a estudarem os demoníacos textos de Carlos Marques para responderem às questões da prova, enquanto suas pobres cabecinhas vão sendo entorpecidas pelo mal, ficando a mercê de todo tipo de mentiras e enganações armadas pelos comunistas contra a salutar escala social, necessária ao pleno desenvolvimento da sociedade nacional.
Cada um deve ter o estudo adequado a sua classe social, por isso é um grande absurdo a ilusão que o sapo barbudo vendeu para a gentalha de que filho de pedreiro, de carpinteiro, de padeiro, pode ser doutor! É inaceitável dividirmos nossas universidades com este tipo de gente. Na onde já se viu uma empregada doméstica que trabalha na mansão de uma homem bom querer que sua filha estude medicina na mesma faculdade da filha do seu patrão? É um absurdo, um acinte horroroso contra todos nós. É preciso que esse povo desqualificado seja contido em seus devidos lugares para evitar o desmoronamento dos alicerces republicanos instituídos pelos nosso ancestrais.
A educação para as classes populares deve se ater às necessidades dos ofícios para qual estas classes se destinam, caso contrário em breve enfrentaremos grandes transtornos pela falta de serviçais qualificados, desde a industria até nossas humildes mansões. O ensino para esta gente deva ser técnico, visando a formação de bons mecânicos, motoristas, lavadeiras, cozinheiros, serventes, babás, jardineiros, garçons, etc, etc, e etc. Nada de vermos os filhos da pobreza tomando os lugares dos belos jovens de tez alva e olhos claros nas melhores universidades do país. Enem para estes moreninhos nem agora Enem nunca.
E tenho dito!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Escola do MST recebe melhor nota do Enem

Do blog do Miro.
Mais uma para integrar a série: "o que você não verá na imprensa golpista".

QUARTA-FEIRA, 17 DE NOVEMBRO DE 2010

Escola do MST recebe melhor nota do Enem
Por Altamiro Borges

Nos últimos dias, a mídia demotucana tem feito um grande alarde contra o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Devido a falhas lamentáveis em algumas provas, ela decidiu transformar o assunto na sua primeira bandeira de oposição ao futuro governo Dilma Rousseff. De quebra, ainda presta um serviço à poderosa indústria do vestibular e às faculdades privadas. O Grupo Folha, dono da gráfica que imprimiu as provas irregulares, é um dos que mais fustiga o Enem.

Com sua cobertura enviesada e manipuladora, a mídia omite fatos curiosos do Enem. Um deles, que ela nunca divulgaria, é que a Escola Semente da Conquista, localizada no assentamento 25 de Maio, em Santa Catarina, foi o destaque do Exame Nacional em 2009, conforme noticiado na página oficial do Enem. Ela ocupou a primeira posição no município, com nota de 505,69.

Semente da Conquista

Nesta escola estudam 112 filhos de assentados, de 14 a 21 anos. Ela é dirigida por militantes do MST e os professores foram indicados pelos próprios assentados do município de Abelardo Luz, cidade com o maior número de famílias assentadas no estado. São 1.418 famílias, morando em 23 assentamentos. A primeira colocação no Enem foi comemorada pelas famílias de sem-terra.

A mídia, porém, nada falou sobre esta vitória. Segundo o sítio do MST, “essa conquista, histórica para uma instituição de ensino do campo, ficou fora da atenção da mídia, como também é pouco reconhecida pelas autoridades políticas de nosso estado. A engrenagem ideológica sustentada pela mídia e pelas elites rejeita todas as formas de protagonismo popular, especialmente quando esses sujeitos demonstram, na prática, que é possível outro modelo de educação”.

“A Escola Semente da Conquista é sinal de luta contra o sistema que nada faz contra os índices de analfabetismo e êxodo rural. Vale destacar que vivemos numa sociedade em que as melhores bibliotecas, cinemas, teatros são para uma pequena elite... Mesmo com todas as dificuldades, a escola foi destaque entre as escolas do município. Este fato não é apenas mérito dos educandos, mas sim da proposta pedagógica do MST, que tem na sua essência a formação de novos homens e mulheres, sujeitos do seu processo histórico em construção e em constante aprendizado”.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Frei Betto: revolução cubana se move criticamente sobre si mesma

Do desabafo Brasil.
Texto muito bom, vale a pena ler até o fim.

SEGUNDA-FEIRA, 15 DE NOVEMBRO DE 2010

Frei Betto: revolução cubana se move criticamente sobre si mesma

Em 2011 se completarão 30 anos da minha primeira visita a Cuba. Eu trabalhava no Brasil com o método de Paulo Freire. Queria trazer a Cuba essa contribuição, estava convencido da importância política da metodologia da educação popular. Quando cheguei, havia preconceitos não só para com esta metodologia, mas também em relação à figura de Freire. Seu primeiro livro tinha causado certo receio entre os companheiros do Partido Comunista de Cuba.
Por Frei Betto*
Um marxista cristão, soava então contraditório: o marxismo era considerado uma fé e não se podia ter duas.
Então propus em Havana um Encontro Latino-Americano de Educação Popular. Os cubanos prepararam tudo; mas no encontro não havia nem um cubano. Dois anos depois, consegui que a Casa das Américas organizasse um segundo encontro. Vários cubanos compareceram como meros assistentes, diziam que em Cuba tudo era educação popular e não havia necessidade de ter uma equipe para isso. No terceiro encontro, a participação cubana já foi ativa. Assim surgiu a equipe do Centro Martin Luther King.
Mas Paulo Freire não é o primeiro latino-americano a falar dessa metodologia. Para fazer justiça com a história, o primeiro que praticou educação popular foi José Martí. Martí dizia que era necessário levar os professores aos campos. E com eles, a ternura que faz falta aos homens. Seguramente o Che tinha lido essa frase quando disse que havia que endurecer, mas sem perder a ternura. Para Martí, “popular” não o era no sentido de pobre, mas de povo. A distinção rígida que se aplicava na Europa entre classe operária e burguesia, não se aplicava à América Latina. A luta aqui era entre aqueles que lutavam pela justiça e aqueles que tentavam manter a injustiça. Tudo não se explica por origem de classe. Se todos os pobres fossem revolucionários, não haveria capitalismo na América Latina.
Talvez vocês não saibam que é um fato biológico que as águias podem viver 70 anos no máximo. Mas quando chegam aos 30 ou 40, propendem à morte porque suas garras e seu bico já não são fortes para destruir as carnes com que se alimentam. E quando sentem que podem morrer, voam para o alto de uma montanha e arrancam as próprias garras e o bico. Esperam meses ali, até que voltem a nascer. Assim vivem outros 30 ou 40 anos mais. Hoje, a águia é Cuba. Digo-o porque acabo de ler os Lineamentos para o 6º Congresso do Partido Comunista: a Revolução Cubana tem a capacidade de mover-se criticamente sobre si mesma para sair adiante. Suas redes de educação popular têm muita importância nisso.
Assisti muito de perto a queda do Muro (de Berlim) e hoje muitos se perguntam: como é possível que depois de 70 anos de socialismo, a Rússia seja um país conhecido pela extrema corrupção? Algo não funcionou: o socialismo cometeu ali o erro de construir uma casa nova sem saber fazer novos habitantes. Não se fazem homens e mulheres automaticamente. Os que nascem numa sociedade socialista, não nascem necessariamente socialistas. Todo bebê é um capitalista exemplar: só pensa en si mesmo. O socialismo é o homem político do amor. E o amor é uma produção cultural. Seu objetivo final é criar uma comunidade amorosa entre si e o mundo. Às vezes olvidamos um princípio marxista. Eu, frade, fui professor de marxismo e não é a única contradição de minha vida. O ser humano não é mecânico. Há duas coisas que não podem ser previstas matematicamente: o movimento dos átomos e o comportamento humano.
O trabalho político deve ir para cada um dos homens. Por isso a Revolução Cubana resiste, porque não é uma peruca que vai de cima para baixo, mas um cabelo que cresce de baixo para cima. Aqui houve uma revolução de caráter eminentemente popular. A vitória estratégica, de Fidel, não fala de educação popular; mas se fez.
Termino com uma parábola: havia um homem muito formado ideologicamente, poderoso em seu sistema; mas muito infeliz. Saiu pelo mundo na busca da felicidade. Chegou a um país árabe – onde se dão sempre as boas lendas – e quis comprá-la em seus mercados. Disseram-lhe que essa mercadoria não existia, mas por um jovem soube de uma tenda no deserto onde podia encontrá-la. Saiu em sua caravana de camelos, atravessou o deserto e viu a tenda com um cartaz que dizia: “aqui se encontra a felicidade”. Disse à vendedora: “diga-me quanto custa”. E ela respondeu: “não, senhor, aqui não vendemos felicidade, aqui a damos gratuitamente”. E lhe trouxe uma pequena caixa de fósforos com três pequenas sementes: a semente da solidariedade, a da generosidade e a do companheirismo. “Cultive-as – disse – e será feliz”. Muito obrigado.
*Versão das palavras pronunciadas por Frei Betto no contexto do 4º Encontro Nacional de Educadoras e Educadores Populares, em Havana, em 10 de novembro de 2010. Fonte: CubaDebate

terça-feira, 9 de novembro de 2010

As falhas no Enem e os interesses que se movem nos bastidores

Do vi o mundo.


As falhas no Enem e os interesses que se movem nos bastidores

Segunda-feira, 8 de novembro de 2010 às 20:13   (Última atualização: 08/11/2010 às 20:11:35)
“Prova do Enem é tecnicamente sustentável sob todos os pontos de vista”
O governo não pretende anular o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2010, realizado no último sábado (6/11), e nem refazer as provas para todos os inscritos, afirmou o ministro da Educação, Fernando Haddad, em entrevista coletiva à imprensa concedida nesta segunda-feira (8/11), em Brasília (DF). Segundo Haddad, os alunos prejudicados por falhas na impressão em alguns lotes poderão, após a devida apuração por parte do Ministério da Educação (MEC), refazer a prova, sem que haja a necessidade do cancelamento da mesma, uma vez que o princípio da isonomia não foi comprometido.
O Ministro disse ainda que o MEC irá tentar reverter a decisão da 7ª Vara Federal do Ceará de suspender, em caráter liminar, o Enem. O Ministério irá explicar que o uso da Teoria de Resposta ao Item permite a comparabilidade de provas distintas, possibilitando a realização de um novo exame com “questões de mesmo peso”. De acordo com o Ministro, caso a Justiça Federal do Ceará mantenha a decisão, o MEC irá recorrer em instâncias superiores, pois há, por parte do governo, a segurança de que a prova é tecnicamente sustentável.
A prova será reaplicada para quem foi prejudicado. A grande vantagem que nós temos é que, como o Enem, desde o ano passado, responde pela Teoria de Resposta ao Item, essas provas são rigorosamente comparáveis e não é necessário anular o exame como um todo… Em um exame com quase 5 milhões de inscritos, se você não adota esse sistema, compromete-se a isonomia da prova.
Questionado sobre eventuais impactos dos erros de impressão na credibilidade do Enem, Haddad afirmou que a julgar pelo relato de reitores e o aumento em 10% no número de inscritos com relação a 2009, não há razões para acreditar na perda de credibilidade do Enem, que é “irreversível, um caminho sem volta”. O Ministro informou ainda que não há uma data precisa para a reaplicação do teste para os estudantes que foram comprovadamente prejudicados.
Para definir a data temos que observar o calendário universitário e, segundo, verificar quantos estudantes efetivamente terão que refazer. No ano passado, marcamos para cerca de um mês depois. Essa é a previsão.
Sobre os custos para a realização de uma nova prova, Haddad explicou que todas as despesas ficarão a cargo da gráfica que realizou a impressão e que há, ainda, previsão contratual para a cobrança de multa.
PS do Viomundo: As falhas no Enem são lamentáveis. É prato cheio para a oposição, já que estamos falando de milhões de futuros eleitores. Dito isso, é preciso ter em conta os interesses que se movem nos bastidores. São os interesses dos que defendem a perpetuação dos cursinhos e que, em São Paulo, fizeram da Secretaria da Educação um canal de financiamento da grande mídia, como está exposto aqui.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

É pra ficar ligado: A velha mídia quer liberdade só para fazer propaganda (política)

Do abundacanalha.
Assinem o abaixo-assinado. O direito à liberdade de opinião agradece.


A velha mídia quer liberdade só para fazer propaganda


Dois fatos recentes esclarecedores:

1) A psicanalista Maria Rita Kehl foi demitida pelo Jornal O Estado de S. Paulo por artigo onde critica a desqualificação dos votos dos pobres. Diz ela: "Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos". Tais palavras foram consideradas pelo jornal como "delito de opinião", punido com sua demissão. Quer dizer, o jornal acha que voto de pobre não vale nada, e liberdade em suas páginas para alguém dizer o contrário é proibido. É o mesmo jornal que brada ter sido censurado recentemente, uma vítima, um desrespeito à liberdade de expressão. Quer dizer, liberdade da porta para a fora de seu prédio. Dentro, só o apoio ao candidato demotucano e seus preconceitos contra o andar de baixo.

2) Aula de jornalismo na PUC no Rio, manhã do dia 5 de outubro. A professora Marília Martins, jornalista do jornal O Globo, comenta as recentes provas de seus alunos. Para uma aluna, Gizele Martins, dirige as mais pesadas críticas. Seu crime, segundo a jornalista, ter apresentado um bom texto, mas "totalmente parcial". Ao falar do direito à moradia, a luta social que envolve a questão, a professora disse que a aluna demonstrou "simpatias" pelo MST e o Movimentos dos Sem Teto, organizações criminosas, segundo ela. E ainda alertou a aluna para que guardasse bem o diploma, pois precisaria dele para garantir "uma cela de luxo" quando estivesse na prisão. Afirmou, por fim, que defende a liberdade de expressão, mas que não há lugar para a Gizele na imprensa.

Certamente não, nesta imprensa. A Gisele teria que dizer que movimento social é sempre criminoso, que os pobres não sabem votar, mas que há "homens de bem", como o vampirotucano que pode salvar o país. Não é uma receita de jornalismo, mas de propaganda. A mídia existe, tem concessões públicas, para vender seus produtos mentirosos, contrários ao interesse de informação do povo brasileiro.

Quem, como eu, deseja apoiar a Gizele, assine o abaixo-assinado em seu favor aqui.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Faculdade em Caucaia terá 100% de energia eólica e solar

Do O Povo.


Faculdade será iluminada por energia eólica e solar

Começa a ser instalada na Faculdade de Tecnologia do Nordeste (Fatene), em Caucaia, uma torre eólico-solar que irá gerar energia capaz de iluminar toda a instituição. O projeto deve ser finalizado em abril de 2011
Domitila Andrade - especial para O POVO 06/09/2010 02:00

Sol e vento: fontes primárias pela primeira vez suprindo a demanda de energia de toda uma instituição de ensino superior. A engenhoca inovadora, capaz desse feito, existe, é cearense e começa a ser instalada a partir deste mês no campus Caucaia da Faculdade de Tecnologia do Nordeste (Fatene). A torre eólico-solar, de energia híbrida, tem 24 metros de altura e foi inventada pela Gram-Eollic.

A empresa criadora da torre, a Gram-Eollic, já havia instalado postes de iluminação alimentados por energia eólico-solar, no início de 2010, no Palácio de Iracema, sede do Governo do Estado do Ceará. O projeto ganhou o primeiro lugar no Prêmio Inova deste ano.A torre pesa 17 toneladas e gera 720 kW por dia, o necessário para em abril de 2011, quando a instalação será finalizada, deve atender a toda a demanda energética da instituição. “Os benefícios vão além da redução de gastos. Essa torre servirá de exemplo para os alunos e para todo o Ceará de que é possível se mudar as fontes de energia e contribuir com o meio ambiente”, avalia Francisco Pessoa, diretor-geral da Fatene.

O projeto, que envolve cerca de 100 profissionais, abriga células solares que captam raios ultravioletas e infravermelhos, transformando-os em energia elétrica. As hélices geram energia a partir do vento. Ambas, são transmitidas para uma bateria que tem capacidade de armazenamento de 70 horas, acionada no caso de não haver luz solar ou vento para carregá-la.

O cientista Fernando Alves Ximenes, autor dos projetos de energia independente e dono da Gram-Eollic, acredita que energias limpas serão usadas por todos em um futuro próximo. “Nós construímos a energia de forma errada. E agora temos que correr para renovar. Em um curto espaço de tempo, o Ceará já será o primeiro estado com superávit na geração de energias limpas” avalia Ximenes.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Jovens estadunidenses mostram a sua "supremacia" cultural.

Do tijolaço.

Para jovens americanos, Beethoven latia


Uma reportagem da Agência France Press, publicada aqui pelo Jornal do Brasil que me deixou pensando como maltratamos a autoestima do brasileiro. Alguns apresentadores de televisão, volta e meia, se divertem reproduzindo besteiras escritas por estudantes brasileiros. Mas, e nos outros países?
Uma pesquisa sobre  conhecimentos gerais realizada entre os alunos da Universidade de Beloit, no meio-oeste dos Estados Unidos, que para a maioria daqueles estudantes acredita que o compositor alemão  Beethoven é um cachorro de  filme e que o grande artista italiano Michelangelo seria um vírus de computador.
A pesquisa chamada Mindset, montada pelos professores Tom McBride e Ron Nief, teve por objetivo mostrar como as referências culturais se perdem rápido entre os jovens americanos, mas seus resultados mostram mais do que isso: são o reflexo de uma sociedade que ainda fecha seus olhos para qualquer referência cultural estrangeira e que esquece até mesmo os grandes ícones de seu próprio país.
Num país onde o modelo de educação é tão invejado e que é tido como a grande metrópole do mundo ocidental, os jovens estão simplesmente ignorando sua própria história e mostrando que pouco se importam com informações culturais que não sejam técnicas e consideradas necessárias por eles mesmos.
Na pesquisa, a maioria dos alunos disse acreditar que só havia existido um papa (João Paulo II), que a Iugoslávia nunca foi um país, que o Apartheid sul-africano era uma obra de ficção, que a Alemanha nunca foi dividida e disseram não compreender porque é que o nome do sindicato polonês Solidariedad, única instituição do tipo que tinha sua voz ouvida por toda a União Soviética no final do regime comunista, deveria ser escrito com letra maiúscula.
Nem as refrências tipicamente americanas permanecem na memória dos jovens. Para eles, Mike Tyson sempre foi um delinquente, os reality shows sempre existiram e que nunca foi permitido fumar no interior de aviões. Até mesmo quando o assunto é Hollywoood, a meca todo-poderosa da cultura americana, os jovens universitários decepcionaram na pesquisa, afirmando que o astro Clint Eastwood nunca foi o personagem Dirty Harry, dos filmes policiais.
A preocupação, na verdade, não é com a falta de referências pontuais sobre este ou aquele assunto. Claro que ninguém é obrigado a saber que Bethooven foi um dos mais importantes compositores clássicos da história. A grande questão é que os jovens americanos estão virando as costas para tudo aquilo que veio antes deles, dando de ombros até mesmo para história moderna dos EUA, tão importante na formação daquele país como ele é hoje.
Mas nossas elites bobocas continuam achando que aqui somos um bando de idiotas e que a educação boa, mesmo, é lá nos EUA. Os que podem, mandam os meninos para lá e eles voltam para, em geral, reproduzir o mesmo modelo de cabeça colonizada.  Os que não podem, mas sonham em aculturar-se, contentam-se em aprender inglês, como o Otavinho Frias acha essencial para ser presidente, e passam a dizer que aqui, temos um “povinho burro”, que vai eleger “aquela mulher”.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Twitteiros se mobilizam e pedem para ver o #diplomadoserra

Dos amigos do presidente Lula.
O diploma do zezinho é tão verdadeiro quanto a ficha de terrorista da Dilma.

Twitteiros se mobilizam e pedem para ver o #diplomadoserra

#Ondavermelha unida à procura do #diplomadoserra

Usuários do Twitter se mobilizam na tarde desta segunda-feira (02) para cobrar do candidato tucano José Serra que apresente seu diploma de economista. A TAG #diplomadoserra está neste momento em quarto lugar no Trending Topics Brasil

Há um mistério sobre a formação universitária de José Serra. Ele diz que é economista, mas ninguém nunca viu o diploma. Serra custuma dizer que no Brasil, em 64, estudava engenharia e fez mestrado em economia no Chile e doutorado nos Estados Unidos. Cada país tem uma legislação de ensino diferente. No Brasil, só pode fazer mestrado e doutorado depois de ter o diploma de graduação. Mas ninguém nunca viu o diploma de economista de José Serra

Já que agora ele tem televisão e jornais à vontade, era uma boa oportunidade de Serra mostrar o diploma.

O jornalista Sebastião Nery da Tribuna da Imprensa conta que, na biografia autorizada que fez de Serra, o jornalista Teodomiro Braga conta porque Serra não tem diploma universitário. Estudava engenharia em São Paulo. Com o golpe de 64, foi exilado para o Chile e, para fazer mestrado de economia lá, fez uma prova que substituiu a exigência do diploma do curso de graduação. Depois, fez doutorado nos Estados Unidos.

Pela legislação brasileira, se você faz universidade lá fora, para dizer que é e ser profissional aqui, o Ministério da Educação tem que validar o curso de lá. Se não não pode pertencer à categoria. O de Serra foi validado?

O mistério mora aí. Onde, quando e sobretudo como Serra fez a tal prova, para dispensar o curso da Universidade e fazer logo o mestrado? Em um Detran educacional qualquer, como se fosse uma carteira de motorista? Esta é uma boa pergunta: quem foi o despachante de Serra no Chile?

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Enquanto isso... no Texas

No Texas, estão dando uma aula de como se manipular a história. Não é capitalismo, é "livre iniciativa", tampouco tráfico de escravos, mas "comércio triangular do Atlântico".
Até eles tem vergonha do capitalismo?
Do tijolaço.

Conservadores ‘reescrevem’ a História, no Texas

Como o Governo Obama prometeu mas não entregou uma nova maneira de viver aos EUA, por toda a parte a direita mais retrógrada se reorganiza e avança. Primeiro foi a lei racista de imigração no Arizona. Agora, sexta-feira, no Texas, o Conselho de Educação do Estado aprovou um novo currículo para os cursos de história que mostram que as idéias obscurantistas teimam em se impor.

Segundo o jornal inglês The Daily Telegraph, os conselheiros educacionais decidiram que as escolas texanas vão adotar um currículo onde a expressão capitalismo será substituída por “livre iniciativa”, a o tráfico de escravos por ” comércio triangular do Atlântico”, e o apoio da ONU à ajuda humanitária internacional e as iniciativas ambientais são tratada como ameaças à liberdade individual e da soberania dos EUA.

Os cinco conselheiros ligados aos democratas tentaram resistir à maioria republicana, mas não deu. Agora, faz parte do currículo estudar os pontos de vista da organização conservadora “Maioria Moral” e da National Rifle Association, entidade que defente o direito à posse indiscriminada de armas.

E as sanções, claro, são para o Irã.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O preço do capitalismo - Livros para a fogueira

Do tijolaço.
É o preço do capitalismo, amigo. Não há valores, não há ética, não há sustentabilidade. O que importa é o mercado, é o capital...

Uma editora que manda destruir livros?

Um grande brasileiro, mais lembrado por seu amor às crianças, à cultura e por sua defesa do petróleo brasileiro, tinha uma outra grande, imensa paixão pelo veículo que transportava estas idéias e sentimentos. Monteiro Lobato, cujo 108° aniversário de nascimento transcorreu domingo passado, colocou tudo o que tinha – e perdeu tudo o que tinha – na tentativa de dar petróleo e livros ao Brasil, com a sua pioneira Ediçõers Melhoramentos. Se não tivesse morrido em 1948, morreria agora, com esta notícia.

É que a maior casa editora do país, a Ediouro, mandou uma mensagem mandando que os livreiros destruíssem centenas de títulos - e milhares de exemplares – de livros que não estão tendo “boa saída”. Entre os condenados à morte por estilete – a mensagem é detalhada sobre como deve ser a destruição e a sua prova – estão Mário Quintana, Tolstói, Ferreira Gullar, Shakespeare, Nélson Rodrigues…

Felizmente, diante do protesto dos livreiros, a editora suspendeu a ordem. Está negociando descontos para que sejam comprados por preço mais baixos e vendidos em promoção. Menos mal, mas só o fato de uma barbaridade assim ter sido ordenada já é um absurdo. Está aí um tema sobre o qual vou procurar agir, pois as casas editoras gozam de uma série de imunidades tributárias que representam um subsídio – e muito justo – à publicação de livros – inclusive destes livros que se mandou destruir.

Eles poderiam, perfeitamente, ser doados às escolas, bibliotecas, centros sociais públicos e não terem a fogueira ou a lixeira como destino. Com todo o respeito, achei uma monstruosidade um livreiro dizer na matéria que o feijão deveria ser gratuito, mas que aí não haveria mercado e o mesmo acontece com os livros. Isso não justifica que se jogue nem comida nem livros fora.

terça-feira, 20 de abril de 2010

O trator de niterói - ignorância ou arrogância?

O Brizola Neto as vezes se supera. Nunca vi uma analogia tão simples, mas tão bem formulada.
Do tijolaço.

Para quem não lê, escola. Para quem mora mal, trator?

Imagine que um país, durante mais de 20 anos, fechasse todas as escolas públicas. Quem quisesse aprender a ler e escrever que seguisse as leis do mercado, pagando por isso o preço cobrado pelas escolas particulares. Não é difícil imaginar que depois de duas décadas, este país tivesse uma legião de analfabetos, não é?
Aí vem alguém e diz que “ temos que acabar com o analfabetismo”, como se fosse a coisa mais simples do mundo, não apenas alfabetizar as crianças que estavam nascendo e crescendo como também aqueles milhões de adultos analfabetos que se constituíam em um espécie de “dívida” que aquele país tinha acumulado.
Bom, se aparecesse um governante que quisesse isso, ele certamente não ia poder acabar com o analfabetismo em pouco tempo, não é? E não poderia, se tivesse um pouco de humanidade, discriminar ou maltratar quem fosse analfabeto, não é mesmo?
O problema da habitação é mais ou menos assim. Durante mais de 20 anos, desde que acabaram com o BNH – que, com todos os seus defeitos, ainda fazia alguma coisa -, o Brasil não teve nenhuma política pública de habitação. Quem quisesse ter uma casa legalizada, em área urbanizada e segura, que pagasse o preço cobrado no mercado.
E quem não podia pagar, o que fazer?


O trecho acima é o início da coluna dominical que publico no jornal O Povo do Rio e que você pode ler, na íntegra, aqui.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O gênio da matemática

Do conversa afiada.
Ricardo vence pela quarta vez consecutiva a maior olimpíada de matemática do mundo (19milhões de concorrentes).
Ah, ele é cearense e portador de deficiência... e pobre. Céus! Deve ser por isso que a imprensa golpista não mostra nada.

Por que o Bonner e o Kamel ignoram o Ricardo e o Lula. A maior Olimpíada de Matemática do mundo

Ricardo Oliveira e outro nordestino: que horror !

Ricardo Oliveira e outro nordestino: que horror !

Em 2005, a professora Sueli Druck levou ao Presidente Lula os vencedores de um restrito concurso de matemática da sociedade brasileira de Matemática.

O concurso, duríssimo, tinha a finalidade de escolher os estudantes brasileiros que competiriam em maratonas internacionais de Matemática.

O presidente Lula perguntou se havia ali algum estudante de escola pública.

A professora respondeu que não: eram todos de escolas pagas.

Por que não ter estudantes de escolas públicas ?, perguntou Lula.

Ontem, no Rio, quando o Globo e o jornal nacional destruíram o Rio , Sueli Druck – professora de Matemática da Universidade Federal Fluminense e aluna do magnífico Colégio de Aplicação da UFRJ – e o presidente Lula entregaram 300 medalhas de ouro aos alunos que mais se destacaram na Olimpíada de Matemática de Escolas Públicas Brasileiras.

E aos professores penta-campeões, ou seja, professores que há cinco anos colocam os alunos nas melhores posições.

Sabe, amigo navegante, quantos alunos competiram este ano ?

Dezenove milhões e meio de estudantes !

É a MAIOR Olimpíada de Matemática do MUNDO !

Participam estudantes de 5.500 municípios e de 44 mil escolas públicas de todo o país – municipais, estaduais e federais.

As provas são para três níveis de estudantes.

Há medalhas de ouro, prata e bronze.

Há um programa de “jovens talentos”, em associação com o CNPQ, do Ministério da Ciência e Tecnologia, em laboratórios em 888 municípios brasileiros.

O objetivo é encaminhar os talentos que a Olimpíada revela para cursos de preparação em atividades de tecnologia de ponta.

Um verdadeiro horror !, amigo navegante.

Dar aos pobres das escolas públicas acesso a tecnologia de ponta, a partir da Matemática.

Que horror !

O tetra-campeão da Olimpíada de Matemática é o Ricardo Oliveira, filho de lavradores do interior do Ceará.

O Ricardo tem uma distrofia e é cadeirante.

Penta-campeão.

Claro que o Bonner e o Ali Kamel não podiam falar do Ricardo, ontem.

Era preciso destruir o Rio e o Lula.

Aguarde a íntegra da entrevista em áudio.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Imagem - A sociedade em que vivemos

Do Tijolaço.
Só pra dizer que quem critica os direitos humanos sofre de acefalia.
A ocasião faz o ladrão, é o que dizem. O determinismo social, o modelo burro de sociedade em que vivemos, é que faz o ladrão...
Pobre criança.

Olha aí, esse é meu guri. É seu também? É nosso?

Quem já foi assaltado, como se tentou fazer ontem, no centro do Rio, como este senhor argentino na foto que O Globo publica hoje, sabe que, na hora, a sensação é de medo e de vontade de reagir a esta agressão. Mas sabe que tem, ali, de manter a cabeça fria e evitar que um problema se transforme numa tragédia. Seria terrível se por algumas notas de dinheiro ou um relógio este homem perdesse a vida ou fosse ferido, não é?

Eu sei que vai ter gente que, de tão estressada e machucada com a situação de insegurança que a gente vive que vai discordar de mim. Paciência. Estou aqui para ser sincero e dizer daquilo que acredito e não para ser “palatável” por todos e garimpar uns votos. Meu pensamento e meu coração me exigem isso.

Queria convidar a todos para um raciocínio, sem hipocrisias. Aquele garoto, talvez com 10 ou 11 anos, foi preso. Honestamente, a chance de ele recuperar-se, mesmo que tivéssemos os melhores estabelecimentos correcionais – e não os temos – não seria das maiores. De abrigo em abrigo, depois de cadeia em cadeia, é bem possível que este menino se torne um criminoso.

Isso justificaria matar esta criança, como fizeram os massacradores da Candelária? Uma sociedade que se pretende civilizada pode instituir a pena de morte, ainda mais para uma criança desta idade? Você se disporia a matar uma criança desta idade?

Desculpem-me ser cru assim, mas se não nos dispomos a isso, temos que jogar o jogo difícil da recuperação, que é um jogo pesado, caro e de, reconheçamos, chances menores.

Este menino não foi parar aí em um dia. Ele fez um longo caminho até chegar a esta situação degradada. Ele está na escola? Provavelmente, não. Já esteve? Provavelmente, sim. Por que saiu? Alguém se importou com isso? Alguém ligou para o que ele fazia e como vivia nas outras 20 horas do dia em que não estava na escola mesquinha que teve? Alguém se preocupou mais com o que uma reprovação no primeiro ou no segundo ano deixou-lhe de recalque ou fez seus pais entenderem que ele “não tinha jeito pra estudar”?

Não é por ser negro ou pobre que este menino não podia ser meu ou seu filho. É assim que reagimos com nossos filhos, nesta idade? Poderíamos falhar, fracassar até, mas eu asseguro que estaríamos tentando, e tentando, e tentando mudar. Porque? Porque os amamos.

Quem amou este menino? Quem lhe deu tudo – mesmo sendo pouco – o que lhe poderia ter sido dado? Quem o acompanhou, quem lhe deu noções, quem lhe deu comida, saúde, orientação, brincadeira, alegria, carinho, disciplina, valores? Quem, um dia, lhe deu um ambiente de amor e não de indiferença? A família? A escola? A sociedade?

Nós, a sociedade, o que vamos lhe dar, agora? Quantos milhares de policiais teremos de pagar porque deixamos ele e milhares de outros guris chegarem aí? E vai adiantar?

Ele está roubando, ou tentando roubar, uma carteira. Tem de ser detido, sim. E nosso modelo de sociedade, roubou o quê dele? Esse modelo também precisa ser detido ou pode seguir fazendo mais mil, dez mil, cem mil destes guris?

A causa da educação pública, a causa de uma escola que acolha, assista, acompanhe, enfim, que ame de verdade as nossas crianças e que -como fazemos com nossos filhos – lhes dê tudo o que pudermos dar não é apenas para salvar este menino e todos como ele.

É para salvar-nos a todos de embrutecer. Salvemo-nos disso, por favor.