segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Obras da Usina de Ondas no inicio de 2010

Do blog Inventário Ambiental de Fortaleza, de José Sales.

Obras da Usina de Ondas no inicio de 2010


Depois de alguns anos de estudos, deverão ter início, em janeiro de 2010, as obras de construção da primeira usina de ondas do mar da América do Sul, a ser instalada no Ceará. A fase de pesquisas, entretanto, não terminou: a unidade a ser criada será um protótipo para analisar a viabilidade de se investir nesse tipo de energia por aqui. A previsão é de que as obras durem entre 24 e 30 meses, com a usina entrando em operação logo após esse prazo.

De acordo com o Diretor de Energia da Secretaria de Infra-estrutura do Estado (Seinfra), Renato Rolim, será definido, ainda este mês, o cronograma físico-financeiro do equipamento. A expectativa é de que o investimento necessário seja de R$ 12 milhões, ficando R$ 1 milhão com o Governo do Estado e o restante com a nova parceira da empreitada, a empresa Tractebel Energia.

"Antes, o projeto era com a Eletrobras, mas não teve sucesso. Com os recursos que serão aportados pela Tractebel, através do Programa de Incentivo à Pesquisa e Desenvolvimento, nós ampliamos a capacidade da usina, que passará a ter uma potência instalada elevada de 50 quilowatts (kW) para 100 kW", explica. Com essa capacidade, informa, é possível gerar energia para 80 famílias, dentro do programa Luz para Todos.

"Esta é uma usina piloto. Tem que ser colocada em pequena escala, para que depois possa ser elevada à larga. Portugal e Holanda já possuem usinas desse tipo em larga escala, mas ainda estamos começando os estudos por aqui".

A princípio, a planta irá iniciar as operações com três braços, com potência entre 10 kW e 12 kW. "Depois de seis a oito meses, verificando que o local é adequado, nós colocamos os restantes, ampliando a capacidade", informa.

A equipe à frente do projeto, concebido pelos pesquisadores da Coordenação dos Programas de Pós-graduação de Engenharia (Coppe) da UFRJ, que inclui ainda Universidade Federal do Ceará (UFC) e consultores associados, definiu o lado leste do quebra-mar do Terminal Portuário do Pecém como a localização adequada para o equipamento. Rolim explica que, com a ampliação do porto, programada para o recebimento de novos projetos, como a siderúrgica, a refinaria, além do Terminal de Regaseificação e, possivelmente, um estaleiro, foi preciso redefinir o local dessa usina.

O equipamento terá também incorporado a si um protótipo de uma usina de dessalinização de água do mar. "Isto é uma tendência mundial. O Ceará pode, daqui a uns 70, 100 anos, precisar do aporte de águas, e não temos rios suficientes onde tirar água, e poderá ser necessário retirar água do mar. Tudo isso é no âmbito da pesquisa", esclarece o diretor da Seinfra.

Ele também aponta que a energia das ondas não é fonte viável para a atual realidade, mas para cerca de 50 anos, por não se ter ainda uma idéia precisa de quanto ela irá custar. Por esta razão, explica, a usina está sendo empreendida como estudo de viabilidade.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Campanha contra o *PIG

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*PIG - Partido da Imprensa Golpista

Os Midiotas

Já com saudade do debate sobre nossa imprensa golpista, Azenha nos brinda com "os midiotas".
Vejam no vi o mundo.

Os midiotas

por Luiz Carlos Azenha

Ler os jornais brasileiros, hoje em dia, equivale a se expor a uma exibição despudorada de preconceitos vindos daqueles que, por ilustração, deveriam ser os primeiros a reconhecê-los. Mas o ódio de classe cega. Cega a ponto de fazer com que gente "bem" se exponha de maneira abertamente pornográfica. Há, subjacente ao preconceito, um motivo comercial a incentivar esse strip-tease ideológico: em um ambiente cada vez mais competitivo, marca quem chamar mais a atenção.

Não importa que o striper nos ofereça um corpo surrado, barrigudo, salpicado de celulites e estrias. Importa é que prestemos atenção nele, ainda que fortuitamente. Semana que vem, ele promete, tem mais. Dispensa-se o convencimento embasado em conhecimento e na razão. Importa é causar debate, atrair tráfego e leitores, "brilhar". Na sociedade midiatizada, inauguramos a era dos "midiotas". Assim como temos os famosos que são famosos por serem famosos, temos os comentaristas que são lidos pela capacidade de chocar. São as "moscas" da Folha de S. Paulo, jornal marqueteiro que quer nos vender o supra sumo do elitismo e do preconceito como algo revolucionário, "in your face", ousado. Que o espírito de Raul Seixas tenha piedade deles.

Um caso em particular me chamou a atenção recentemente. A coluna "O Petróleo é Dela", de um dos editores do jornal. Ele inicia sua argumentação desqualificando a maior parte do eleitorado brasileiro, que descreve como "semi-analfabeta". Depois de opinar sobre a tática eleitoral de uma das candidatas ao Planalto, Dilma Rousseff, diz que em nome da campanha dela os projetos de exploração do pré-sal "serão enviados em regime de urgência para o cada vez mais combalido Congresso Nacional, por onde, do jeito certo, tudo passa". Ou seja, além de desqualificar o eleitorado, desqualifica todos os que foram eleitos.

Caminha, em seguida, para a grande conclusão:

Ao enterrar o pré-sal na acirrada eleição de 2010 o governo encerra a possibilidade de um debate isento, técnico e racional sobre a futura exploração de uma grande reserva de riqueza transformadora do país.

Ora, se somos uma Nação de semi-analfabetos, que elegeu um Congresso corrupto, como é possível que tenhamos um "debate isento, técnico e racional" com esse Congresso? Qual é a alternativa, fechar o Congresso? Ou esperar que se eleja um Congresso com o qual o comentarista concorda antes de debater o pré-sal?

O que é exatamente um debate isento? Isento de povo? Isento de eleitores semi-analfabetos?

O que é um debate técnico? É um debate elitista, que afaste do pré-sal os interesses daquela maioria de semi-analfabetos? Quais serão os critérios para escolher quem pode e quem não pode opinar?

O que é um debate "racional", se os próprios argumentos de quem pede por ele não param em pé 30 segundos?

Não faria mais sentido um debate acalorado, inflamado e que envolva 190 milhões de brasileiros, seguido por uma coisa conhecida como eleição?

Ah, argumentará o editor da Folha, mas aí o que vamos fazer com aqueles milhões de semi-analfabetos?

Quando eu digo que o sonho da elite brasileira é a volta do voto censitário, não estou tentando ser pornográfico.

Não gostei do strip-tease do Sérgio Malbergier. O corpinho é horrível e a conversa é chata. O próximo, por favor.

Clássico de domingo - Final antecipada?

Do blog do Daniel Perrone.
Freddy Krueger (Marcos) x Jason (Rogério)
São Paulo e Palmeiras se enfrentam domingo pelo brasileirão.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Homenagem à Adoniram Barbosa

Extraído daqui.
Adoniram merece todas as homengens. Os 100 anos do nascimento desse gênio da música completar-se-á já no próximo ano, e muitas homenagens ainda veremos até lá. E serão poucas...

De lambuja vai uma palhinha de Adoniram:


Adoniran Barbosa terá homenagem em livro-agenda

Na minha opinião, toda a homenagem ao Adoniran Barbosa é pouca, mas o que vale é a intenção, né? E a iniciativa desse projeto é muuuito especial. Trata-se de um livro-agenda que relembra consagrados personagens da nossa música popular chamado "Anotações com Arte". Cada ano, alguém ou uma movimento são relembrados em forma de trechos de canções, fotografias restauradas, curiosidades, etc. Enfim, o conteúdo é desenvolvido por profissionais conceituados e a arte, impecável.

Nas outras edições, Vinicius de Moraes (2003), Chico Buarque (2005/2006), Tom Jobim (2007), um especial de 50 anos da Bossa Nova – que trouxe como destaque a cantora Nara Leão – (2008) e para o próximo ano é o sambista multiuso paulistíssimo quem deixa sua marca. Um dos motivos é que ele completaria seu centenário no ano que vem, mas esse fatos seriam ainda pouco se João Rubinato - como foi batizado - não deixasse diversas outras marcas.

“Anotações com Arte – Adoniran Barbosa” abre com um belo texto de Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa, a filha do artista, e faz um passeio pela vida dele. Da infância ao grande sucesso como cantor e ator de telenovelas, cinema e rádio.

A próxima publicação traz também entrevistas com personagens que marcaram a vida de Adoniran Barbosa: Sérgio Rosa, do grupo Demônios da Garoa, Eva Wilma, com quem trabalhou na novela “Mulheres de Areia” (1973), Ernesto Paulelli, o amigo homenageado na música “Samba do Arnesto”, entre outros. Em cada página, um “causo” – como diria o poeta – é contado, como a primeira gravação de “Saudosa Maloca”, a paixão pelo Corinthians e as parcerias com Hilda Hilst e Vinicius de Moraes.

Nesta série, os textos foram elaborados pelo jornalista Wladimir Soares, com edição do ator e dramaturgo Oswaldo Mendes. Já o projeto gráfico foi assinado por Paulo T.S Hardt que, ao lado de Fred Rossi, também acompanhou toda a pesquisa.

Pra saber mais sobre o projeto e ter o próximo ano inteiro conhecer Adoniran em memórias póstumas, enquanto você faz anotações, tem o site!

Fonte: Diário de Taubaté

terça-feira, 25 de agosto de 2009

CAU desagrada muita gente... menos aos arquitetos.

Extraído do blog miolo de pote.
Estão fazendo de tudo para barrar o anseio da maioria.
Não vejo a hora de me livrar das presas do CREA.

CARTA ABERTA AOS ARQUITETOS

CARTA ABERTA AOS ARQUITETOS E ARQUITETAS DO BRASIL que foi elaborada e assinada pelos presidentes das 5 entidades nacionais dos Arquitetos e Urbanistas, que compõem o Colégio Brasileiro de entidades de Arquitetos.

Pensamento - Nando Reis em defesa dos "Richarlysons"

Extraído do blog do Daniel Perrone, com texto do sãopaulino Nando Reis.
Fala do preconceito ao Richarlyson. Concordo com quase tudo, menos quando ele diz que o Ricky é um atleta competente. Ele é muito ruim, péssimo!

Queria apenas agradecer ao Perrone por ter estado conosco aqui em Fortaleza (churrascaria Suprema), assistindo ao jogo contra os patéticos com a nossa torcida Família Sãopaulina. Na ocasião elogiei o seu trabalho e o paulistano respondeu: "É nóis!".

Intolerância Coletiva (por Nando Reis)

Estava faz tempo para escrever algo do gênero, mas não conseguiria
ser tão direto e ao mesmo tempo brilhante como o grande Nando Reis.

Segue o texto do ex-titã, uma das minhas grandes referências musicais:

Não é de hoje que vêm essas manifestações preconceituosas e intolerantes por parte da torcida do São Paulo contra Richarlyson. O motivo? A suposta orientação sexual do jogador que, segundo seus detratores, não condiz com o padrão de virilidade necessário à arquitetura idealizada por aqueles que desenham o protótipo do jogador.

Seja nas arquibancadas, onde as torcidas uniformizadas omitem o nome do jogador na saudação tradicional que fazem aos atletas que entram em campo, seja nas numeradas, onde a cada eventual erro do bom jogador as ofensas vêm sempre carregadas de veneno homofóbico. Na semana passada o chefe de uma dessas torcidas uniformizadas declarou que algumas atitudes do jogador fora de campo não “pegam bem” para os são-paulinos. Como todos sabem, os torcedores rivais se referem aos tricolores como “bambis”, caracterização agressiva que pretende ridicularizar a torcida com essa associação considerada desprestigiosa dentro do restrito universo mental dos trogloditas. Para esses, “futebol é coisa de macho”.

Como são-paulino, digo apenas que me sinto completamente desincompatibilizado com a rejeição que a torcida tem ao jogador. Não que haja algum tipo de decepção, porque há muito eu já desisti de esperar qualquer coisa dos homens, principalmente quando se reúnem e se manifestam coletivamente. Se a unanimidade é burra, a coletividade é estúpida. Em geral, nos grupos sempre acaba prevalecendo a ideia mais rasa, a superficialidade das opiniões sem autenticidade, dos clichês banais, da incapacidade de um pensamento próprio, da falta de ousadia e da falta de coragem de discordar. Chega a ser engraçado pensar que um bando de seres humanos, covardemente protegidos pelo anonimato da multidão, se deem ao direito de se erguer com bravatas e insultos contra um indivíduo que tem a coragem e a força de não se submeter às convenções. Desses sujeitos diferentes eu gosto, os respeito e admiro.

Na verdade, me sinto desconectado desse tipo de pensamento, desse tipo de atitude, dessa ideia obscurantista que há – e muito – nesse ambiente careta do futebol. Vou ao estádio para me divertir e me emocionar com o meu time, nada mais. Com a torcida, pouco me identifico. Acho que as torcidas são todas iguais, elas agem da mesma maneira tendenciosa e irracional. Os gritos são quase sempre de afrontamento e para hostilizar. Todas as torcidas crucificam os seus “Richarlysons”: ou por serem pretos demais, ou homens de menos, baixos ou gordos, sempre haverá um “defeito” que os acusadores encontram para não olharem para os seus próprios. O incômodo que causa a figura de Richarlyson é emblemático de um dos grandes medos do homem – não ser tão potente quanto desejaria. Na face do camisa 20 do São Paulo, imagino que cada um daqueles que o ofende veja o seu próprio rosto, numa dolorosa e indesejável projeção: os calvos veem ali a juventude perdida com a ausência dos fios de cabelos, os maridos infiéis veem ali sua desonestidade vergonhosa e repetida , as mulheres infelizes com seus corpos veem ali a incerteza de não se saberem admiradas, os insatisfeitos com seus empregos veem ali o temor de não serem tão capazes quanto supunham.

A cada ofensa que é disparada ao jogador são-paulino pela sua própria torcida, fica evidente a dificuldade que existe em aceitarmos aqueles que são diferentes: os extraordinários, os rebeldes, os inconformados, os insubordinados, os que desafiam o senso comum. A mim pouco interessa se Richarlyson prefere peixe ou porco: além do seu competente futebol, sua inabalável conduta me cativa como um admirador ainda maior.

Nando Reis

Fonte: 20/08/2009 - Coluna Boleiros do Caderno de Esportes do Estado de São Paulo.

Genial!!!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Pensamento - Saramago sobre o governo Lula

"Acho que o presidente Lula tem feito um excelente trabalho neste segundo mandato se aceitarmos como inevitáveis certas “infidelidades” ao seu programa inicial."

José Saramago, em entrevista para o site do O Globo.
Para mais, aceda (em homenagem ao gajo) aqui.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Marina Silva candidata

Texto de Leonardo Boff, extraído do vi o mundo.
Mais um texto reflexivo da atual política brasileira e também do governo Lula.
Os grifos no texto são meus.
Ele está apostando todas suas fichas em Marina Silva. Acho um pouco precipitado.
Note o grifo lá ao final: da Igreja da Libertação. Puxando a sardinha pra ele, ou não?

Aliás, Marina Silva, recém filiada ao PV e discidente do PT, vem causando muita polêmica até mesmo nos mais respeitosos veículos de comunicação não golpista. Porém, e que pesa contra ela, a imprensa golpista e os demotucanalhas comemoram com entusiasmo a candidatura de Marina.
O que vem por aí?

Uma Silva sucessora de um Silva?

http://www.leonardoboff.com

Uma Silva sucessora de um Silva?

Não estou ligado a nenhum partido, pois para mim partido é parte. Eu como intelectual me interesso pelo todo embora, concretamente, saiba que o todo passa pela parte. Tal posição me confere a liberdade de emitir opiniões pessoais e descompromissadas com os partidos.

De forma antecipada se lançou a disputa: Quem será o sucessor do carismático presidente Luiz Inácio Lula da Silva?

De antemão afirmo que a eleição de Lula é uma conquista do povo brasileiro, principalmente daqueles que foram sempre colocados à margem do poder.

Ele introduziu uma ruptura histórica como novo sujeito político e isso parece ser sem retorno. Não conseguiu escapar da lógica macro-econômica que privilegia o capital e mantém as bases que permitem a acumulação das classes opulentas. Mas introduziu uma transição de um estado privatista e neoliberal para um governo republicano e social que confere centralidade à coisa pública (res publica), o que tem beneficiado vários milhões de pessoas.

Tarefa primeira de um governante é cuidar da vida de seu povo e isso Lula o fez sem nunca trair suas origens de sobrevivente da grande tribulação brasileira.

Depois de oito anos de governo se lança a questão que seguramente interessa à cidadania e não só ao PT: quem será seu sucessor? Para responder a esta questão precisamos ganhar altura e dar-nos conta das mudanças ocorridas no Brasil e no mundo. Em oito anos muita coisa mudou. O PT foi submetido a duras provas e importa reconhecer que nem sempre esteve à altura do momento e às bases que o sustentam. Estamos ainda esperando uma vigorosa autocrítica interna a propósito de presumido “mensalão”. Nós cidadãos não perdoamos esta falta de transparência e de coragem cívica e ética.

Em grande parte, o PT virou um partido eleitoreiro, interessado em ganhar eleições em todos os níveis. Para isso se obrigou a fazer coligações muito questionáveis, em alguns casos, com a parte mais podre dos partidos, em nome da governabilidade que, não raro, se colocou acima da ética e dos propósitos fundadores do PT.

Há uma ilusão que o PT deve romper: imaginar-se a realização do sonho e da utopia do povo brasileiro. Seria rebaixar o povo, pois este não se contenta com pequenos sonhos e utopias de horizonte tacanho. Eu que circulo, em função de meu trabalho, pelas bases da sociedade vejo que se esvaziou a discussão sobre “que Brasil queremos”, discussão que animou por decênios o imaginário popular. Houve uma inegável despolitização em razão de o PT ter ocupado o poder. Fez o que pôde quando podia ter feito mais, especialmente com referência à reforma agrária e a inclusão estratégica (e não meramente pontual) da ecologia.

Quer dizer, o sucessor não pode se contentar de fazer mais do mesmo. Importa introduzir mudanças. E a grande mudança na realidade e na consciência da humanidade é o fato de que a Terra já mudou. A roda do aquecimento global não pode mais ser parada, apenas retardada em sua velocidade. A partir de 23 de setembro de 2008 sabemos que a Terra como conjunto de ecosissitemas com seus recursos e serviços já se tornou insustentável porque o consumo humano, especialmente dos ricos que esbanjam, já psssou em 40% de sua capacidade de reposição.

Esta conjuntura que, se não for tomada a sério, pode levar nos próximos decênios a uma tragédia ecológico-humanitária de proporções inimagináveis e, até pelo final do século, ao desaparecimento da espécie humana. Cabe reconhecer que o PT não incorporou a dimensão ecológica no cerne de seu projeto político. E o Brasil será decisivo para o equilíbrio do planeta e para o futuro da vida.

Qual é a pessoa com carisma, com base popular, ligada aos fundamentos do PT e que se fez ícone da causa ecológica? É uma mulher, seringueira, da Igreja da libertação, amazônica. Ela também é uma Silva como Lula. Seu nome é Marina Osmarina Silva.

Leonardo Boff é autor do livro Que Brasil queremos? Vozes 2000

Azenha - A demonização de Dilma

Do vi o mundo.
A imprensa golpista está excitada com a crescente subida de Dilma nas pesquisas.
Ela ainda vai sofrer muito até a eleição. E ainda tem gente que acredita que a nossa imprensa não é dominada pelos golpistas demotucanalhas.

A demonização de Dilma (2)

por Luiz Carlos Azenha

Outro dia eu disse que estava em curso um processo de demonização de Dilma Rousseff. Provavelmente tocado por marqueteiros de José Serra. Com a colaboração de uma rede de assessoria espalhada pela Veja, Folha, Estadão e Organizações Globo.

Repito o que escreveu Diogo Mainardi na Veja da semana passada:

A Igreja Universal, nos últimos dias, atrelou sua imagem à de Lula. É a mesma estratégia empregada por José Sarney. Um apoia o outro. Um defende o outro. Edir Macedo está com Lula e com Dilma Rousseff. Agora e em 2010. Se a Igreja Universal tem um Diploma de Dizimista, assinado pelo Senhor Jesus Cristo, Dilma Rousseff tem um Diploma de Mestrado da Unicamp, supostamente assinado pelo senhor Espírito Santo.

Agora, o que escreveu Eliane Cantanhêde:

Dilma parece estar no seu inferno astral. Além da radioterapia, ela enfrenta a entrada em cena de Marina, o empate com Ciro nas pesquisas, o envolvimento desgastante de Lula e do PT com a defesa de Sarney e, enfim, a cristalização da imagem de mentirosa (diploma, dossiê contra FHC, embate com Lina Vieira, versões divergentes de sua ação no caso Varig).

Agora, o que escreveu Danuza Leão:

Dilma personifica, para mim, aquele pai autoritário de quem os filhos morrem de medo, aquela diretora de escola que, quando se era chamada em seu gabinete, se ia quase fazendo pipi nas calças, de tanto medo. Não existe em Dilma um só traço de meiguice, doçura, ternura.

E mais:

Seja bem-vinda, Marina. Tem muito petista arrependido para votar em você e impedir que a mestra em doutorado, Dilma Rousseff, passe para o segundo turno.

São apenas três exemplos. Estou certo de que vocês terão visto outros. O que me interessa é mostrar como alguns temas são recorrentes. Dilma, a autoritária. Dilma, mentirosa. Dilma, a falsificadora de currículo.

Notem que os colunistas não se preocupam em fazer uma análise das posições políticas de Dilma Rousseff. O que ela pensa? O que já fez na vida? É preparada para disputar a presidência?

Cantanhêde, que se propõe a fazer um raio xis do quadro eleitoral, oferece como geral uma conclusão que é exclusivamente dela: a da cristalização da imagem de Dilma como a mentirosa.

Curiosamente, na leitura dos mesmíssimos veículos, não há uma só palavra sobre as inconsistências no currículo de José Serra, que não tem diploma universitário no Brasil. Nem de engenheiro, nem de economista.

Nem uma palavra sobre o fato de que Lina Vieira é casada com Alexandre Firmino, ex-ministro do governo FHC. Pelo que nos diz o Stanley Burburinho, no blog Tabuleiro Político, Lina era do Conselho de Desenvolvimento do Estado do Rio Grande do Norte quando o CDE fechou contrato com a empresa Dois A Publicidade Ltda., que pertence ao marido dela.

O blog do Nassif traz várias informações importantes sobre as relações políticas e econômicas de Lina Vieira e do marido, que simplesmente foram desconhecidas pela mídia corporativa.

O blog Amigos do Presidente Lula diz que Alexandre Firmino foi ao depoimento de Lina Vieira e que senadores que certamente o conheciam fizeram "cara de paisagem", para não dar bandeira. Firmino foi fotografado na sessão, inclusive cochichando no ouvido da mulher.

Por que tantas omissões? Por que críticas exclusivamente dirigidas a Dilma Rousseff, enquanto José Serra é absolutamente poupado?

Eu respondo: é uma campanha milimetricamente organizada para aumentar a rejeição a Dilma Rousseff. Com a mídia no papel central da campanha.

A farsa de Lina

Texto de Laerte Braga, transcrito no blog Os Amigos do Presidente Lula.
Mostra bem como anda a política e, mais especificamente, o senado.
Como eu sempre digo: maldita governabilidade!
Prefiro correr o risco de não tê-la. E você?

A armação da dona lina

A moça, lamentavelmente, além de mentirosa e se deixar enredar numa história feia, deplorável, tem algo assim como complexo de Cely Campelo. São duas as armações. A do óculos de Dona Lina Vieira e a dos tucanos/democratas para enredar a ministra Dilma Roussef em toda essa pantomima que varre o Senado por conta dos coronéis José Sarney, Tasso Jereissati, Artur Virgílio e outros tantos, bota tantos nisso.

Dona Lina foi lá e disse que a ministra pediu a ela que apressasse as investigações contra o filho de Sarney, sugerindo, sempre nas entrelinhas, que no apressar estava embutida a determinação para encerrar. Ou seja, não amolar o filho do presidente do Senado.

Provas? Não as tinha, exceto sua palavra.

D. Lina é casada com um ex-ministro do governo FHC. Alexandre Firmino, ministro da Integração Nacional entre 1999/2000.

Senadores, em sua imensa e esmagadora maioria, dão nó em pingo d’água. Imagino que a peruca de Álvaro Dias seja disfarce não de calvície, mas de ondas eletromagnéticas saindo do cérebro deformado da defesa da “moralidade, dos bons costumes”.

E por aí vai.

É outra das trapalhadas do governo Lula. Alianças com figuras como Sarney. A idéia que o veneno tucano se combate com tucanite. Dá é nisso. Não tem vacina contra tucanite. Nem perspectiva.

A moça vai a uma comissão da dita Câmara Alta e diz que não precisa de provar coisa alguma, que sua palavra basta. José Serra era prefeito de São Paulo. No debate final da campanha assinou – assinou – em público, diante de câmeras e microfones, o compromisso de cumprir o mandato até o final. Um ano e meio depois renunciou para ser candidato ao governo do estado.

É o tipo de palavra dessa gente.

Que nem o senador Pedro Simon. Vai na tribuna, faz o diabo, fala e esbraveja, pede a renúncia de Sarney e depois, no Rio Grande do Sul, seu estado, apóia todas as manobras para impedir que a corrupção da governadora Yeda Crusius seja investigada.

É personagem de filmes, peças, novelas, etc, que têm vida dupla. Família tudo direitinho e num dado momento aquele grito de espanto. O assassino é ele.

Inacreditável! Mas é. Quem diria né?

O azar de D. Lina é que não dá nem para receber proposta da PLAYBOY, como aconteceu com a secretária de Marcos Valério (se ofereceu aliás). A não ser que pose com o óculos e o retrato de Serra ao fundo com a inscrição 2010.

Você não precisa entrar no Senado e dar descargas várias vezes para tentar afastar o mau cheiro. Basta você correr num supermercado e comprar aquela pastilha do pato, lembrando-se sempre que o pato é você. Tira o adesivo, cola na porta de entrada e agüenta até cem descargas.

Ou então aquela sense spray, sei lá, que percebe o mau cheiro e exala flores a cada trinta minutos.

De uma forma ou de outra não tem salvação. E nem tente os tais “óleos santos” que os pastores de Edir, o Macedo, costumam aspergir nos fiéis. A moça de uma padaria lá de São Paulo contou que aqueles tubinhos de mel falsificado que vendem como se fosse saúde, saem às toneladas em dia de culto. Segundo a turma, para justificar o assalto, chegaram às vésperas. Direto de Jerusalém e têm o certificado de garantia assinado por Jesus Cristo.

Aí é só esperar William Bonner noticiar os fatos. Que não são fatos, mas mentiras orquestradas na rede do deus mercado. Lá não têm esse hábito de aspergir “óleos santos”. São fissurados em dossiês falsos.

O problema todo é que D. Lina nesse meio de descaminho nem deve ter levado um por fora, só o agradecimento do marido, ex-ministro da quadrilha tucano/democrata.

Vai ganhar armação nova para seu óculos. Quem sabe enxerga melhor.

Ou então tomar um banho de lua.

Num deixa o Aécio chegar perto não. Do contrário ele vem com aquele jeito de Tony Campelo (nem ele e nem Cely têm nada com isso, pelo contrário, são ou foram ótimos) e começa a cantar – “esperada marcianita...”

“...Eu quero um bem que seja sincera...”

Por:Laerte Braga

Vídeo da sexta - Raul Seixas "atropelado" por uma onda

Nossa homenagem ao Raul.
"A natureza tem razão!"

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A prioridade é da Globo!

Dos Amigos do Presidente Lula.
Lavagem cerebral, MESMO.

Kassab faz parceria com Marinho para exibir Globo em ônibus de São Paulo


Na coluna de Daniel Castro ficamos sabendo que a Globo continua firme no monopolio da lavagem cerebral.E mais, Kassab e Serra estão fazendo parceria com a Globo... Veja essa; A Globo lançou ontem um serviço de TV para ônibus em São Paulo. Inicialmente, serão 300 veículos transmitindo uma programação pré-gravada, mas atualizada todos os dias.

O "programa", de uma hora, será reprisado continuamente. Trará resumos dos capítulos do dia anterior das novelas -"Malhação", "Paraíso", "Caras & Bocas" e "Caminho das Índias"- e "informações de caráter de prestação de serviços".

Outros 30 ônibus transmitirão o sinal digital da Globo, ou seja, terão a programação da emissora em tempo real. Cada ônibus terá dois monitores de LCD de 24 polegadas. As linhas que terão o serviço não foram divulgadas pela emissora.

O lançamento da Globo leva para os ônibus a guerra da audiência. A rede acelerou a entrada em vigor do projeto, em desenvolvimento há alguns meses, ao saber que a Record planeja algo semelhante. A Record, que pretendia ser mais rápida, confirma o projeto, mas diz que ainda é "confidencial".

Ao levar sua programação para os ônibus, a Globo garante um público que perde horas todos os dias no trânsito. É uma forma de fidelizar a audiência e de atrair público que normalmente não vê TV. É também uma tentativa de conquistar telespectadores que migraram para as novelas da Record.

Os ônibus que carregarão a Globo são de viações que têm contrato com a empresa Bus Mídia. A Globo diz que não terá custos com a operação. A receita da Bus Mídia virá de publicidade, que terá de seguir o manual de práticas comerciais da Globo. A emissora também negocia com cooperativas de táxi.

Pensamento - Raul Seixas

"O sonho do careta é a realidade do maluco."
Raul Seixas

Brasileirão 2005 - Corinthians ganha com roubo!

Não deu em nada, o título oficial é do Corinthians. Somente o oficial...

'Máfia do apito': processo é trancado

Depois de sucessivos adiamentos, a sessão para decidir o destino do caso "máfia do apito" foi realizada nesta quinta-feira, no Tribunal de Justiça de São Paulo. Dois desembargadores votaram para que o processo fosse trancado. Ainda cabe recurso do Ministério Público, que vai analisar se segue com a tentativa de punir os réus.

A sessão havia sido adiada anteriormente porque Christiano Kuntz pedira mais tempo para estudar o processo. Nesta quinta, ele votou pelo trancamento, assim como Francisco Menin. Os desembargadores entenderam que os fatos narrados no processo não estão enquadrados em nenhum artigo na Lei, ou seja, não podem ser classificados como crime.

Fernando Miranda pediu que o caso fosse anulado, o que permitiria que outra denúncia contra o grupo fosse feita. Mas como a decisão final trancou o processo, os réus só correrão risco de punição se o MP entrar com um novo recurso.

A fraude da "máfia do apito" consistia em um acerto de resultados com o juiz de determinada partida, o que garantia o lucro de golpistas em apostas em sites da internet. A única punição concreta e definitiva foi o afastamento dos árbitros Edílson Pereira de Carvalho e Paulo José Danelon do quadro da CBF.

Após a confirmação da manipulação das partidas, o STJD remarcou 11 confrontos do Campeonato Brasileiro de 2005 que, ao final, teve o Corinthians como campeão.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Enquanto isso... gripe suína

Em São Paulo os alunos já poderão voltar às aulas, uma semana antes do previsto. O adiamento das aulas aconteceu em várias cidades brasileiras em decorrência da gripe suína... prejudicando a aprendizagem dos alunos?

Enfim, o que mudou para permitirem que as crianças voltem às aulas? A palhaçada acabou?

Mas a letalidade da pavorosa gripe suína não é a mesma da gripe sazonal, tão conhecida de todos nós? Sim, e daí?

Veja aqui.

Saramago - África

Do caderno de Saramago.

África

By José Saramago

Em África, disse alguém, os mortos são negros e as armas são brancas. Seria difícil encontrar uma síntese mais perfeita da sucessão de desastres que foi e continua a ser, desde há séculos, a existência no continente africano. O lugar do mundo onde se crê que a humanidade nasceu não era certamente o paraíso terrestre quando os primeiros “descobridores” europeus ali desembarcaram (ao contrário do que diz o mito bíblico. Adão não foi expulso do éden, simplesmente nunca nele entrou), mas, com a chegada do homem branco abriram-se de par em par, para os negros, as portas do inferno. Essas portas continuam implacavelmente abertas, gerações e gerações de africanos têm sido lançados à fogueira perante a mal disfarçada indiferença ou a impudente cumplicidade da opinião pública mundial. Um milhão de negros mortos pela guerra, pela fome ou por doenças que poderiam ter sido curadas, pesará sempre na balança de qualquer país dominador e ocupará menos espaço nos noticiários que as quinze vítimas de um serial killer (*ou de uma dúzia de mortos vitimados pela nova gripe). Sabemos que o horror, em todas as suas manifestações, as mais cruéis, as mais atrozes e infames, varre e assombra todos os dias, como uma maldição, o nosso desgraçado planeta, mas África parece ter-se tornado no seu espaço preferido, no seu laboratório experimental, o lugar onde o horror mais à vontade se sente para cometer ofensas que julgaríamos inconcebíveis, como se as populações africanas tivessem sido assinaladas ao nascer com um destino de cobaias, sobre as quais, por definição, todas as violências seriam permitidas, todas as torturas justificadas, todos os crimes absolvidos. Contra o que ingenuamente muitos se obstinam em crer não haverá um tribunal de Deus ou da História para julgar as atrocidades cometidas por homens sobre outros homens. O futuro, sempre tão disponível para decretar essa modalidade de amnistia geral que é o esquecimento disfarçado de perdão, também é hábil em homologar, tácita ou explicitamente, quando tal convenha aos novos arranjos económicos, militares ou políticos, a impunidade por toda a vida aos autores directos e indirectos das mais monstruosas acções contra a carne e o espírito. É um erro entregar ao futuro o encargo de julgar os responsáveis pelo sofrimento das vítimas de agora, porque esse futuro não deixará de fazer também as suas vítimas e igualmente não resistirá à tentação de pospor para um outro futuro ainda mais longínquo o mirífico momento da justiça universal em que muitos de nós fingimos acreditar como a maneira mais fácil, e também a mais hipócrita, de eludir responsabilidades que só a nós nos cabem, a este presente que somos. Pode-se compreender que alguém se desculpe alegando: “Não sabia”, mas é inaceitável que digamos: “Prefiro não saber”. O funcionamento do mundo deixou de ser o completo mistério que foi, as alavancas do mal encontram-se à vista de todos, para as mãos que as manejam já não há luvas bastantes que lhes escondam as manchas de sangue. Deveria portanto ser fácil a qualquer um escolher entre o lado da verdade e o lado da mentira, entre o respeito humano e o desprezo pelo outro, entre os que são pela vida e os que estão contra ela. Infelizmente as coisas nem sempre se passam assim. O egoísmo pessoal, o comodismo, a falta de generosidade, as pequenas cobardias do quotidiano, tudo isto contribui para essa perniciosa forma de cegueira mental que consiste em estar no mundo e não ver o mundo, ou só ver dele o que, em cada momento, for susceptível de servir os nossos interesses. Em tais casos não podemos desejar senão que a consciência nos venha sacudir urgentemente por um braço e nos pergunte à queima-roupa: “Aonde vais? Que fazes? Quem julgas tu que és?”. Uma insurreição das consciências livres é o que necessitaríamos. Será ainda possível?


*grifo meu

Beatles e fusca

Do blog da banda Rubber Soul.
Essa á diretamente pro amigo Paulo Simões e para seu pimpolho amante dos velhos fuscas.
Claro que também para todos os beatlemaníacos de Fortaleza. Não me enquadro nesse rol, mas acompanho a banda e adoro Beatles.
Não estarei por lá, infelizmente. Nesse horário deverei estar enriquecendo os gramados da cidade com belos gols.

Um Evento Diferente!

Foto: Divulgação
A banda Rubber Soul vai tocar sábado, dia 22 de agosto de 2009, num evento diferente e inusitado: uma exposição de carros antigos do modelo FUSCA.
Vale a pena conferir todo o evento, não só o show da banda, além de curtir o clima de cultura erudita que nos passa a casa onde nasceu o escritor José de Alencar.
Vale lembrar que a entrada é gratuita.
Vamos à programação:
08:00 - Abertura do Evento
08:10 - Música mecânica (Flashbacks)
12:00 - Show ao vivo de Chorinho no restaurante.
15:00 - Mais música mecânica (Flashbacks)
16:00 - Show ao vivo com a Banda Rubber Soul - Cover dos BEATLES.
19:00 - Entrega dos troféus.
20:00 - Encerramento do evento.


SERVIÇO:
Casa de José de Alencar
Avenida Washington Soares, 6055 - Messejana

Arquitetura - Pára, Oscar?!

fcedd
Também da internet.
Não concordo, ou concordo muito pouco. Mas é um pensamento, e além de quê, o texto é interessante.

Recado para Oscar / Message to Oscar

10 de agosto de 2009 – 16:16

Fernando L Lara

O telefone tocou no meio da noite e ele atendeu rapidamente, saltando da cama como se um século não pesasse nos ombros nem nas pernas. Do outro lado da linha uma voz conhecida mas que ele não ouvia a mais de 15 anos.
- Oscar? – Sim, sou eu, quem fala?
- É o Roberto, Roberto Burle Marx. Quanto tempo hein Oscar? Nunca pensei que ia demorar tanto pra você vir pra cá. Olha, desculpa o mau jeito de te ligar assim no meio da noite. É que essas conversas só funcionam quando vocês vivos estão meio dormindo meio acordados. Olha Oscar, nós andamos conversando muito sobre você nos últimos anos. Impressionante como os anos passam depressa aqui, acho que diante da eternidade tudo fica minúsculo….. mas sobre isso a gente conversa depois quando você chegar. O Lucio foi contra, acha que você não vai ouvir, mas o resto do pessoal me pediu pra te dar o recado. É o seguinte, nós estamos todos preocupados com o que você anda fazendo atualmente.
Cada prédio mal detalhado, mal construído. Para Oscar. Para e vai curtir as homenagens que você merece. Vai desenhar suas mulheres curvilíneas e para de desenhar esses prédios com curvas sem sentido. Se for por dinheiro arruma um jeito de vender seus desenhos. O Corbusier fez isso quando viu que seus projetos já não tinham a mesma força. Eu também passei a pintar mais e projetar menos quando percebi que os jardins já não saiam com a mesma vivacidade. E com esses prédios sem graça você está arruinando a sua biografia Oscar. Aquele moço do New York Times escreve muita bobagem mas acertou na mosca em 2007 quando disse que você estava vivendo o suficiente para estragar sua própria obra. O Charles Moore ficou muito meu amigo (não sei como não o conheci antes, um amor o Charles) e sempre fala do arrependimento de fazer aquela Piazza di Italia em New Orleans. Uma pracinha a menos e a obra do Charles ficaria muito mais íntegra. Você já acumula uma dezena de “piazzas” Oscar e ainda quer fazer uma grande bem no meio do eixo monumental! Já não basta enfiar um auditório no meio da Casa do Baile, aquela biblioteca sem livros em Brasília ou esse Centro Administrativo no caminho de Confins. Aliás, passa em Confins pra você lembrar a beleza do detalhamento do Milton. Se você ainda tivesse gente como o Milton ou o Lelé pra detalhar seus esboços…. Você não precisa disso Oscar, já é de longe o mais importante arquiteto das Américas no século XX (o Frank tá aqui resmungando mas pra começar ele nasceu no século XIX). Desenhe Oscar. Escreva Oscar. Esse negócio de arquitetura dá trabalho demais e quando feito as pressas fica muito ruim. Olha, tá todo mundo mandando um abraço e dizendo pra você demorar bastante. Na verdade a gente morre de inveja da sua longevidade (e alguns do seu talento).
algum tempo depois ele acordou e foi se vestir. Ia receber muita gente no escritório para mostrar mais um projeto (desenhado ontem) para mais um político enraizado nas idéias e nas formas do século passado.

Sacolas plásticas - 1000 anos em 3 meses

Recebido por email. Vejam aqui.
Esperemos que os estudos prossigam e amenizem a grande degradação que o plástico faz em nosso planeta.

Estudante desenvolve método para degradar sacola plástica



Um estudante canadense chamado Daniel Burd, de apenas 16 anos, desenvolveu um raciocínio muito lógico e à princípio bem simples e que foi apresentado na Feira de Ciências Escolar Nacional em Ottawa, Canadá.

Se uma sacola plástica for deixada no solo ela vai ser decomposta com o tempo, pode levar séculos, mas será decomposta. Então, o que a decompõe?Partindo deste raciocínio e com a idéia de que o processo de degradação do plástico era de origem bacteriana ele montou seu primeiro experimento que consistia em isolar o microorganismo responsável por esta degradação, e não é fácil porque esta bactéria não existe em grande quantidade na natureza.

Ele moeu as sacolas plásticas até virarem um pó, juntou água da torneira e fermento de pão, misturou tudo e juntou terra do quintal mesmo, tudo isto dentro de um recipiente a 30 graus. A cada 4 semanas ele removia uma amostra da mistura e colocava em uma nova preparada da mesma forma, com isso aumentando a concentração de bactérias. Depois de 3 meses ele filtrou a cultura bacteriana e colocou em 3 frascos contendo tiras de sacolas plásticas, como controle ele fez um quarto frasco com a cultura fervida (bactérias mortas).

Em 6 semanas as amostras de plástico nos frascos de cultura tinham perdido 17% de sua massa enquanto a amostra de controle continuava igual. Com o uso de cultura em nutrientes ele acabou descobrindo 4 tipos de bactérias no solo e que duas delas funcionavam para degradar o plástico, juntando apenas as duas efetivas a eficiência do processo subiu para 32% em 6 semanas.

Se adicionar um pouco de acetato de sódio para alimentar as bactérias a 37 graus foram 43% de consumo de matéria plástica em 6 semanas, em pouco mais de um três meses ele supõe que todo o plástico estaria degradado.

Note, não é apenas desmontar a sacola em pequenos pedaços ou moléculas de plástico, mas sim destruir completamente, aquele processo que podia demorar até 1000 anos em apenas 3 meses.

O garoto ainda testou o método em uma escala maior, com um balde cheio de sacolas e a efetividade foi a mesma, de modo que deve ser simples reproduzir o sistema em escala industrial e com baixíssimo custo.

sábado, 15 de agosto de 2009

40 anos de Woodstock

Do miolo de pote, do amigo Paulo Simões.
40 anos de woodstock.
Eu queria estar lá.

40 ANOS DE WOODSTOCK


No próximo dia 15, vão se completar 40 anos do maior evento ao ar livre da história. Em Woodstock, no estado de Nova York, quatro malucos: Michael Lang, John Roberts, Joel Rosenman e Artie Kornfeld, decidiram fazer um show de música e arte que até hoje é referência.
Inicialmente planejado para receber 50.000 pessoas, teve de ser preparado às últimas horas para ter um público de 200.000. Só que de fato foram 500.ooo malucos e hipies. O engarrafamento até o local foi tão grande que os músicos tiveram que chegar de helicóptero. A logística não funcionou. Como se poderia dar alimentação e bebidas, além de socorros eventuais para 500.000 pessoas durante três dias. As pessoas se juntaram e cooperaram entre si, dividiram o que tinham uns com os outros e curtiram toda a experiência daquele fim de semana.


Choveu durante o show, mas, nem mesmo a chuva, a escassez de comida, o abuso de drogas e a falta de condições sanitárias impediram que os três dias fossem pacíficos e de celebração à vida. Ao final, foram registradas duas mortes e dois nascimentos.
O primeiro músico foi Richie Havens, na sexta-feira, dia 15, às 17h07m, cantando High Flying Bird. O último foi Jimi Hendrix, na segunda de manhã, com a música Hey Joe. Entre os dois, passaram artistas do naipe de Joan Baez, Crosby, Stuills, Nash & Young, The Who, Sly and the Family Stone, Janes Joplin, Santana, Johny Winter, Joe Cocker.


O proprietário do terreno, Max Yasgur, considerou o espetáculo uma vitória da paz e do amor e emendou: "Com todas as possibilidades de tumulto, roubo, desastre e catástrofe, meio milhão de pessoas passaram três dias com música e paz em suas mentes. Se nos juntarmos a elas, podemos mudar as adversidades que são os problemas da América hoje e transformá-las em um futuro mais brilhante e mais pacífico".
O festival foi filmado, gerando um documentário dirigido por Martin Scorcese. Neste filmaço estão registrados os shows e o comportamento alternativo da plateia que influênciou toda uma geração futura.

SPFC x Botafogo - Jogadores nas copas

Do site SPFCpédia.
Mostra nossa soberania também quando o assunto é seleção brasileira.
Interessante é que o São Paulo leva jogadores para todas as copas, desde 1950. Não falha uma. Estou convicto que não existe nenhum outro clube com essa autoridade.
Espero que pra Copa de 2010, não percamos essa marca. Se segurarmos Miranda, Hernanes e Jean até lá, acho que dá.
E ainda somos a equipe mais jovem de todos os grandes do futebol brasileiro.
É soberano!

Jogadores à Copa do Mundo

Antes de tudo, vamos às apresentações tradicionais:

São Paulo Futebol Clube
1934: Sylvio Hoffman 1, Armandinho 2, Luizinho 3, Waldemar de Brito 4;
1950: Bauer 5, Rui 6, Noronha 7, Friaça 8;
1954: Mauro 9, Alfredo 10, Bauer 11, Maurinho 12;
1958: De Sordi 13, Mauro 14, Dino Sani 15;
1962: Bellini 16, Jurandir 17;
1966: Bellini 18, Paraná 19;
1970: Gérson 20;
1974: Waldir Peres 21, Mirandinha 22;
1978: Waldir Peres 23, Chicão 24, Zé Sérgio 25;
1982: Waldir Peres 26, Oscar 27, Serginho 28, Renato 29;
1986: Oscar 30, Falcão 31, Müller 32, Careca 33, Silas 34;
1990: Ricardo Rocha 35;
1994: Müller 36, Cafu 37, Zetti 38, Leonardo 39;
1998: Zé Carlos 40, Denílson 41;
2002: Rogério Ceni 42, Belletti 43, Kaká 44;
2006: Rogério Ceni 45, Mineiro 46.

46 convocações de jogadores.
38 jogadores convocados (6 convocados 2 vezes, 1 convocado 3 vezes)*.
*2 vezes: Bauer, Mauro, Bellini, Oscar, Müller e Rogério Ceni
*3 vezes: Waldir Peres.

Botafogo de Futebol e Regatas
1930: Benedicto 1, Pamplona 2, Nilo 3, Carvalho 4;
1934: Pedrosa 5, Germano 6, Octacílio 7, Canalli 8, Ariel 9, Waldyr 10, Martim 11, Carvalho 12, Áttila 13;
1938: Nariz 14, Zezé Procópio 15, Martim 16, Perácio 17, Patesko 18;
1950: Nílton Santos 19;
1954: Nílton Santos 20;
1958: Nílton Santos 21, Didi 22, Garrincha 23;
1962: Nílton Santos 24, Didi 25, Garrincha 26, Amarildo 27, Zagallo 28;
1966: Manga 29, Rildo 30, Gérson 31, Jairzinho 32;
1970: Paulo Cézar 33, Jairzinho 34, Roberto 35;
1974: Marinho Chagas 36, Dirceu 37, Jairzinho 38;
1978: Rodrigues Neto 39, Gil 40;
1982: Paulo Sérgio 41;
1986: Josimar 42, Alemão 43;
1990: Mauro Galvão 44;
1998: Gonçalves 45, Bebeto 46.

46 convocações de jogadores.
37 jogadores convocados (4 convocados 2 vezes, 1 convocado 3 vezes, 1 convocado 4 vezes)*.
*2 vezes: Carvalho, Martim, Didi e Garrincha.
*3 vezes: Jairzinho.
*4 vezes: Nílton Santos.

Esses dados do Botafogo são os considerados por sua torcida como "oficiais".

Ainda há muita controvérsia sobre este tema. Qual time brasileiro mais cedeu jogadores à seleção brasileira de futebol nas Copas do Mundo?

A pergunta feita dessa forma a resposta é a seguinte: São Paulo - 38 jogadores.

Agora, Qual é o time brasileiro que mais vezes cedeu jogadores à seleção brasileira de futebol nas Copas do Mundo?

Empate entre dois times: São Paulo e Botafogo - 46 convocações.

Resultado esse obtido sem muita polêmica (veja mais abaixo, após analise detalhada, o porquê).

Um ponto complicado que toma voz nessa discussão é a data de fundação do São Paulo Futebol Clube, afinal, os números do Tricolor de 1930-1935 podem alterar e muito essa coletânea. Não cabe a este tópico discutir o assunto. Todavia, sem essa consideração a resposta seria: Botafogo - 46 convocações (O São Paulo ainda seria o segundo, com 42 convocações - e da mesma forma, na pergunta anterior, seriam somente 34 jogadores do clube paulista contra 37 do carioca).

Outro ponto que se deve tomar em conta, mesmo que se considere o São Paulo de 1930-1935, é a situação dos atletas são-paulinos de 1934. Neste ano houve uma cissão no futebol brasileiro, entre os profissionais (da FBF) e os amadores (da CBD).

Desde 1933 o futebol de ponta do Estado de São Paulo é profissional. Assim sendo, o São Paulo também o era. Todavia, a FIFA somente reconhecia como entidade nacional a CBD. Dessa maneira, os atletas são-paulinos foram "convencidos" a federar-se diretamente à CBD para que pudessem participar da Copa do Mundo. Enfim, o que quero dizer é: muitas fontes ditas oficiais, por tal motivo, podem não considerar os atletas como sendo jogadores do São Paulo Futebol Clube, e sim, da CBD (o que é um absurdo, mas... nada novo em termos de Brasil).

Mas, fato é fato. Todos podem tomar conhecimento da história verdadeira. Eram atletas do São Paulo e participavam efetivamente de seus jogos imediatamente antes da competição em questão.

Existem outros pontos controversos. Patesko e Germano (este incluído na lista acima) somente estreiaram no Botafogo após a Copa do Mundo de 1934.

Patesko é citado no livro de Conrado Giacomini "Dentre os Grandes, És o Primeiro" como atleta botafoguense, já Germano é omitido. Outras fontes, como o "Livro de Ouro do Futebol Brasileiro", de Celso Unzelte, dizem que Patesko era de fato filiado ao Botafogo, enquanto que Germano era do Flamengo. Entretanto, como dito, ambos estreiaram em jogos do alvinegro somente após a Copa - Germano em 01/07/1934 e Patesko em 16/12/1934).

Pela CBF, Germano era botafoguense (e desde 1928, não 1934); Patesko era da CBD - na realidade, era atleta do Nacional do Uruguai.


Cabe citar também a situação de Araken Patusca na Copa do Mundo de 1930. O jogador desde 1929 se encontrava em litígio federativo - havia se afastado do Santos. No começo do ano seguinte fora contratado pelo São Paulo - recém fundado, tanto que esteve presente no primeiro amistoso/treinamento do time. Porém, se manteve afastado dos jogos oficiais.

É certo, oficialmente era atleta do clube, mas não jogou partida oficial que se tenha conhecimento pelo Tricolor antes da Copa do Mundo.

Voltando a 1930... Os paulistas boicotearam aquela competição. Somente Patusca, sob um registro pirata (!) pelo Flamengo - com o aval da CBD (algo parecido com o caso de 1934) fez parte do elenco que viajou ao Uruguai.

Importante dizer que para essa Copa do Mundo de 1930 foram convocados do São Paulo os seguintes jogadores, que posteriormente foram impedidos de seguir viagem:

1930: Nestor, Clodô, Luizinho e Friedenreich.

Além de Araken, claro. Enfim, quatro jogadores de inquestionável qualidade. Quem sabe, talvez, não tivesse ocorrido problemas administrativos nos anos das duas primeiras Copas a sorte do Brasil teria sido diferente...

Em suma, finalizando. Caso "atualizássemos" os temas controversos, a listagem inicial seria alterada e a situação seria então a seguinte:

Clube que mais vezes cedeu jogadores à Seleção para a Copa do Mundo?

- São Paulo, 47 convocações (além das 4 barradas em 1930 e com Araken).
contra 46 convocações do Botafogo (Germano ou Patesko em 1934, nunca os dois).

Clube que mais cedeu jogadores à Seleção para a Copa do Mundo?

- São Paulo, 39 jogadores (além dos 3 barrados em 1930, Luizinho participou posteriormente).

E, como apêndice, alguns fatos inquestionáveis, absolutos...

Clube que mais obteve jogadores Campeões do Mundo pela Seleção?

São Paulo, 13 jogadores (contra 8 do Botafogo).

1958: De Sordi 1, Mauro 2, Dino Sani 3;
1962: Bellini 4, Jurandir 5;
1970: Gérson 6;
1994: Müller 7, Cafu 8, Zetti 9, Leonardo 10;
2002: Rogério Ceni 11, Belletti 12, Kaká 13;

Clube que obteve mais vezes jogadores Campeões do Mundo pela Seleção?

São Paulo, 13 vezes (contra 11 vezes do Botafogo).

1958: De Sordi 1, Mauro 2, Dino Sani 3;
1962: Bellini 4, Jurandir 5;
1970: Gérson 6;
1994: Müller 7, Cafu 8, Zetti 9, Leonardo 10;
2002: Rogério Ceni 11, Belletti 12, Kaká 13;

No fim das contas, visivelmente se sobressaltam dois fatos:

- Desde 98 ninguém é convocado pelo Botafogo.
- Desde 50, a primeira Copa do Mundo após a Segunda Guerra Mundial, sempre algum Tricolor está presente na Copa do Mundo (É o único time do mundo a realizar tal fato).

Futebol - Qual paulista tem mais títulos?

Um pouquinho de humor.
Não tenho os créditos da montagem.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Globo x Record

A guerra entre Globo e Record tá rendendo frutos. Não defendo nem uma, nem outra. Na verdade quero é que as duas se explodam. Porém, a disputa já traz bons frutos. Além das denúncias que a Globo faz à Record, Edir Macedo e Igreja Universal, a Record já expõe aos seus "ouvintes fiéis", algumas das falcatruas da rival do plimplim.
Deixo pra todos a resposta da Record à Globo.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Dr Zem - Reforma política, já!

Do amigo Ricardo Meira, do blog Dr. Zem.
Ele não só discute a crise do Senado, mas da crise política.
Não fala só da vida pregressa e atual de Sarney e de sua família, mas dos interesses escusos da grande imprensa golpista e dos "ilibados" opositores do governo.
E claro, a reforma política, que seria talvez o grande feito da gestão petista nesses primeiros dois mandatos, talvez o mais difícil.

Visitem sempre o dr. zem.
Pra quem gosta de música, opinião e notícia.

A crise no Senado - Vossa Excelência Nos Respeite!

Os recentes e lamentáveis acontecimentos no Senado Federal demonstram, claramente, a necessidade da reforma política. Com efeito, a cada dia, percebe-se que o problema não está, apenas, nos pecados do presidente Sarney - como quer dar a entender a grande mídia. Trata-se, na verdade de uma crise nas instituições, facilmente verificada na quantidade de senadores, tanto de oposição quanto da situação, com “telhados de vidro”, alguns, estranhamente, tratados como “bons pecadores” por alguns dos mais influentes analistas políticos.

A continuar a forma simplista, maniqueísta e, às vezes, com clara contaminação política, como o assunto é tratado na imprensa, perpetuaremos a cantilena de sempre: “o acusador de hoje é o acusado de amanhã”, e o desgaste será banalizado. Também não acredito que a simples extinção do Senado seja a solução – seria um tiro mortal no princípio federativo , traduzido no necessário equilíbrio dos entes federados. Tal situação vende jornal e dá audiência na televisão, mas não ataca a causa raiz da crise e fica-se com a impressão que a cobertura esconde outro interesses.

Desta vez, o Presidente do STF, Ministro Gilmar Mendes, tem razão: não é possível ficar cassando mandado de presidente do senado a cada dois anos, como parece ter virado rotina ultimamente. É necessário atacar as causas fundamentais dos desvios do senado. Uma reforma política, com ampla participação da população é fundamental, tal reforma passa pela revisão do processo eleitoral e organização dos partidos políticos. A revisão das competências do senado, hoje confundidas com as atribuições da Câmara dos Deputados, se mostra necessária, insere-se, ainda, neste contexto, a revisão da legislação quanto aos mandados de suplentes sem votos.

Outro fato a destacar é a necessária reavaliação do generoso orçamento do Senado. Afinal, não é justificável que o suporte às atividades de apenas 81 senadores custe mais que orçamento de grandes cidades brasileiras como: Porto Alegre,Recife e Fortaleza. Com efeito, a ONG Transparência Brasil divulgou dados relativos a uma pesquisa que mostrou que o Senado do Brasil, por membro, é o mais caro do mundo. Um orçamento tão inflado favorece as “benesses”, desvios e desperdícios, traduzidos em verdadeiras guerras pelo controle da máquina burocrática do senado.

A reforma política, portanto, urge, lamentavelmente, as dificuldades de sua implantação são gigantescas, afinal, qual dos nossos “probos” políticos admitiriam perder a “boquinha”? Para vencer esta resistência só resta uma única alternativa: a ampla participação e cobrança da população, organizada, livre de manipulações e voltadas para os interesses do país.

Agradecimentos - A bodega está crescendo

Queria agradecer aos leitores de nossa bodega pelo ótimo retorno que o espaço vem tendo, principalmente nas últimas semanas. Já alcançamos uma média de quase 50 visitas diárias e um pico de 155 visitas nessa última segunda feira.

Nessa semana, no ritmo de crescimento que a bodega vem tendo, conseguiremos a incrível marca de 100 visitas por dia. É muita gente acompanhando nossas discussões. Gente do mundo todo, de todos os continentes.

Além desses números expressivos, tivemos o prazer de ser citado no blog do Paulo Henrique Amorim (conversa afiada) e estampar o blog rol do Abundacanalha, este último sendo com certeza o maior orgulho até aqui.

Posso dizer que não esperava um retorno tão grande, mas recebo esses resultados (pra lá de parciais) com grande satisfação e uma vontade ainda maior de utilizar esse espaço para defender a verdade e a justiça, comentar sobre futebol e, de vez em quando, apenas jogar conversa fora.

Abraço a todos os bodegueiros.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Base dos EUA na colômbia é irrelevante para Mirian Porcão

Isso mesmo!
Para Miriam Leitão e seus companheiros do Bom Dia Brasil, da Globo, a discussão entre os governantes decentes da Unasul sobre as bases estadunidenses em território continental da Colômbia é tema menor, e deveriam tratar de coisas realmente relevantes.

Pra fechar, eles levantaram manchete dando a entender que Chavez estava incitando guerra na América, enquanto ele mesmo diz que quer evitá-la (referindo-se a Colômbia).

Francamente, nem dá pra me alongar nesse assunto. Imprensa Golpista é isso mesmo.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Raul Seixas e Chico Science

São os dois últimos posts do blog Mandando Brasa, de Leandro Rodrigues. Encontrei o blog por postagem de Azenha, no vi o mundo.
Coloquei logo em dose dupla por causa que trata de dois mestres que estão no meu rol de gênios da música.

QUE LUZ É ESSA?



O gênesis e o século XXI. Deus e o diabo. O homem e a mosca. Cristo e Judas. As donas de casa e os donos do mundo. Hemingway e Paulo Coelho. O trem e o disco voador. Bob Dylan e a turma de Jackson do Pandeiro. A maçã e o caroço da manga. Ali Babá e Al Capone. Marlon Brandon e o jornaleiro da esquina. Bob Dylan e Sergio Sampaio. Amazônia e Babilônia. O ouro de tolo e a água viva. John Lennon e Carlos Gardel. A boca cheia de dentes e a dentadura postiça. Thor e Yemanjá. O metrô e o carro a álcool. Freud e Alester Crowley. Salvador e New York. O colírio e os óculos escuros.
Está tudo no baú do Raul.
Raul Rock Seixas. O cachorro urubu. Estrela no abismo do espaço. O rock com cara de bandido. Elvis Presley com Luiz Gonzaga. Tropicalismo e rockzinho antigo. Art pop. Rock n´Raul.
O inimigo do “monstro sist” que nasceu há dez mil anos;
O dito cidadão respeitado que ultrapassou a barreira do som;
O moleque maravilhoso que alcançou a velocidade da luz;
O maluco que vinte anos após sua morte veloz continua vivo.
Vivendo nos seus filhos, na erva e na palavra rude que disse para quem não gostava.
Vivendo nas Nuits de lua cheia e bonita;
Nos segredos das luzes do arrebol;
Nos sonhos malucos dos sonhadores;
No calendário esquecido no bolso da camisa;
Nas profecias de que o mundo se acabará um dia;
Nos recados dados pelo muro;
Nas canções que o rádio não toca;
Nos girassóis que mostram a cara;
Na chuva que traz coisas do ar;
No café que se toma pra fumar;
No amor de todos os mortais;
Na voz que gira bailando no ar;
Na lei dos que fazem o que querem;
No oposto do que se disse antes;
Na sombra sonora do disco voador.
E, quiçá, viverá mais dez mil anos.
Raulzito e Raul Seixas, o mesmo homem.
Toca Raul!
O início, o fim e o meio.

15 ANOS DE LAMA E CAOS



“Se queres ser universal começa por pintar a tua aldeia”
Tolstói


"Eu vou fazer uma embolada,um samba,rock maracatu, tudo bem envenenado,bom pra mim e bom pra tu,pra gente sair da lama e enfrentar os urubus"
Chico Science

"Computadores avançam, artistas pegam carona"
Fred Zero Quatro






A 15 anos, dos mangues do Recife, emergia “Da lama ao caos”.

O primeiro disco (uso este termo com tranqüilidade, pois ele acaba de ser lançado em vinil) de Chico Science e a Nação Zumbi. O marco zero do movimento manguebit (ou seria manguebeat?). O passo adiante que a cultura brasileira não dava desde a Lira Paulistana. A virada de mesa que faltava para revitalizar a nossa música popular. O complemento da evolução musical iniciada pela Tropicália. A afrociberdelia que desencadearia uma revolução na MPB.

Produzido pelo ex-“Mutantes” Liminha, um mestre em fazer tudo soar bem aos ouvidos, “Da lama ao caos” trazia Recife (A cidade, Manguetown) com seus rios, suas pontes, seus computadores, suas praias, suas antenas, seus urubus, suas vitrolas, seu banditismo, sua fedentina, seu caos, como conceito ao mesmo tempo em que, a partir dessa realidade, desnudava o país inteiro aos ouvidos do mundo.

Misturando - as tão rechaçadas quanto banalizadas - guitarras elétricas com tambores e influências musicais que iam de Manu Dibango a Jackson do Pandeiro, a banda apresentava uma sonoridade que misturava maracatu, rap, rock, embolada, tropicalismo, ciranda, afrobeat, psicodelia, funk, cordel, samba, capoeira e música eletrônica. As letras remetiam a Josué de Castro, Euclides da Cunha, Baudelaire, Jorge Mautner, Malcom X, Osvald de Andrade, revolta praieira, realismo fantástico, Tolstói,Cinema Novo,João Cabral de Melo Neto, ficção científica, Palmares,cibernética e socialismo latino-americano e mostravam as vísceras de uma cidade que através de um modelo equivocado de progresso chegou ao ponto de ser considerada a quarta pior cidade do mundo e retratavam as angustias e conflitos de uma juventude que vivia entre a fome e a evolução tecnológica, a abundancia e a miséria, a crendice e a ciência, a democracia e a escravidão, a lama (criação) e o caos (destruição).

A partir de então, os mangueboys tomaram conta de cena e o pop brasileiro se despiu de qualquer tipo de rótulo. Estava aberto o caminho para uma geração abandonada e que passava a vislumbrar na música popular uma saída para libertar sua imaginação do domínio exterior. O hip hop caminhava de mãos dadas com a embolada, o côco era dub e o maracatu com um tiro certeiro se infiltrava no rock n´roll. Os “carangueijos com cérebro” não só desentupiram as artérias, se não as sociais pelo menos as culturais, do Recife como fizeram jorrar um surto criação musical por todo o país. De Seu Jorge ao Cordel do Fogo Encantado, de O Rappa a Curumin, tudo que foi feito na música brasileira desde então passou seus ouvidos em “Da lama ao caos”.


Lançado pela poderosa Sony Music, o álbum foi eleito pelo editor musical do "The New York Times" um dos dez melhores álbuns de 1994, incluiu pelo menos quatro de suas músicas na galeria dos clássicos da música brasileira, encantou as Américas e a Europa, inseriu o festival recifense “Abril pro rock” no circuito mundial dos grandes festivais de música, abriu caminho para um punhado de bandas de qualidades oriundas do Recife, uniu o Nordeste ao Sul, mudou a cara da música popular brasileira e anunciou que nem só de pagodeiros, bundas e malhação seria feita a juventude dos anos 90. Enfim, modernizou o passado e salvou a música brasileira. Cumpriu sua missão.

Poucos meses depois, era lançado pelo selo Banguelas (dos Titãs) e produzido por Charles Galvin, “Samba esquema noise”, o primeiro disco do Mundo Livre S/A, primo de “Da lama ao Caos” e filho temporão de “Samba esquema novo” (Jorge Ben), que firmaria o manguebit como um movimento de extrema importância no cenário pop brasileiro.

Não é exagero dizer que depois daquele abril de 1994, a música brasileira nunca mais foi a mesma.

Se bem que o caótico Brasil continua naufragando no mesmo mar de lama.


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Azenha escreveu e concordo:
Nota do Viomundo: Este site morre de amores pelo Raul Seixas e acha que quem não gosta dele é fraco da idéia.