segunda-feira, 26 de julho de 2010

A indústria da desinformação estadunidense

Do tijolaço.

Imprensa “independente”, financiada pelos EUA

As duas ONGs destacadas no documento distribuíam o dinheiro a jornalistas e meios de comunicação da Venezuela

Toda ação de sabotagem exige a preparação do terreno. Por isso não se pode analisar os fatos desvinculados de outros. Comentei aqui dias atrás a investida desrespeitosa do presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa contra o presidente Lula, procurando disseminar a falsa ideia de que a liberdade de imprensa no Brasil está ameaçada. É a partir de falsos pressupostos como esse que cenários de intervenção no processo político dos países são armados. Tudo isso me ocorre ao tomar conhecimento que o governo dos Estados Unidos destinou US$ 4 milhões para financiar jornalistas e meios de comunicação privados na Venezuela, nos últimos três anos. Muito bom lembrar isso para lembrar que desestabilização não se faz apnas com guerrilha na selva, mas com a guerrilha de papel.

Documentos do Departamento de Estado recém revelados por força do Ato de Liberdade de Informação mostram como, entre 2007 e 2009, milhões de dólares foram canalizados de um pouco conhecido Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho para jornalistas e órgãos de imprensa na Venezuela, Bolívia e Nicarágua, através da Fundação Panamericana de Desenvolvimento, que opera na América Latina desde 1962. No entanto, só a parte referente à Venezuela foi liberada, removendo-se o nome dos que receberam o dinheiro.

Os EUA vinham escondendo sua participação direta em fomentar a mídia anti-chavista, que atua abertamente para desestabilizar a democracia venezuelana e teve papel determinante no frustrado golpe de 2002, que chegou a afastar Chávez temporariamente do poder. Embora tenha omitido os receptores dos fundos norte-americanos, um dos documentos, de julho de 2008, deixou passar os nomes dos principais grupos venezuelanos encarregados pela distribuição do dinheiro entre a mídia e jornalistas encarregados de promover a agenda dos EUA: Espacio Publico e Instituto de Prensa y Sociedad (IPS).

A operação apresentava o seguinte objetivo: fortalecer jornalistas “independentes”, proporcionando-lhes treinamento, assistência técnica, materiais e acesso às novas tecnologias “para aumentar sua capacidade de informar o público sobre as mais críticas políticas que impactam a Venezuela”. Dois prêmios de “jornalismo investigativo” também foram criados neste sentido. Em outras palavras, interferência direta num país soberano, fomentando atividades anti-governamentais.

Mais de 150 jornalistas venezuelanos foram treinados pelas agências americanas e pelo menos 25 sites foram criados pelo dinheiro do Departamento de Estado. Nos últimos dois anos, escreve a advogada Eva Golinger, que já havia desvendado um financiamento do governo americano à mídia venezuelana por outros canais, houve uma proliferação de usuários de sites, blogs, Twitter, MySpace e Facebook, a maioria para promover mensagens anti-Chávez e disseminar informações falsas sobre a realidade do país.

Estudantes e jovens também foram treinados para formar uma rede de cyberdissidentes contra o governo venezuelano. Segundo Eva Golinger, em abril passado, em encontro para “ativistas pela liberdade e direitos humanos”, promovido pelo Instituto George W. Bush, em conjunto com a Freedom House e o Departamento de Estado, para analisar o “movimento global de cyberdissidentes”, um dos presentes era Rodrigo Diamanti, um jovem ativista anti-Chávez, que esteve ao lado de “dissidentes” do Irã, Síria, Cuba. Rússia e China.

Os documentos do Departamento de Estado também mostraram financiamentos para “fortalecer a mídia independente na Venezuela”, “promover a liberdade de expressão na Venezuela” e outros programas com universidades venezuelanas, de onde saíram os principais movimentos estudantis anti-Chávez nos últimos três anos.

É por isso que não se pode ser ingênuo diante de certos comportamentos midiáticos. Parte da imprensa chilena foi financiada na preparação do golpe contra Salvador Allende, em 1973; jornalistas cubanos são aliciados para combater Fidel Castro, e a Venezuela está inundada de ações midiática anti-Chávez. A denúncia do presidente da SIP não pode ser vista fora deste contexto.

No Brasil, claro, isso não acontece.

Liberdade de informação é um valor sagrado. Que não se o confunda com uma suposta imunidade das empresas de comunicação à lei.

Um comentário:

  1. SOBRE EL TEMA: EL CURA DE LA CIA QUE ENGAÑÓ A LA IZQUIERDA

    La izquierda en toda Latinoamérica - e inclusive en España- ha empezado a reaccionar ante la descarada derechización del cura Fernando Lugo, promocionado como supuesto teólogo de la liberación, hoy alineado con Uribe y Alan García. Acá vemos algunas publicaciones:

    IZQUIERDA CHILENA DENUNCIA GIRO DERECHISTA DE FERNANDO LUGO

    En blog de la izquierda chilena se denuncia el giro colombiano y derechización del
    gobierno luguista:

    http://tribunachilena.blogia.com/2010/071201-paraguay-se-consolida-el-giro-colombiano-de-lugo.php

    TAMBIÉN EN BUENOS AIRES DENUNCIAN GIRO DERECHISTA DE FERNANDO LUGO

    http://comisionddhhparaguayos.blogspot.com/2010/07/ana-paraguay-se-consolida-el-giro.html

    DENUNCIAS SANDINISTAS EN NICARAGUA

    http://www.lavozdelsandinismo.com/internacionales/2008-08-16/gloria-rubin-vinculada-a-stroessner-y-cia/

    DENUNCIAS DE BLOGUEROS URUGUAYOS

    http://caio.uy.over-blog.com/article-fernando-lugo-agente-encubierto-de-la-cia-53015114.html

    http://elpolvorin.over-blog.es/article-agencias-de-washington-y-falso-anti-imperialismo-53768530.html

    DENUNCIAS EN MEDIOS CHAVISTAS


    http://www.aporrea.org/internacionales/n155916.html

    http://www.aporrea.org/internacionales/a53579.html

    EN DIARIO SIGLO XXI DE ESPAÑA:

    http://www.diariosigloxxi.com/texto-diario/mostrar/57312

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